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LabPocket · 2025–2026
Valores de Referência
Laboratoriais
Guia interativo baseado nas diretrizes mais atuais — OMS, SBC, SBD, SBPC/ML e ABNT 2025.
Rafael Arrua da Silveira · Farmacêutico Bioquímico
Setor 01 · Hematologia
Eritrograma, Leucograma
& Plaquetas
Intervalos baseados em Dacie & Lewis (12ª ed.) e diretrizes PNCQ/OMS. Diferenciação por sexo e alertas críticos de bancada.
Eritrograma + Plaquetas
Adultos · Diferenciação por sexo biológico
ParâmetroReferênciaAlerta / Interpretação
Hemácias (RBC)H: 4,3–5,9 ×10⁶/μL
M: 3,9–5,3 ×10⁶/μL
Reduzidas → anemia; correlacionar com índices hematimétricos
Hemoglobina (Hb)H: 13,5–17,5 g/dL
M: 12,0–15,5 g/dL
⚠ CRÍTICO <7,0 g/dL: anemia grave → avaliar suporte transfusional
Hematócrito (Ht)H: 40–53%
M: 36–47%
Elevado → hemoconcentração ou policitemia
VCM80–100 fL<80 fL: microcítica | >100 fL: macrocítica
CHCM32–36 g/dLAlterações → esferocitose ou artefatos pré-analíticos (lipemia)
Plaquetas150.000–450.000/μL⚠ <50.000 Risco de sangramento   🔴 <20.000 Alerta crítico
Leucograma — Série Mieloide (Precursores)
ParâmetroRelativoAbsolutoAlerta
Blastos0%0/μL🔴 ALERTA Leucemia Aguda / SMD — confirmar em lâmina
Promielócitos0%0/μL🔴 ALERTA LMA-M3 → risco de CIVD
Mielócitos0%0/μL🔴 ALERTA Quebra de barreira medular — LMC ou infecção grave
Metamielócitos0%0/μLDesvio à esquerda — reação leucemoide ou infecção sistêmica
Bastões1–5%40–550/μLDesvio à esquerda → processo infeccioso/inflamatório agudo
Segmentados40–70%2.000–7.000/μLNeutrofilia: bacteriana, estresse, corticóide | Neutropenia: viral, mielotóxico
Leucograma — Série Branca Madura
ParâmetroRelativoAbsolutoInterpretação
Linfócitos20–40%1.000–3.000/μLLinfocitose: viral (mono, CMV) | >5.000/μL persistente → neoplasia linfoproliferativa
Monócitos2–10%200–1.000/μLMonocitose: TB, endocardite, autoimune, LMA-M4/M5
Eosinófilos1–5%20–500/μL>5.000/μL → investigar síndrome hipereosinofílica / DRESS
Basófilos0–1%0–100/μLBasofilia persistente: LMC, policitemia vera, neoplasia mieloproliferativa
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O que é o Eritrograma?

O eritrograma engloba o estudo das hemácias: RBC, Hemoglobina, Hematócrito e os índices hematimétricos (VCM, HCM, CHCM, RDW).

É a base para classificação das anemias: microcítica/hipocrômica, normocítica/normocrômica ou macrocítica.

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Índices Hematimétricos

VCM (80–100 fL): Volume médio da hemácia. Classifica a anemia morfologicamente.

CHCM (32–36 g/dL): Concentração de hemoglobina por célula. Elevado em esferocitose hereditária.

RDW: Anisocitose — variação no tamanho das hemácias. Útil em deficiências mistas.

⚠️
Desvio à Esquerda

Presença de precursores neutrofílicos (bastões, metamielócitos, mielócitos) no sangue periférico.

Indica resposta medular intensa a infecção bacteriana aguda, estresse, inflamação sistêmica ou, em casos graves, leucemia.

💡 Reflexão clínica: Em um paciente com Hb de 6,5 g/dL, quais dados adicionais você solicitaria para orientar a conduta?
✓ Salvo localmente
🎯 Checklist de Bancada — Hemograma
Verificar qualidade da amostra: hemólise, lipemia, icterícia
Confirmar presença de blastos / promielócitos em lâmina
Plaquetas <50.000: comunicar imediatamente ao médico responsável
Hb <7,0 g/dL: avaliar necessidade de comunicado crítico
Registrar e assinar o resultado com carimbo do responsável técnico
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Setor 02 · Bioquímica Clínica
Função Hepática, Renal,
Lipídios & Glicemia
Diretrizes SBPC/ML 2023 · SBC 2025 · SBD/ADA 2025
Função Hepática
AnalitoReferênciaContexto Clínico
ALT (TGP)≤ 41 U/LMarcador específico de lesão hepatocelular. >3× LSN = lesão significativa
AST (TGO)≤ 40 U/LAST/ALT >2 → hepatopatia alcoólica
Fosfatase Alcalina40–130 U/LElevada em colestase, Paget, metástases ósseas, gestação
GGTH: ≤55 | M: ≤38 U/LSensível, porém inespecífico. Aumenta com álcool, drogas, colestase
Proteínas Totais6,0–8,0 g/dLHipoalbuminemia: cirrose, síndrome nefrótica, desnutrição
Albumina3,5–5,0 g/dLRedução em hepatopatias crônicas
Bilirrubina Total≤ 1,2 mg/dLBT >2,0 mg/dL: icterícia clínica visível
Bilirrubina Direta≤ 0,3 mg/dLElevação: icterícia obstrutiva ou hepatocelular
Bilirrubina Indireta≤ 0,9 mg/dLElevação: hemólise, síndrome de Gilbert
Função Renal
AnalitoReferênciaAlertas
Ureia15–45 mg/dLElevação: IRA, IRC, sangramento GI, dieta hiperproteica
CreatininaH: 0,6–1,3 | M: 0,5–1,1 mg/dL⚠ CRÍTICO >4,0 mg/dL: IRenal grave — avaliar TFG (CKD-EPI)
Ácido ÚricoH: 3,4–7,0 | M: 2,4–6,0 mg/dLElevado: gota, doença renal, LLA, síndrome de lise tumoral
Microalbuminúria<30 mg/g creatinina30–300: microalbuminúria | >300: macroalbuminúria → nefropatia diabética/HAS
Perfil Lipídico — Diretriz SBC 2025
AnalitoAlvo / ReferênciaContexto
Colesterol Total< 190 mg/dLAcima aumenta risco cardiovascular
HDL-cH: >40 | M: >45 mg/dLHDL <40 = fator de risco independente para DCV
LDL-cVaria por risco (ver abaixo)<115 (baixo) / <100 (intermed) / <70 (alto) / <50 (muito alto) / <40 (extremo)
Não-HDL-c< 145 mg/dLCT – HDL-c. Inclui partículas aterogênicas não-LDL
VLDL2–30 mg/dLCalculado: TG/5 (válido se TG <400 mg/dL)
Triglicérides<150 (jejum) / <175 mg/dL (sem jejum)⚠ CRÍTICO >500 mg/dL: risco de pancreatite aguda
Metabolismo Glicêmico — SBD/ADA 2025
Normal
Jejum: <100 mg/dL
TOTG 2h: <140 mg/dL
HbA1c: <5,7%
⚠️
Pré-Diabetes
Jejum: 100–125 mg/dL
TOTG 2h: 140–199 mg/dL
HbA1c: 5,7–6,4%
🔴
Diabetes Mellitus
Jejum: ≥126 mg/dL
TOTG 2h: ≥200 mg/dL
HbA1c: ≥6,5%
O diagnóstico de diabetes mellitus requer confirmação em uma segunda coleta, exceto na presença de sintomas clássicos (poliúria, polidipsia, perda de peso) com glicemia ao acaso ≥200 mg/dL.
SBD – Diretriz 2025
💊
Relação AST/ALT

AST/ALT > 2: fortemente sugestivo de hepatopatia alcoólica (álcool depleta piridoxina → menor síntese de ALT).

AST/ALT < 1: padrão mais comum em hepatites virais e DHGNA.

🫀
Metas de LDL por Risco

Baixo risco: LDL <130 mg/dL

Intermediário: LDL <100 mg/dL

Alto: LDL <70 mg/dL

Muito alto: LDL <50 mg/dL

Extremo: LDL <40 mg/dL (pós-evento + DM com LOA)

🧫
CKD-EPI e TFG

A Taxa de Filtração Glomerular estimada (TFGe) pelo CKD-EPI 2021 (sem raça) é o método recomendado para estadiamento de DRC.

TFGe <60 mL/min/1,73m² por >3 meses = DRC confirmada.

Setor 03 · Urinálise
Análise Completa de Urina
SBPC/ML · ABNT NBR 15268:2025 — Parâmetros físico-químicos e sedimento urinário
Parâmetros Físico-Químicos
ParâmetroReferênciaInterpretação Prática
CorAmarelo citrinoEscura: desidratação | Avermelhada: hematúria/hemoglobinúria | Alaranjada: medicamentos
AspectoLímpidoTurvo: piúria, bacteriúria, fosfatos, contaminação vaginal
Densidade1,005–1,030Fixa (1,010): IRC | >1,030: desidratação, glicosúria
pH5,0–8,0Alcalino: ITU por Proteus | Ácido: dieta proteica, acidose
GlicoseNegativoGlicosúria: DM (limiar renal ~180 mg/dL)
Proteínas≤15 mg/dLProteinúria: glomerulopatia, HAS, DM
Corpos CetônicosNegativoCetonúria: jejum, CAD, dieta cetogênica
BilirrubinaNegativoSempre patológica: obstrução biliar, hepatite
Urobilinogênio0,1–1,0 mg/dLElevado: hemólise, hepatite | Ausente: obstrução biliar
NitritoNegativoPositivo: bacteriúria por bactérias redutase-positivas
Sedimento Urinário
ParâmetroReferênciaInterpretação
Leucócitos≤5/campo (400×)>5/campo: piúria → ITU, inflamação
Hemácias≤3/campo (400×)>3/campo: hematúria → calculose, glomerulopatia, tumor
Células EpiteliaisRarasMuitas: má coleta, contaminação vaginal
Células RenaisAusentesPATOLÓGICO Sempre indica lesão tubular: NTA, rejeição de transplante, nefrotóxicos
Cilindros HialinosRarosGranulosos: NTA | Hemáticos: glomerulopatia | Leucocitários: pielonefrite
CristaisAusentes/RarosCistina, leucina, tirosina: sempre patológicos
🔬 Cilindros Urinários — Classificação Completa
TipopH/CondiçãoPatológico?Significado Clínico
HialinoQualquerNão (isolado)Proteína de Tamm-Horsfall. Pode aparecer em exercício, febre, desidratação. Sozinho sem significado patológico.
Hemático (eritrocitário)QualquerSEMPREPatognomônico de glomerulonefrite. Indica sangramento dentro do néfron. Investigar com biópsia renal urgente.
LeucocitárioQualquerSEMPREPielonefrite aguda, nefrite tubulointersticial. Indica inflamação do parênquima renal (não apenas bexiga).
Granuloso (grosseiro)QualquerSimDebris de células tubulares degeneradas. Necrose tubular aguda, DRC avançada, glomerulopatias.
Granuloso (fino)QualquerSimGrânulos menores, menos densos. Lesão tubular menos intensa. DRC moderada a grave.
CéreoQualquerSEMPREDRC grave/avançada (estágio 4–5). Baixo fluxo tubular prolongado. Síndrome nefrótica. Indica lesão renal crônica significativa.
Epitelial (células tubulares)QualquerSEMPRENecrose tubular aguda, nefrite tubulointersticial, rejeição de transplante, nefrotóxicos (contraste, aminoglicosídeos, cisplatina).
Lipídico (gorduroso)QualquerSimSíndrome nefrótica (proteinúria maciça com hiperlipidemia). Contém gotículas de lipídio — aspecto de "cruz de Malta" sob luz polarizada.
Largo (broad cast)QualquerSEMPREFormado em túbulos coletores dilatados. Indica estase tubular grave. Associado a DRC terminal e insuficiência renal oligúrica.
BacterianoQualquerSimBactérias aderidas à proteína de Tamm-Horsfall. Pielonefrite confirmada. Solicitar urocultura com antibiograma.
Misto (composto)QualquerSimCombinação de elementos (hemácias + leucócitos, células + granulações). Indica múltiplos processos simultâneos.
💎 Cristais Urinários — Classificação Completa
⚠️
Interpretação Contextual
A presença de cristais depende do pH urinário, temperatura e concentração da urina. Cristais podem ser artefatos de resfriamento ou demora no processamento. Sempre correlacionar com quadro clínico e exames complementares.
🟡 Cristais em Urina Ácida (pH < 6)
CristalAspectoPatológico?Associação Clínica
Oxalato de cálcio monoidratadoOval/haltere (forma de amendoim)FrequenteNefrolitíase por oxalato (mais comum). Hiperoxalúria primária/secundária, intoxicação por etilenoglicol (grande quantidade), dieta rica em oxalato.
Oxalato de cálcio diidratadoOctaédrico (envelope/ampulheta)FrequenteNefrolitíase por oxalato. Muito comum em urina normal. Isolado tem pouco significado; em grande quantidade indica risco de cálculo.
Ácido úricoRômbico, losangular, amarelo-alaranjadoContextoGota, hiperuricemia, síndrome de lise tumoral, quimioterapia, nefropatia por ácido úrico. Urina muito ácida e concentrada.
Urato amorfoGrânulos amarelo-rosadosRaramenteArtefato de resfriamento ou concentração. Geralmente sem significado clínico. Desaparecem ao aquecimento.
Sulfato de cálcioPrismas aciculares incoloresRaroRaro. Pode aparecer em urina muito ácida. Sem associação clínica definida.
XantinaRômbico incolor/amareloSimXantinúria hereditária (deficiência de xantina oxidase), uso de alopurinol em altas doses. Raro.
🔵 Cristais em Urina Alcalina (pH > 7)
CristalAspectoPatológico?Associação Clínica
Fosfato triplo (estruvita)"Tampa de caixão" (prismático)ContextoITU por bactérias produtoras de urease (Proteus, Klebsiella, Pseudomonas). Cálculos coraliformes. Urina alcalina infectada.
Fosfato amorfoGrânulos brancos/acinzentadosNãoArtefato comum em urina alcalina. Sem significado clínico isolado. Desaparecem com acidificação.
Carbonato de cálcioGrânulos/haltere incoloresRaroUrina muito alcalina. Geralmente artefato. Sem significado clínico definido.
Fosfato de cálcio (brushita)Prismas estrelados/rosetaContextoAcidose tubular renal (tipo 1), hiperparatireoidismo, hipercalciúria idiopática. Pode formar cálculos.
Biurato de amônio"Maçã espinhosa" (esférico com espículas)ContextoUrina fecalizada, ITU grave, bacteriúria com urease. Pode ser artefato de urina antiga.
🔴 Cristais Patológicos — Sempre Investigar
CristalAspectoSignificado
CistinaHexagonal incolor (placas planas)SEMPRE PATOLÓGICO Cistinúria hereditária (defeito no transporte de aminoácidos). Cálculos recidivantes desde a infância. Dosar cistina urinária de 24h. Tratamento: hidratação maciça + alcalinização.
LeucinaEsferas amarelo-brunadas com estrias radiaisSEMPRE PATOLÓGICO Hepatopatia grave (insuficiência hepática fulminante, cirrose terminal). Indica metabolismo proteico gravemente comprometido.
TirosinaAgulhas finas amarelas em feixesSEMPRE PATOLÓGICO Hepatopatia grave, tirosinemia hereditária (tipo I). Frequentemente associado à leucina em insuficiência hepática.
ColesterolPlacas retangulares com entalhe angular ("escada")SEMPRE PATOLÓGICO Síndrome nefrótica grave, lipidúria maciça. Confirmar com luz polarizada (cruz de Malta).
BilirrubinaAgulhas ou grânulos amarelo-escurosPatológico Bilirrubinúria: icterícia obstrutiva ou hepatocelular grave. Urina com cor escura (cor de chá).
HemossiderinaGrânulos amarelo-dourados (Perls +)Patológico Hemólise intravascular crônica (hemoglobinúria paroxística noturna, anemia hemolítica). Reação de Perls (azul da Prússia) positiva.
MedicamentososVariável (ampicilina, sulfonamidas, indinavir)Iatrogênico Cristalúria por fármacos: ampicilina (agulhas), sulfonamidas (feixes "choque de trigo"), indinavir (estrelas/leques). Hidratação e ajuste de dose.
🎯 Pré-analítica — Coleta de Urina
Orientar coleta do jato médio, após higiene genital
Processar em até 2h da coleta (ou refrigerar a 2–8°C por até 6h)
Não coletar durante menstruação sem cateterismo
Evitar coleta após exercício intenso, febre ou ITU em tratamento
Documentar horário de coleta e informar medicamentos em uso
0/5 itens concluídos
Setor 04 · Gasometria Arterial
Equilíbrio Ácido-Base
& Oxigenação
Consenso MedlinePlus · SBPC/ML — Parâmetros essenciais para avaliação da função respiratória e metabólica em adultos
ParâmetroReferênciaDistúrbios Críticos
pH7,35–7,45<7,35: acidemia | >7,45: alcalemia
CRÍTICO <6,90 ou >7,70
pCO₂35–45 mmHg>45: hipercapnia → acidose respiratória
<35: hipocapnia → alcalose respiratória
pO₂80–100 mmHg⚠ <60 Hipoxemia grave   🔴 <40 Insuf. respiratória
HCO₃⁻22–26 mEq/L<22: acidose metabólica | >26: alcalose metabólica
Excesso de Base (BE)-2 a +2 mEq/LBE <-2: déficit de base (acidose met.) | BE >+2: excesso (alcalose met.)
SatO₂95–100%CRÍTICO <90%: hipoxemia significativa → intervenção
PaO₂/FiO₂>300<300: lesão pulmonar aguda | <200: SDRA (Berlim 2012)
⚗️ Distúrbios Ácido-Base — Identificação Rápida
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Ânion Gap

Fórmula: AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻)

Normal: 8–12 mEq/L (sem albumina) ou 3–11 mEq/L (com correção de albumina)

AG elevado indica ácidos não mensurados: cetonas, lactato, salicilatos, metanol, etilenoglicol, uremia.

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Regra de Winter

Na acidose metabólica, a compensação respiratória esperada é:

pCO₂ esperado = (1,5 × HCO₃⁻) + 8 ± 2

Se pCO₂ real > esperado: acidose respiratória associada. Se < esperado: alcalose respiratória associada.

🫁
Critérios de Berlim — SDRA

Leve: PaO₂/FiO₂ 200–300

Moderada: PaO₂/FiO₂ 100–200

Grave: PaO₂/FiO₂ <100

Todos sob PEEP ≥5 cmH₂O. Mortalidade aumenta com a gravidade.

💡 Caso clínico: pH 7,28 | pCO₂ 52 mmHg | HCO₃⁻ 24 mEq/L. Qual o distúrbio primário? Há compensação?
✓ Salvo localmente
Setor 05 · Endocrinologia
Hormônios & Vitaminas
SBEM 2020 · ATA · Endocrine Society — Valores de referência para adultos. Métodos: ECLIA, CLIA, ELISA, RIA. Cada laboratório deve validar seus próprios intervalos.
🦋 Tireoide
ExameReferência (Adultos)Interpretação Clínica
TSH0,4–4,5 μUI/mLTSH↑+T4L↓: hipotireoidismo primário | TSH↓+T4L↑: hipertireoidismo | TSH alterado+T4L normal: doença subclínica. Gestação: 1ºtri 0,1–2,5 | 2ºtri 0,2–3,0 | 3ºtri 0,3–3,5.
T4 Livre (T4L)0,8–1,9 ng/dLMétodo de eleição. Não influenciado por proteínas transportadoras. Preferir ao T4 total em gestantes e usuárias de estrogênio.
T4 Total5,0–12,0 μg/dLElevado em gestação, uso de estrogênios (↑TBG). Reduzido em síndrome do doente eutireoidiano.
T3 Total80–200 ng/dLÚtil na tireotoxicose por T3. Menos confiável em doentes graves (conversão T4→T3 reduzida).
T3 Livre (T3L)2,5–4,3 pg/mLPode estar elevado no hipertireoidismo mesmo com T4 normal (T3-toxicose).
Anti-TPO (Anti-Peroxidase)<35 UI/mLPrincipal marcador de autoimunidade tireoidiana. Elevado: Hashimoto, Graves. Rastreamento em gestantes.
Anti-Tireoglobulina (Anti-Tg)<115 UI/mLComplementar ao Anti-TPO. Monitorização de câncer diferenciado de tireoide pós-tireoidectomia (interfere na dosagem de Tg).
Tireoglobulina (Tg)<55 ng/mL (em eutireoidismo)Marcador tumoral para carcinoma diferenciado de tireoide após tireoidectomia total. Deve ser dosada junto com Anti-Tg.
Anti-receptor TSH (TRAb)<1,75 UI/LDiagnóstico e monitorização da doença de Graves. Prediz recorrência após suspensão do metimazol.
CalcitoninaH: <11,5 pg/mL | M: <4,6 pg/mLMarcador de carcinoma medular de tireoide (células C). Rastreamento em nódulos tireoidianos e familiares de portadores de NEM-2.
🫁 Suprarrenal (Adrenal)
ExameReferênciaInterpretação Clínica
Cortisol Basal (8h)5–25 μg/dL (138–690 nmol/L)<3 μg/dL: insuficiência adrenal muito provável. >18 μg/dL: exclui insuficiência. Zona cinzenta: 3–18 → teste de estímulo com ACTH (cosintropina).
Cortisol Urinário (24h)20–90 μg/24h>3× o LSN: Síndrome de Cushing confirmada. Útil para triagem, mas interferências com estrogênio e pseudoCushing são comuns.
ACTH (Adrenocorticotrófico)7–63 pg/mL (8h, em jejum)ACTH↑+Cortisol↓: insuficiência adrenal primária (Addison). ACTH↓+Cortisol↑: síndrome de Cushing ACTH-independente (adenoma/carcinoma adrenal).
DHEA-SH: 80–560 μg/dL | M (pré-menopausa): 35–430 μg/dLAndrógeno adrenal. Elevado em hiperplasia adrenal congênita, tumores adrenais, PCOS. Declina com a idade (adrenopausa).
Aldosterona (posição supina)3–16 ng/dLRelação aldosterona/renina (RAR) >30: hiperaldosteronismo primário (Conn). Avaliar suspendendo anti-hipertensivos que interferem.
Renina (atividade plasmática)0,2–1,6 ng/mL/h (supino)Baixa+aldosterona alta: hiperaldosteronismo primário. Alta+aldosterona alta: hiperaldosteronismo secundário (HAS renovascular, IRC).
17-OH ProgesteronaH: <2,0 ng/mL | M(folicular): <1,0 ng/mL>10 ng/mL: diagnóstico de Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) por deficiência de 21-hidroxilase. Triagem neonatal obrigatória no Brasil.
Metanefrinas fracionadas (plasma)Metanefrina: <0,5 nmol/L | Normetanefrina: <0,9 nmol/LAlta sensibilidade para feocromocitoma/paraganglioma. Método preferencial. Valores >3× o LSN: alta probabilidade de tumor.
Catecolaminas urinárias (24h)Epinefrina: <20 μg/24h | Norepinefrina: <80 μg/24h | Dopamina: 65–400 μg/24hAlternativa às metanefrinas plasmáticas. Evitar estresse, cafeína, medicamentos adrenérgicos antes da coleta.
🧠 Hipófise & Hormônios Reprodutivos
ExameReferênciaInterpretação Clínica
GH (Hormônio do Crescimento)Em jejum: <1 ng/mLGH basal >1 ng/mL não exclui acromegalia (secreção pulsátil). Confirmar com IGF-1 e teste de supressão com glicose (75g — TOTG).
IGF-1 (Somatomedina C)Varia por idade e sexo (ex: adulto 30-40a: 115–307 ng/mL)Marcador integrado de GH (reflete secreção de 24h). Elevado: acromegalia. Reduzido: deficiência de GH, desnutrição, hepatopatia.
Prolactina (PRL)H: 2–18 ng/mL | M (não gestante): 2–29 ng/mL>100 ng/mL: macroprolactinoma muito provável. 20–100: microprolactinoma, hipotiroidismo, fármacos (metoclopramida, antipsicóticos, risperidona). Solicitar macroprolactina se suspeita de macroprolactinemia.
LHH: 1,7–8,6 UI/L | M(folicular): 2,4–12,6 UI/L | Pico ovulatório: 14–96 UI/L | Pós-menopausa: 7,7–58,5 UI/LLH↑+FSH↑+estrogênio↓: hipogonadismo hipergonadotrófico (falência ovariana/testicular). LH↓+FSH↓: hipogonadismo hipogonadotrófico (hipofisário/hipotalâmico).
FSHH: 1,5–12,4 UI/L | M(folicular): 3,5–12,5 UI/L | Pós-menopausa: 25,8–134,8 UI/LFSH >25 UI/L em mulher em idade reprodutiva: insuficiência ovariana prematura (IOP). Usado junto com AMH para reserva ovariana.
Estradiol (E2)M(folicular): 30–120 pg/mL | Pico ovulatório: 130–370 pg/mL | Lútea: 70–250 pg/mL | Pós-menopausa: <20 pg/mL | H: 10–40 pg/mLMonitorização de ciclo menstrual, TRA (fertilização in vitro) e reposição hormonal. Ginecomastia masculina com E2 elevado.
ProgesteronaFolicular: <1 ng/mL | Lútea: 5–20 ng/mL | Gestação 1ºtri: 11–44 ng/mL>3 ng/mL na fase lútea: confirma ovulação. Baixa no pré-menopausa + sangramento: insuficiência lútea. Monitorar em gestações de risco.
Testosterona TotalH: 280–1100 ng/dL | M: 15–70 ng/dL<300 ng/dL em H: hipogonadismo — confirmar com testosterona livre e LH/FSH. Elevada em M: PCOS, hiperplasia adrenal, tumor virilizante.
Testosterona LivreH: 5–21 ng/dL | M: 0,1–0,85 ng/dLFração biologicamente ativa. Mais confiável que a total em obesos e com alteração de SHBG. Calcular: testosterona total / SHBG.
SHBG (Globulina Ligadora de Hormônios Sexuais)H: 10–57 nmol/L | M: 18–144 nmol/LElevada em: hipertireoidismo, hepatopatia, uso de estrogênio. Reduzida em: obesidade, PCOS, hipotiroidismo, uso de androgênios — aumenta biodisponibilidade de testosterona.
AMH (Hormônio Antimülleriano)M (20–29a): 1,5–8,5 ng/mLMelhor marcador de reserva ovariana. Declina com a idade. <1,0: reserva reduzida. Elevado em PCOS. Independe do ciclo menstrual — coletar em qualquer dia.
Inibina BH: 25–325 pg/mL | M(folicular): 23–257 pg/mLMarcador de reserva ovariana e função de células de Sertoli (masculino). Reduzida em insuficiência ovariana e azoospermia não-obstrutiva.
🫀 Pâncreas Endócrino & Metabolismo
ExameReferênciaInterpretação Clínica
Insulina de Jejum2–25 μUI/mL>25: hiperinsulinemia — resistência à insulina, insulinoma. Índice HOMA-IR = (glicemia × insulina) / 405. HOMA >2,7: resistência à insulina.
Peptídeo C1,1–4,4 ng/mL (jejum)Avalia função residual de células β. Reduzido em DM1 e insulinopenia. Normal/elevado em DM2 e insulinoma. Não é afetado pela insulina exógena.
Glucagon50–100 pg/mL (jejum)Elevado em: glucagonoma, DM descompensado, jejum prolongado, cirrose. Glucagonoma: níniveis >500 pg/mL + rash migratório necrolítico.
PTH (Paratormônio intacto)15–65 pg/mLPTH↑+Ca²⁺↑: hiperparatireoidismo primário. PTH↓+Ca²⁺↑: hipercalcemia maligna, granulomatosa. PTH↑+Ca²⁺↓: hiperparatireoidismo secundário (IRC, deficiência de vit. D).
PTH-rP (PTH-related Protein)<1,5 pmol/LElevado em hipercalcemia humoral da malignidade (neoplasias escamosas, mama, rim). PTH suprimido + PTH-rP elevado = hipercalcemia paraneoplásica.
☀️ Vitaminas & Micronutrientes
ExameReferênciaInterpretação Clínica
Vitamina D (25-OH-D3)Suficiência: 30–100 ng/mL
Insuficiência: 20–29 ng/mL
Deficiência: <20 ng/mL
<10 ng/mL: deficiência grave — risco de osteomalácia, raquitismo, miopatia. Suplementar com objetivo de atingir 40–60 ng/mL. Toxicidade >150 ng/mL (hipercalcemia).
Vitamina B12 (Cobalamina)200–900 pg/mL<200: deficiência — anemia megaloblástica, neuropatia periférica, demência reversível. Zona cinzenta 200–300: dosar ácido metilmalônico e homocisteína para confirmar. Vegetarianos e veganos: suplementação obrigatória.
Ácido Fólico (B9)3–20 ng/mL (sérico)
>140 ng/mL (eritrocitário)
<3 ng/mL: deficiência — anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural (gestação). Eritrocitário reflete estoque de longo prazo (90 dias).
Vitamina A (Retinol)30–80 μg/dL<20 μg/dL: deficiência — cegueira noturna, xeroftalmia, imunossupressão. >100: hipervitaminose — teratogênica, hepatotóxica. Evitar megadoses.
Vitamina E (Tocoferol)5–20 mg/L<5 mg/L: deficiência — neuropatia axonal, anemia hemolítica (RN prematuros). Deficiência rara em adultos sem má absorção lipídica.
Vitamina K1 (Filoquinona)0,15–1,5 ng/mLDeficiência: TP/INR prolongado — recém-nascidos (VKDB), hepatopatia, uso de antibióticos, síndrome de má absorção. Avaliada indiretamente pelo TP.
Vitamina C (Ácido Ascórbico)0,4–2,0 mg/dL<0,2 mg/dL: escorbuto — petéquias perifolicul., sangramento gengival, cicatrização deficiente. Fumantes, alcoólatras e desnutridos são grupos de risco.
Zinco70–120 μg/dL<60: deficiência — alopecia, dermatite, hipogonadismo, disgeusia, imunodeficiência. Comum em IRC, síndrome de má absorção, nutrição parenteral sem suplementação.
Ferro SéricoH: 65–175 μg/dL | M: 50–170 μg/dLComplementar à ferritina e TIBC. Baixo+ferritina baixa+TIBC alta: anemia ferropriva. Baixo+ferritina normal/alta+TIBC baixa: anemia de doença crônica.
FerritinaH: 12–300 ng/mL | M (pré-menopausa): 12–150 ng/mL<12: deficiência de ferro. <30: estoque reduzido mesmo sem anemia. >500: inflamação (fase aguda), hepatopatia, hemocromatose, neoplasia. Limitada como marcador isolado de sobrecarga de ferro em inflamação.
TIBC (Capacidade Total de Ligação do Ferro)250–450 μg/dLElevada em anemia ferropriva. Reduzida em doença crônica, cirrose, hemocromatose. Saturação da transferrina = (Ferro/TIBC) × 100. Normal: 20–45%.
Cobre Sérico70–140 μg/dL<60: deficiência — anemia microcítica, neutropenia, neuropatia mielopática. Associar à ceruloplasmina. Elevado em: fase aguda, gestação, colestase. Reduzido em doença de Wilson (junto com ceruloplasmina).
Selênio70–150 μg/L<50: deficiência — cardiomiopatia (doença de Keshan), hipotiroidismo funcional (selenoproteína), imunodeficiência. Toxicidade >400 μg/L: selenose (alopecia, onicodistrofia).
Homocisteína<15 μmol/LElevada em: deficiência de B12/folato/B6, IRC, hipotiroidismo, tabagismo. Fator de risco cardiovascular independente. Hiperhomocisteinemia grave: MTHFR, homocistinúria.
⚠️
Variação Metodológica — Atenção
Hormônios são dosados por imunoensaios (ECLIA, CLIA, ELISA, RIA) com significativa variabilidade interensaio. Para acompanhamento longitudinal, usar sempre o mesmo laboratório e método. Condições pré-analíticas (horário, jejum, ciclo menstrual, medicamentos) afetam a maioria dos resultados. Consultar sempre os valores de referência específicos do método e população do laboratório.
🦋
Hipotireoidismo Subclínico

TSH elevado com T4 livre normal. Tratar se TSH >10, sintomático ou gestante. Monitorar a cada 6–12 meses em vigilância ativa.

🌡️
Crise Tireotóxica

Emergência endócrina. TSH suprimido + T4L e T3 muito elevados + febre >38,5°C, taquicardia, agitação. Escore de Burch-Wartofsky para diagnóstico.

☀️
Vitamina D — Metas Terapêuticas

Manutenção: 40–60 ng/mL. Grupos de risco (obesos, DM, osteoporose, autoimunes): meta 50–80 ng/mL.

Reposição: Colecalciferol 50.000 UI/semana × 8–12 semanas, seguido de manutenção 1.000–2.000 UI/dia. Remonitorar em 3–4 meses.

🔬
HOMA-IR — Resistência à Insulina

Fórmula: HOMA-IR = (Glicemia em jejum × Insulina em jejum) ÷ 405

Normal: <2,7 | Resistência: >2,7 | Grave: >5,0

Útil para triagem de síndrome metabólica, PCOS e pré-diabetes mesmo com glicemia normal.

Setor · Imunologia & Sorologia
Exames Sorológicos
& Imunológicos
Interpretação de IgG e IgM · Sorologias infecciosas · Autoanticorpos · Complemento · Imunoglobulinas
📈 A Curva de Resposta Imune — IgM vs IgG
Cinética da Resposta de Anticorpos
1–7d 1–2sem 3–4sem 2–3m >6m 0 Título Infecção IgM (agudo) IgG (memória)
🟡 IgM — Infecção Recente / Aguda
• Produzida 1–7 dias após o contato com o antígeno
• Pico: 1–2 semanas
• Desaparece: 3–6 meses
• Indica infecção atual ou muito recente
• Pentâmero — 1ª linha de defesa
• Não atravessa a barreira placentária
🔵 IgG — Infecção Passada / Imunidade
• Surge após 2–3 semanas
• Pico: 3–6 meses
• Persiste: anos a vida toda
• Indica infecção passada ou vacinação
• Monômero — memória imunológica
Atravessa a placenta → proteção neonatal
🔍 Como Interpretar IgG e IgM — Padrões
IgMIgGInterpretaçãoConduta
Reagente ↑Não reagenteInfecção aguda primária — primeiro contato com o agente. IgG ainda não produzida.Confirmar com nova coleta em 14–21 dias. Notificar se doença compulsória.
Reagente ↑Reagente ↑Infecção aguda em imune — reativação, reinfecção ou janela imunológica precoce (IgG subindo).Avaliar clínica, solicitar avidez de IgG. IgG de baixa avidez = infecção recente.
Não reagenteReagente ↑Infecção passada / imunidade — contato anterior, vacinação ou infecção resolvida.Paciente imune. Em gestantes: acompanhar. Verificar títulos se monitoramento necessário.
Não reagenteNão reagenteSuscetível — nunca foi exposto. Sem imunidade.Considerar vacinação. Orientar sobre prevenção. Em gestantes: seguimento mensal.
InconclusivoQualquerZona cinzenta / janela imunológica — coleta muito precoce ou interferência técnica.Repetir em 14–21 dias. Investigar interferentes (fator reumatoide, gravidez, outras infecções).
⚗️ Índice de Avidez de IgG
O índice de avidez mede a força de ligação da IgG ao antígeno. Anticorpos produzidos no início da infecção têm baixa avidez; com o amadurecimento da resposta imune, a avidez aumenta progressivamente.
<30%
Baixa Avidez
Infecção primária recente (<3–4 meses). Importante em gestantes (risco fetal).
30–60%
Avidez Intermediária
Infecção em fase intermediária ou indeterminada. Repetir em 3 semanas.
>60%
Alta Avidez
Infecção >4 meses ou imunidade estabelecida. Exclui infecção primária recente.
🦠 Sorologias Infecciosas
ExameMarcadoresInterpretação / Alertas
Anti-HIV 1 e 2 (4ª geração)Não reagente⚠ NOTIFICAÇÃO Detecta anticorpos anti-HIV 1/2 + antígeno p24. Janela imunológica: ~18 dias (4ª geração). Reagente: confirmar com Western Blot ou NAAT (carga viral). Notificação compulsória imediata.
Toxoplasmose IgM / IgGIgM: não reagente
IgG: varia (pode ser reagente em imunes)
IgM+/IgG-: infecção aguda. IgM+/IgG+: avaliar avidez de IgG (baixa = <3-4m). IgM-/IgG+: imune. Crítico em gestantes e imunossuprimidos. Avidez >60%: exclui infecção primária recente.
CMV IgM / IgGIgM: não reagente
IgG: pode ser reagente
IgM+ em gestante: avaliar avidez. Reativação: IgM+ + IgG+ (comum). Doença por CMV em imunossuprimidos: diagnóstico por carga viral (PCR CMV), não sorologia.
Rubéola IgM / IgGIgM: não reagente
IgG: >10 UI/mL (imune)
IgM+: infecção aguda ou pós-vacinal recente. IgG >10: imunidade protetora. Rastreamento obrigatório no pré-natal. Vacinação contraindicada na gestação.
Herpes Simples (HSV) 1 e 2 IgGIgG: varia (prevalência alta na pop.)IgG+ HSV-1: muito comum (oral). IgG+ HSV-2: genital — maioria assintomática. IgM de baixa especificidade — evitar para diagnóstico agudo (preferir PCR lesão).
Hepatite A — Anti-HAV Total / IgMAnti-HAV Total: reagente (imune/vacinado)
Anti-HAV IgM: não reagente
Anti-HAV IgM+: hepatite A aguda — notificação compulsória. Anti-HAV Total+ / IgM-: imunidade (vacinação ou infecção passada). Anti-HAV Total-: suscetível → vacinar.
Hepatite B — PainelVer tabela de padrões abaixo⚠ NOTIFICAÇÃO HBsAg+: infectado (agudo ou crônico). Anti-HBs >10 mUI/mL: imune. Anti-HBc IgM+: fase aguda. Anti-HBc Total+ / HBsAg-: infecção passada/resolvida ou janela.
Hepatite C — Anti-HCVNão reagente⚠ NOTIFICAÇÃO Anti-HCV+: confirmar com PCR HCV RNA (carga viral). Sorologia positiva não diferencia infecção ativa de curada. Janela imunológica: 8–12 semanas.
Sífilis — VDRL / RPRNão reagenteTeste não treponêmico — confirmar com FTA-Abs ou TPHA se reagente. VDRL permanece positivo por meses após tratamento (queda de 4× em 6 meses = cura). VDRL negativo não exclui sífilis recente (janela). Notificação compulsória.
Sífilis — FTA-Abs / TPHA / CMIANão reagenteTeste treponêmico — confirmatório e permanece reagente para toda a vida mesmo após tratamento. Não usar para acompanhamento de cura (usar VDRL/RPR).
Dengue — NS1 / IgM / IgGTodos: não reagentesNS1: positivo do 1º ao 5º dia de febre (antígeno viral). IgM: positivo a partir do 5º–6º dia. IgG: positivo indica infecção anterior (risco de dengue grave em novo sorotipo). PCR: padrão-ouro nos primeiros 5 dias. Notificação compulsória.
Chagas — IgG (2 métodos)Não reagente (em ambos os métodos)Diagnóstico exige 2 testes de princípios diferentes (ELISA + RIFI ou ELISA + HAI). Discordância: terceiro teste confirmatório. Crianças <9 meses: sorologia inválida (IgG materna). Notificação compulsória.
Leishmaniose visceral — rK39 ELISANão reagenteAlta sensibilidade (>95%) para calazar. Confirmar com mielograma (parasitológico) em casos duvidosos. Reação cruzada possível com Chagas e outras leishmanioses. Notificação compulsória.
HTLV I e IINão reagenteTriagem obrigatória em doadores de sangue. Confirmação por Western Blot. HTLV-1: associado a leucemia/linfoma de células T do adulto (ATLL) e paraparesia espástica tropical (HAM/TSP). Notificação compulsória.
EBV — Anti-VCA IgM/IgG, Anti-EBNAAnti-VCA IgM: não reagente
Anti-VCA IgG: pode ser reagente
Anti-EBNA: reagente em imunes
VCA IgM+: mononucleose infecciosa aguda. EBNA-: infecção primária recente. EBNA+: infecção passada. Heterófilo (Paul-Bunnell): positivo em >80% dos adultos com mono. Monitorar em imunossuprimidos (risco de linfoma EBV+).
🟡 Painel Hepatite B — Interpretação Combinada
HBsAgAnti-HBsAnti-HBc TotalAnti-HBc IgMInterpretação
Suscetível — nunca infectado, sem vacinação. Vacinar.
>10 mUI/mLImune por vacinação — anti-HBs isolado = resposta vacinal.
±+Infecção resolvida — imune por infecção natural. Anti-HBs pode desaparecer com o tempo.
+++⚠ Hepatite B Aguda — infecção recente. Notificar. Monitorar HBeAg, DNA HBV, enzimas hepáticas.
++⚠ Hepatite B Crônica — HBsAg+ por >6 meses. Dosar HBeAg, Anti-HBe, DNA HBV, ALT. Notificar.
++Janela imunológica — infecção recente entre desaparecimento de HBsAg e surgimento de Anti-HBs. Repetir em 3–4 semanas.
🛡️ Autoanticorpos & Doenças Autoimunes
ExameReferênciaAssociação Clínica
FAN (ANA — Fator Antinuclear)Não reagente ou <1:80≥1:80: investigar doenças autoimunes sistêmicas. Alta sensibilidade para LES (95–99%), mas baixa especificidade. Padrão (homogêneo, pontilhado, nucleolar) orienta o diagnóstico. 5–15% da pop. normal pode ter FAN positivo em baixos títulos.
Anti-DNA dupla hélice (Anti-dsDNA)Não reagenteAlta especificidade para LES (95%). Títulos correlacionam com atividade da doença e nefrite lúpica. Monitorar durante seguimento de LES.
Anti-SmNão reagenteMuito específico para LES (99%), mas pouco sensível (25–30%). Positivo confirma LES. Associado a maior risco de nefrite.
Anti-SSA (Ro) / Anti-SSB (La)Não reagenteSíndrome de Sjögren (anti-SSA+SSB juntos). Anti-SSA isolado: LES, bloqueio cardíaco congênito neonatal. Rastrear em gestantes com LES/Sjögren.
Anti-Scl-70 (Anti-topoisomerase I)Não reagenteEsclerodermia sistêmica difusa. Associado a fibrose pulmonar e pior prognóstico. Altamente específico.
Anti-centrômeroNão reagenteEsclerodermia limitada (CREST síndrome). Associado a hipertensão pulmonar. Melhor prognóstico que anti-Scl-70.
FR (Fator Reumatoide)<20 UI/mLArtrite Reumatoide (70–80% de sensibilidade). Inespecífico — elevado em hepatites, Sjögren, crioglobulinemia, idosos. Usar junto com Anti-CCP para diagnóstico.
Anti-CCP (Anti-peptídeo citrulinado)<20 U/mLAlta especificidade para AR (95–98%). Pode ser positivo anos antes dos sintomas. Associado a doença erosiva agressiva. Preferir ao FR isolado.
ANCA (c-ANCA / p-ANCA)Não reagentec-ANCA (anti-PR3): Granulomatose de Wegener. p-ANCA (anti-MPO): poliangiite microscópica, Churg-Strauss, glomerulonefrite necrotizante. Confirmar com ELISA específico (anti-PR3, anti-MPO).
Anti-fosfolípide (APL) — Anticardiolipina IgG/IgMIgG: <20 GPL-U/mL | IgM: <20 MPL-U/mLSíndrome Antifosfolipídica (SAF): trombose + perda fetal + APL persistente (2 dosagens com >12 semanas de intervalo). Associado a LES. Interferência no TTPa (prolongado).
Anti-Mi-2 / Anti-Jo-1 / Anti-MDA5 (Miosite)Não reagenteDermatomiosite/Polimiosite. Anti-Jo-1: síndrome antissintetase (fibrose pulmonar + artrite + mãos de mecânico). Anti-MDA5: dermatomiosite amiopática + pneumonia intersticial grave. Painel de miosite em painéis específicos.
Anti-Tireoperoxidase (Anti-TPO)<35 UI/mLTireoidite de Hashimoto, doença de Graves. Rastreamento em gestantes com hipotireoidismo. Titulação não correlaciona com gravidade.
🔬 Complemento & Imunoglobulinas Séricas
ExameReferênciaInterpretação Clínica
C390–180 mg/dLReduzido em: LES ativo (especialmente nefrite), glomerulonefrite membranoproliferativa (GNMP), endocardite, crioglobulinemia, HAE (angioedema). Proteína de fase aguda — pode estar normal ou elevado em infecção/inflamação mesmo com consumo.
C416–47 mg/dLMais sensível que C3 para atividade lúpica. Muito reduzido em: LES, deficiência congênita de C4, angioedema hereditário (HAE tipo I/II — C4 consumido cronicamente).
CH50 (Complemento Hemolítico Total)150–250 U/mLAvalia integridade da via clássica (C1–C9). <10% do normal: deficiência de componente terminal (C5–C9) — risco de infecções por Neisseria. Útil para triagem de imunodeficiências do complemento.
IgG sérica700–1.600 mg/dLReduzida: imunodeficiência comum variável (IDCV), mieloma (por supressão). Elevada: infecção crônica, cirrose, doenças autoimunes, gamopatia monoclonal (MM, Waldenström).
IgA sérica70–400 mg/dLDeficiência seletiva de IgA: mais comum imunodeficiência primária (1:500). Elevada: doença celíaca (IgA anti-tTG), cirrose, infecções mucosas crônicas. Dosar antes de anti-tTG (deficiência de IgA causa falso-negativo).
IgM sérica40–230 mg/dLMuito elevada isoladamente: macroglobulinemia de Waldenström. Elevada + hepatopatia: cirrose biliar primária. Reduzida: imunodeficiência, uso de rituximabe. IgM >3 g/dL: risco de hiperviscosidade.
IgE total<100 UI/mL (adultos)Elevada em: atopia (asma, rinite, dermatite atópica), parasitoses, síndrome de Hiper-IgE (Job). IgE específica (RAST): diagnóstico de alergia mediada por IgE. IgE normal não exclui alergia.
📋 Conceitos Essenciais
Janela Imunológica

Período entre a infecção e o aparecimento de anticorpos detectáveis. Durante a janela, o resultado sorológico é negativo mesmo com infecção ativa.

Exemplos: HIV 4ª geração: ~18 dias | HCV: 8–12 semanas | Sífilis: 3–6 semanas | HBV: 6–8 semanas.

Janela imunológica não é janela virológica — o agente já pode ser detectado por PCR antes dos anticorpos.

🔁
Reação Cruzada

Anticorpos produzidos contra um antígeno reagem com antígenos similares de outros agentes. Causa falsos-positivos em sorologias.

Exemplos: VDRL falso-positivo em LES, gestação, malária | Anti-HCV falso-positivo em hipergamaglobulinemia | FAN positivo em infecções virais.

Sempre confirmar resultados positivos com métodos confirmatórios de maior especificidade.

📊
Sensibilidade vs Especificidade

Alta sensibilidade (triagem): detecta todos os positivos, mas gera mais falsos-positivos. Usado para rastreamento — "não deixar escapar" (HIV, HCV).

Alta especificidade (confirmação): confirma os positivos com maior certeza. Western Blot, FTA-Abs, RIFI — usados para confirmar triagem positiva.

Estratégia: triagem sensível → confirmação específica.

⚠️
Notificação Compulsória — Sorologias

No Brasil, os seguintes resultados positivos exigem notificação compulsória imediata ao SINAN:

HIV · Hepatite B (HBsAg+) · Hepatite C (Anti-HCV+) · Sífilis adquirida/gestacional/congênita · HTLV · Hepatite A aguda · Dengue · Leishmaniose · Doença de Chagas aguda.

Laboratório é co-responsável pela notificação junto ao médico solicitante.

Setor 06 · Hemostasia
Coagulação & Fibrinólise
Provas de coagulação, interpretação combinada TP/TTPa e notas críticas de bancada
Provas de Coagulação
ParâmetroReferênciaContexto Clínico
TP / TAP10–14 sVia extrínseca + comum (VII, II, V, X, fibrinogênio). Prolongado: vit. K, hepatopatia, varfarina, CIVD
INR0,8–1,2Alvo terapêutico: 2,0–3,0 (maioria) | 2,5–3,5 (prótese valvar)
CRÍTICO INR >5,0: risco de sangramento espontâneo
TTPa25–35 sVia intrínseca (XII, XI, IX, VIII) + comum. Prolongado + TP normal: hemofilia A/B, anticoagulante lúpico
Fibrinogênio200–400 mg/dLCRÍTICO <100 Risco de sangramento | <50 Transfusão de crioprecipitado indicada
Dímero-D<500 ng/mLAlta sensibilidade, baixa especificidade. Negativo exclui TVP/TEP com alto VPN
Antitrombina III80–120%Diminuída: trombofilia hereditária, CIVD, hepatopatia, heparina
Interpretação Combinada TP / TTPa
PadrãoTPTTPaPlaquetasProvável Causa
NormalNormalNormalNormalSem alteração hemostática significativa
Defic. Vitamina K / Varfarina↑↑Normal/↑NormalVarfarina, má absorção, colestase, antibióticos prolongados
Hepatopatia parenquimatosaNormal/↓Cirrose, hepatite fulminante, insuficiência hepática
CIVD↓↓Sepse, trauma, neoplasia, complicação obstétrica
Hemofilia A / BNormal↑↑NormalTeste de mistura corrige → deficiência de fator
Anticoagulante LúpicoNormal↑↑NormalTeste de mistura NÃO corrige → inibidor. Associado a trombose
Heparina não fracionadaNormal/↑↑↑↑NormalTTPa dose-dependente. Reverter com protamina
Doença de von WillebrandNormal↑ (variável)NormalDosar FVIII, vWF:Ag, vWF:RCo para confirmação
Notas Críticas de Bancada
🧪
Coleta e Processamento

Tubo com citrato de sódio 3,2% (tampa azul claro), proporção 9:1 (sangue:citrato). Volume inadequado invalida o resultado.

Centrifugar a 2.500–3.000 rpm por 10–15 min em até 1h da coleta para obter PPP (plasma pobre em plaquetas).

⏱️
Tempo até Análise

Processar em até 2 horas da coleta. Se não for possível, congelar o plasma a -20°C (estável por até 2 semanas).

O fator V é lábil em temperatura ambiente; amostras tardias subestimam sua atividade.

🔍
Teste de Mistura (Mixing Test)

TTPa prolongado sem causa aparente → misturar com pool de plasma normal 1:1.

Corrige: deficiência de fator (hemofilia)
Não corrige: inibidor presente (anticoagulante lúpico ou anti-fator)

📊
Dímero-D: Interpretação

Resultado negativo (<500 ng/mL): alto VPN para exclusão de TVP/TEP em baixa-média probabilidade clínica.

Resultado positivo: inespecífico. Requer confirmação por imagem (eco-Doppler, angiotomografia).

Alertas · Comunicação Imediata
Valores Críticos
Laboratoriais
Situações de risco imediato que exigem comunicação ao médico responsável — Diretrizes 2025–2026
🔴
Protocolo de Comunicação
Todo valor crítico deve ser comunicado pessoalmente ou por telefone ao médico ou enfermagem responsável, com registro do nome do receptor, horário e assinatura do bioquímico/biomédico responsável.
Hematologia
HEMOGLOBINA
< 7,0 g/dL
Anemia grave com potencial necessidade de suporte transfusional
PLAQUETAS
< 50.000/μL
Risco de sangramento significativo
PLAQUETAS CRÍTICO
< 20.000/μL
Alerta crítico de hemorragia — intervenção imediata
BLASTOS
Presença
Sugere Leucemia Aguda ou SMD — confirmar em lâmina
PROMIELÓCITOS
Presença
LMA-M3 → alto risco de CIVD
LEUCÓCITOS
<4.000 ou >30.000/μL
Investigar leucopenia ou leucocitose com diferencial
Bioquímica & Gasometria
CREATININA
> 4,0 mg/dL
Insuficiência renal grave — avaliar TFG urgente
TRIGLICÉRIDES
> 500 mg/dL
Risco de pancreatite aguda
ALT / TGP
> 3× LSN
Lesão hepatocelular significativa
pO₂
< 60 mmHg
Hipoxemia grave
SatO₂
< 90%
Hipoxemia significativa — necessidade de intervenção
pH
< 6,90 ou > 7,70
Acidemia ou alcalemia grave — risco de vida
Hemostasia
INR
> 5,0
Alerta crítico — risco de sangramento espontâneo. Revisar anticoagulação
TTPa
> 2× controle (~70–80 s)
Investigar hemofilia, inibidor, heparinização excessiva
FIBRINOGÊNIO
< 100 mg/dL
Risco crítico de sangramento — CIVD, hepatopatia grave
FIBRINOGÊNIO CRÍTICO
< 50 mg/dL
Hemorragia maciça iminente — crioprecipitado indicado
🔴 PADRÃO CIVD
TP↑ + TTPa↑ + Plaq↓ + Fibrinogênio↓ + D-Dímero↑↑
Coagulação Intravascular Disseminada — emergência hematológica. Notificação imediata.
Avaliação · Quiz Rápido
Teste Seus Conhecimentos
10 questões baseadas nas diretrizes 2025–2026.
Quiz — Valores de Referência
Selecione a alternativa correta em cada questão.
1/10
0/10
Acertos
Setor 07 · Emergência & UTI
Exames de Emergência
Marcadores críticos para plantão, pronto-socorro e UTI — valores de referência e alertas de comunicação imediata.
❤️ Marcadores Cardíacos
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Troponina I (hsTnI) H: <34 ng/L
M: <16 ng/L
(método de alta sensibilidade)
⚠ CRÍTICO Elevação acima do percentil 99 = injúria miocárdica. IAM tipo 1 exige curva (0h/1h/2h). Elevação isolada pode ocorrer em TEP, miocardite, sepse, IRC.
CK-MB (massa) <5,0 ng/mL (massa)
<6% da CK total (atividade)
Complementar à troponina. Pico em 12–24h, normaliza em 48–72h. Útil para detectar reinfarto precoce (segundo pico). Menos específica que troponina.
BNP <100 pg/mL ⚠ CRÍTICO 100–400: zona cinzenta. >400: IC descompensada provável. Elevado também em TEP, cor pulmonale, FA, IRC.
NT-proBNP <125 pg/mL (<75 anos)
<450 pg/mL (≥75 anos)
⚠ CRÍTICO >900 pg/mL: alta probabilidade de IC aguda. Meia-vida mais longa que BNP — útil para monitorização. Ajustar por faixa etária.
🔬 Perfusão Tecidual & Sepse
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Lactato Arterial <2,0 mmol/L ⚠ CRÍTICO 2–4 mmol/L: hipoperfusão — avaliar contexto. >4 mmol/L: choque — mortalidade elevada. Clearance de lactato >10% em 2h é meta terapêutica em sepse (Surviving Sepsis 2021).
Lactato Venoso <2,2 mmol/L Alternativa quando acesso arterial não disponível. Valores ~0,5 mmol/L maiores que o arterial. Útil para triagem rápida no pronto-socorro.
Procalcitonina (PCT) <0,1 ng/mL ⚠ CRÍTICO 0,1–0,5: baixo risco bacteriano. 0,5–2,0: possível infecção bacteriana. >2,0: alta probabilidade de sepse bacteriana. >10: sepse grave / choque séptico. Útil para guiar antibioticoterapia e alta hospitalar.
PCR Quantitativa <5,0 mg/L
(ou <1,0 mg/L de alta sensibilidade)
Inespecífica. 5–50: inflamação moderada. >50: infecção bacteriana, vasculite, IAM. >200: infecção grave / sepse. Pico em 48h — menos ágil que PCT para monitorização aguda.
⚡ Eletrólitos Críticos
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Sódio (Na⁺) 135–145 mEq/L ⚠ CRÍTICO <120: hiponatremia grave — risco de edema cerebral, convulsão. >160: hipernatremia grave — risco de hemorragia cerebral. Correção lenta: máx. 10–12 mEq/L/dia (hiponatremia crônica).
Potássio (K⁺) 3,5–5,0 mEq/L ⚠ CRÍTICO <3,0: hipocalemia grave — arritmias, paralisia. <2,5: risco de PCR. >6,0: hipercalemia grave — alterações no ECG, risco de FV. >7,0: emergência — ECG obrigatório.
Cloro (Cl⁻) 98–108 mEq/L Hipercloremia: acidose metabólica hiperclorêmica (AG normal). Hipocloremia: alcalose metabólica (vômitos, SNG, diuréticos). Interprete sempre junto ao Na⁺ e bicarbonato.
Cálcio Ionizado (Ca²⁺) 1,15–1,35 mmol/L
(4,6–5,4 mg/dL)
⚠ CRÍTICO <0,9: hipocalcemia grave — tetania, laringoespasmo, convulsão. >1,6: hipercalcemia grave — crise hipercalcêmica, ECG alterado. Preferir ionizado ao total em pacientes graves (hipoalbuminemia frequente).
Magnésio (Mg²⁺) 1,7–2,2 mg/dL
(0,7–0,9 mmol/L)
<1,2: hipomagnesemia grave — arritmias refratárias, convulsão, piora de hipocalemia/hipocalcemia. >4,0: hipermagnesemia — depressão neuromuscular. Critico em eclâmpsia e pré-eclâmpsia.
Fósforo (P) 2,5–4,5 mg/dL <1,0: hipofosfatemia grave — síndrome de realimentação, desmame ventilatório difícil, hemólise. >7,0: hiperfosfatemia grave — IRC, hipoparatireoidismo. Calcificar: Ca × P >55 → calcificação tecidual.
🧬 Lesão Tecidual & Enzimas
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Amilase <100 U/L >3× LSN: pancreatite aguda provável. Pico em 2–12h, normaliza em 3–5 dias. Menos específica que lipase — também elevada em parotidite, perfuração intestinal, IRC. Elevação isolada sem dor abdominal: baixa especificidade.
Lipase <60 U/L ⚠ CRÍTICO >3× LSN: pancreatite aguda — melhor marcador, maior sensibilidade e especificidade que amilase. Permanece elevada por 7–14 dias. Uso preferencial na emergência.
LDH (Lactato Desidrogenase) 135–225 U/L Marcador inespecífico de lesão celular. Elevado em: hemólise, IAM, TEP, hepatite, linfoma, neoplasias, meningite. Útil para monitorar hemólise (CIVD, PTT, anemia hemolítica). Diferenciação por isoenzimas (LDH1 > LDH2 = cardíaco).
Mioglobina H: <90 ng/mL
M: <65 ng/mL
⚠ CRÍTICO >1.000: rabdomiólise confirmada — risco de IRA mioglobinúrica. Aparece no sangue 1–3h após lesão muscular, pico em 6–12h. Urina escura (mioglobinúria) = sinal de alerta. Hidratação agressiva + monitorar diurese.
🔍 Outros Marcadores de Emergência
ExameReferênciaInterpretação Clínica
Beta-HCG (β-hCG) Não gestante: <5 mUI/mL
Gestante: varia por semana
⚠ EMERGÊNCIA Qualquer valor positivo em mulher com dor abdominal aguda: investigar gravidez ectópica (emergência cirúrgica). <1.500 mUI/mL com ausência de saco gestacional à USG: altamente sugestivo de ectópica.
Etanol Sérico 0,0 mg/dL (normal) 50–100 mg/dL: intoxicação leve. 100–200: intoxicação moderada — ataxia, disartria. 200–400: intoxicação grave — confusão, depressão respiratória. >400: risco de morte. Limite legal no Brasil (motoristas): 30 mg/dL. Converter: mg/dL ÷ 10 = ‰ (g/L).
Reticulócitos 0,5–2,0%
(25.000–100.000/μL)
Elevados: resposta medular adequada — hemólise, sangramento, reposição de Fe/B12. Baixos com anemia: falência medular, aplasia, IRC, deficiência nutricional sem resposta. IRF (fração de reticulócitos imaturos): >0,4 = alta atividade eritropoiética.
🔴 Resumo — Valores Críticos de Emergência
TROPONINA
> Percentil 99
Injúria miocárdica — curva obrigatória (0h/1h/2h)
BNP
> 400 pg/mL
IC descompensada provável — intervenção urgente
LACTATO
> 4,0 mmol/L
Choque — mortalidade elevada, bundle de sepse
PROCALCITONINA
> 10 ng/mL
Sepse grave / choque séptico
POTÁSSIO
> 6,0 ou < 3,0 mEq/L
Risco de arritmia grave — ECG imediato
SÓDIO
< 120 ou > 160 mEq/L
Hipo/hipernatremia grave — risco neurológico
CÁLCIO IONIZADO
< 0,9 ou > 1,6 mmol/L
Tetania ou crise hipercalcêmica
LIPASE
> 3× LSN (~180 U/L)
Pancreatite aguda — internação e suporte
MIOGLOBINA
> 1.000 ng/mL
Rabdomiólise — risco de IRA. Hidratação urgente
β-HCG POSITIVO
> 5 mUI/mL (não gestante)
Investigar gravidez ectópica em dor abdominal aguda
📋 Protocolos Rápidos
❤️
Protocolo IAM — Curva de Troponina

0h: Coleta na chegada. Se hsTn ≥ 5× LSN + clínica = IAM provável → não aguardar 1h.

1h: Delta absoluto >5 ng/L (hsTnI) = RULE IN. Delta <5 + valor <12 ng/L = RULE OUT (algoritmo ESC 2023).

3h: Alternativa se 1h não disponível. Delta >52% ou valor absoluto alto.

Sempre correlacionar com ECG, clínica e fatores de risco cardiovascular.

🦠
Bundle de Sepse — Hora 1 (SSC 2021)

1. Medir lactato — se >2 mmol/L, repetir em 2h para clearance.

2. Hemoculturas (2 pares) antes dos antibióticos.

3. Antibióticos de amplo espectro.

4. Cristaloide 30 mL/kg se hipotensão ou lactato >4.

5. Vasopressores se PAM <65 mmHg após reposição.

Hipercalemia — Conduta por Nível

K⁺ 5,5–6,0: Dieta hipopotassêmica, resinas, kayexalate. Monitorar.

K⁺ 6,0–6,5: ECG obrigatório. Se alterado: glicoinsulina + β2 agonista + furosemida.

K⁺ >6,5 ou ECG alterado: Gluconato de Ca²⁺ IV (estabilização), glicoinsulina, bicarbonato (se acidose), diálise se refratário.

💧
Rabdomiólise — Protocolo

Suspeitar quando: CK muito elevada (geralmente >1.000 U/L), urina escura, mioglobina >1.000 ng/mL.

Meta: Diurese ≥200–300 mL/h até urina clara.

Hidratação: SF 0,9% ou Ringer Lactato 1–1,5 L/h inicial.

Monitorar: Creatinina, K⁺, Ca²⁺, bicarbonato, balanço hídrico e ECG a cada 4–6h.

Setor · Oncologia & Genética
Marcadores Tumorais
& Genética Preventiva
Valores de referência, indicações, limitações e rastreamento genético — INCA 2023 · ASCO · NCCN 2024
⚠️
Uso Correto dos Marcadores Tumorais
Marcadores tumorais NÃO devem ser usados isoladamente para diagnóstico de câncer. São ferramentas de monitorização de resposta ao tratamento, detecção de recidiva e rastreamento em grupos de risco específicos. Resultados elevados exigem confirmação histopatológica.
🎗️ Marcadores Gastrointestinais
MarcadorReferênciaIndicação PrincipalInterpretação & Limitações
CEA (Antígeno Carcinoembrionário)<3,0 ng/mL (não fumante)
<5,0 ng/mL (fumante)
Monitorização de CCR, câncer de pulmão, mama, pâncreas, estômagoNÃO usar para diagnóstico. Principal uso: monitorar resposta ao tratamento do CCR e detectar recidiva pós-cirúrgica. Elevado em tabagismo, doença inflamatória intestinal, cirrose.
CA 19-9<37 U/mLMonitorização de câncer de pâncreas e vias biliaresSensibilidade 70–80% no câncer pancreático. FALSO-NEGATIVO em Lewis negativo (~10% da população). Elevado em colestase, pancreatite, cirrose, colangite. Usar junto com imagem (TC/RM).
CA 72-4<6,9 U/mLCâncer gástrico (adenocarcinoma)Monitorização e prognóstico do câncer gástrico. Complementar ao CEA. Menos interferência por benignidades que o CA 19-9.
AFP (Alfafetoproteína)<7,0 ng/mL (adultos)Hepatocarcinoma (CHC), tumores de células germinativas (testículo, ovário)>400 ng/mL em paciente cirrótico com nódulo: diagnóstico de CHC altamente provável. Na gestação: elevação fisiológica. Elevado em hepatites virais ativas, cirrose. Monitorar a cada 6 meses em cirróticos.
CA 50<17 U/mLPâncreas, cólon, fígadoMenos específico que CA 19-9. Alternativo em pacientes Lewis negativos. Uso restrito em poucos laboratórios.
🎗️ Marcadores Ginecológicos
MarcadorReferênciaIndicação PrincipalInterpretação & Limitações
CA 125<35 U/mLMonitorização de câncer de ovário epitelialSensibilidade 80% no câncer de ovário avançado, apenas 50% no estágio I. Elevado em endometriose, miomatose, doença inflamatória pélvica, gestação, hepatite. NÃO usar como rastreamento populacional. Útil no seguimento pós-tratamento.
HE4 (Proteína Epididimal Humana 4)Pré-menopausa: <70 pmol/L
Pós-menopausa: <140 pmol/L
Diagnóstico diferencial de massas ovarianas + CA 125 (algoritmo ROMA)Mais específico que CA 125 isolado. Não elevado em endometriose. Algoritmo ROMA (CA 125 + HE4 + menopausa) tem VPP >90% para malignidade.
CA 15-3<30 U/mLMonitorização de câncer de mama metastáticoNÃO usar para diagnóstico ou rastreamento. Útil para monitorar resposta ao tratamento na doença metastática. Elevado em hepatite, cirrose, doenças benignas da mama.
CA 27-29<38 U/mLAlternativo ao CA 15-3 no câncer de mamaSemelhante ao CA 15-3. Alguns protocolos preferem CA 27-29 por maior sensibilidade na doença precoce.
β-hCG (quantitativo)Não gestante: <5 mUI/mLTumor trofoblástico gestacional (TTG), coriocarcinoma, tumor misto de células germinativasMarcador de TTG com alta sensibilidade. Monitorar semanalmente após tratamento (deve negativar). Elevação em homens: tumor testicular de células germinativas misto.
SCC (Antígeno do Carcinoma de Células Escamosas)<1,5 ng/mLCâncer de colo uterino, vulva, vagina, pulmão escamoso, cabeça e pescoçoCorrelaciona com tamanho tumoral e estadiamento no câncer cervical. Útil para monitorar recidiva. Elevado em psoríase, insuficiência renal, hepatopatia.
🎗️ Marcadores Prostáticos & Urológicos
MarcadorReferênciaInterpretação
PSA Total<2,5 ng/mL (40–49a)
<3,5 ng/mL (50–59a)
<4,0 ng/mL (60–69a)
<6,0 ng/mL (>70a)
Rastreamento de câncer de próstata (anual a partir de 45–50a, ou 40a em alto risco). PSA entre 4–10: "zona cinzenta" — solicitar PSA livre. >10: alto risco de malignidade.
PSA Livre / PSA Total (%)>25%: baixo risco
15–25%: intermediário
<15%: alto risco
%PSA livre <15% na zona cinzenta (4–10 ng/mL) → alta suspeita de adenocarcinoma → biópsia. HBP (hiperplasia): %PSA livre geralmente alto (>25%).
Velocidade do PSA<0,75 ng/mL/anoAumento >0,75 ng/mL/ano = elevação suspeita independente do valor absoluto. Requer 2–3 medições ao longo de 1,5–2 anos no mesmo método.
Densidade do PSA<0,15 ng/mL/cm³PSA / volume prostático (USG transretal). >0,15: indicação de biópsia mesmo com PSA na zona cinzenta.
NSE (Enolase Neurônio-Específica)<12,5 ng/mLCâncer de pulmão de pequenas células (CPPC), neuroblastoma, tumores neuroendócrinos. Monitorar resposta ao tratamento e detectar recidiva do CPPC.
Cromogranina A (CgA)<100 ng/mL (varia por método)Tumores neuroendócrinos (TNE) — carcinoide, feocromocitoma, APUD. Marcador de volume tumoral. Elevado em uso de IBP (falso-positivo). Dosar com paciente sem IBP por 2 semanas.
🎗️ Marcadores Hematológicos & Outros
MarcadorReferênciaIndicação & Interpretação
Beta-2 Microglobulina (β2M)<2,4 mg/LMieloma múltiplo (estadiamento ISS), linfoma não-Hodgkin, leucemia linfocítica crônica. ISS: β2M <3,5 + albumina ≥3,5 = estadio I. Elevada também em IRC e infecções.
LDH (prognóstico oncológico)<225 U/LMarcador de carga tumoral e prognóstico em linfomas, leucemias, melanoma, tumores de células germinativas. LDH elevada = doença avançada/agressiva. Não específica para neoplasia.
Proteína de Bence-Jones (urina)AusenteMieloma múltiplo (cadeias leves livres monoclonais na urina). Detectada por eletroforese de proteínas urinárias ou imunofixação. Nefrotóxica — "rim do mieloma".
Cadeias Leves Livres (FLC kappa/lambda)Kappa: 3,3–19,4 mg/L
Lambda: 5,7–26,3 mg/L
Razão κ/λ: 0,26–1,65
Diagnóstico e monitorização de mieloma múltiplo, amiloidose AL, MGUS. Razão κ/λ anormal: suspeita de gammopatia monoclonal. Mais sensível que proteína de Bence-Jones.
Cyfra 21-1<3,3 ng/mLCâncer de pulmão não de pequenas células (NSCLC) — especialmente escamocelular. Prognóstico e monitorização. Elevado em IRF e hepatopatia.
CA 242<20 U/mLPâncreas e cólon. Complementar ao CA 19-9 com melhor especificidade. Menos afetado por icterícia benigna.
TPA (Antígeno Polipeptídico Tissular)<130 U/LMarcador de proliferação celular. Útil em câncer de bexiga, mama e ovário. Pouco específico — elevado em doenças inflamatórias agudas.
💡
Módulos Separados Disponíveis
Genética Preventiva e Testes Moleculares & Biomarcadores foram movidos para módulos independentes com casos práticos de medicina preventiva. Acesse pelo menu lateral ou pela tela inicial.
📋 Guia Rápido — Qual Marcador Pedir?
🫀
Suspeita de câncer de pâncreas

1ª linha: CA 19-9 + CEA + AFP (excluir hepatocarcinoma)

Imagem: TC abdome com contraste + ecoendoscopia

Atenção: CA 19-9 pode ser falso-negativo em Lewis negativo. Se negativo, não excluir neoplasia.

🔵
Massa ovariana — benigna ou maligna?

Algoritmo ROMA: CA 125 + HE4 + status menopausal

ROMA >13,1% (pré-menopausa) ou >29,9% (pós-menopausa): alto risco → encaminhar para oncologia ginecológica

Endometriose: CA 125 pode estar elevado sem malignidade

🟡
Monitorização de câncer de cólon (CCR)

CEA pré-operatório: valor basal. Se elevado e não normaliza após ressecção = doença residual

Seguimento: CEA a cada 3 meses por 2 anos, depois semestral até 5 anos

CEA em ascensão: solicitar TC tórax/abdome/pelve para investigar metástase

🧬
Quando solicitar teste genético?

Critérios de alto risco: ≥3 casos de mesmo câncer na família | câncer em <50a | câncer bilateral | dois tumores primários no mesmo indivíduo | câncer em órgão incomum para o sexo

Encaminhar para: serviço de aconselhamento genético com geneticista clínico

Exame: painel multigênico de herança por NGS (sequenciamento de próxima geração)

Setor 10 · Medicina Preventiva
🧬 Genética Preventiva
Rastreamento de Síndromes Hereditárias
Painel de genes associados a cânceres hereditários, critérios de indicação, vigilância e casos práticos de impacto na medicina preventiva. Referências: NCCN 2024 · INCA · SBOC · ASCO.
ℹ️
Aconselhamento Genético Obrigatório
Todo teste genético para síndrome hereditária deve ser acompanhado de aconselhamento pré e pós-teste por profissional habilitado. Um resultado positivo indica risco aumentado — não diagnóstico de câncer — e orienta vigilância intensificada e medidas preventivas.
🧬 Painel de Genes e Síndromes Hereditárias
Gene / SíndromeCânceres AssociadosRisco EstimadoIndicação & Vigilância
BRCA1 / BRCA2
Mama-Ovário Hereditária
Mama, Ovário, Pâncreas, Próstata (BRCA2)Mama: 70–87% (BRCA1)
Ovário: 44–46%
Pâncreas: 2–7%
Indicado em: câncer mama <50a, bilateral, triplo-negativo, histórico familiar ≥2 casos. RM mama anual a partir de 25a. Ooforectomia preventiva após 35–40a.
MLH1, MSH2, MSH6, PMS2, EPCAM
Síndrome de Lynch
Cólon, Endométrio, Ovário, Estômago, UrotélioCCR: 40–80%
Endométrio: 40–60%
Ovário: 10–15%
CCR <50a, MSI-H no tumor, histórico familiar. Colonoscopia 1–2a a partir de 20–25a. Endoscopia alta anual se risco gástrico.
APC
Polipose Adenomatosa Familiar
Cólon (quase 100%), Duodeno, Estômago, TireoideCCR: ~100% sem tratamentoColonoscopia anual a partir de 10–15a. Colectomia profilática. Gastroduodenoscopia a cada 1–3a.
PALB2, CHEK2, ATM, RAD51C/D
Genes de risco moderado
Mama, OvárioMama: 20–50% (gene-dependente)RM mamária anual + mamografia. Individualizar por histórico familiar. Aconselhamento genético essencial.
VHL
Von Hippel-Lindau
Carcinoma renal células claras, Hemangioblastomas SNC/retina, FeocromocitomaCCR renal: 70%
Feocromocitoma: 10–20%
RM abdome + SNC anuais. Fundoscopia anual. Metanefrinas urinárias anuais.
RET
NEM-2 (Neoplasia Endócrina Múltipla)
Carcinoma Medular de Tireoide, Feocromocitoma, HiperparatireoidismoCMT: 95–100%
Feocromocitoma: 50%
Tireoidectomia profilática na infância (timing depende do éxon mutado). Calcitonina + CEA anuais.
STK11
Peutz-Jeghers
GI (cólon, estômago, ID), Mama, Ovário, Pâncreas, PulmãoRisco global: 85%Colonoscopia + endoscopia alta a cada 2–3a. Cápsula endoscópica. RM mama anual a partir de 25a.
CDKN2A (p16)
Melanoma Familial
Melanoma, Câncer de PâncreasMelanoma: 60–90%
Pâncreas: 15–20%
Dermoscopia anual. Fotoproteção rigorosa. RM/ecoendoscopia pancreática anual a partir de 40a.
TP53
Li-Fraumeni
Sarcoma, Mama, Adrenal, Leucemia, SNC (pan-tumoral)Câncer: >90% na vidaRM corpo inteiro anual. Evitar radioterapia (risco de câncer radioinduzido).
PTEN
Síndrome de Cowden
Mama, Tireoide, Endométrio, CCRMama: 85%
Tireoide: 35%
Endométrio: 28%
RM mamária anual a partir de 30–35a. USG + função tireoidiana anuais. Colonoscopia a cada 5a.
HOXB13
Próstata Hereditária
Próstata (forma agressiva precoce)Risco aumentado 3–5×PSA anual a partir de 40a. Biópsia com PSA em valores mais baixos do que na população geral.
🏥 Casos Práticos — Medicina Preventiva em Ação
Histórias reais que ilustram o impacto transformador dos testes genéticos antes do desenvolvimento do câncer
🧬
CASO 01 · BRCA1 · Mama/OvárioAna, 32 anos — Ooforectomia preventiva salva vida

Mãe e tia com câncer de mama e ovário. Teste genético identificou variante patogênica no BRCA1. Realizou mastectomia e ooforectomia profiláticas aos 35a. Aos 42a, duas primas que não fizeram o teste foram diagnosticadas com câncer de ovário avançado. Ana segue em acompanhamento — sem doença oncológica.

🔬
CASO 02 · Lynch (MLH1) · CólonCarlos, 28 anos — Pólipo retirado antes de virar câncer

Pai com CCR aos 44a, avô com câncer de endométrio. Painel Lynch positivo para MLH1. Colonoscopia de vigilância anual identificou 2 adenomas de alto grau aos 30a — ressecados endoscopicamente. Sem evolução para câncer. Colonoscopia seguida anualmente conforme protocolo NCCN.

👶
CASO 03 · RET · NEM-2ASofia, 4 anos — Tireoidectomia evita carcinoma medular

Pai com carcinoma medular de tireoide por variante no éxon 634 do RET. Teste neonatal positivo em Sofia. Tireoidectomia profilática realizada aos 3a de idade. Anatomopatológico mostrou ninhos microscópicos de células C hiperplásicas — doença pré-maligna. Sofia está curada e sem necessidade de radioterapia.

🏥
CASO 04 · PAF (APC) · CólonPedro, 14 anos — Colectomia profilática

Avô com colectomia por pólipos adenomatosos múltiplos. Teste em Pedro identificou variante no gene APC. Colonoscopia revelou >200 adenomas. Colectomia total realizada aos 16a — antes de qualquer transformação maligna. Sem câncer após 12 anos de seguimento. Irmão que recusou o teste foi diagnosticado com CCR aos 24a.

🫁
CASO 05 · VHL · RenalLucas, 26 anos — Tumor renal detectado em 1,2 cm

Tio submeteu-se à nefrectomia total por CCR renal bilateral. Diagnóstico de VHL na família. Lucas testado positivo. RM abdominal anual identificou nódulo renal de 1,2 cm aos 28a — tratado com crioablação percutânea, preservando o rim. Função renal normal. Continua em vigilância ativa com RM anual.

🌞
CASO 06 · CDKN2A · Melanoma + PâncreasMariana, 38 anos — Dupla prevenção

Pai com melanoma e avô com adenocarcinoma de pâncreas. Teste identificou variante em CDKN2A. Dermoscopia anual revelou nevo atípico removido com margens limpas — sem melanoma invasivo. Ecoendoscopia pancreática anual em acompanhamento sem alterações. Uso rigoroso de fotoproteção e vigilância dupla mantida.

🧪 Critérios para Indicação de Teste Genético
🚩
Sinais de alerta — quem testar?

• ≥3 casos do mesmo tipo de câncer na família

• Câncer diagnosticado em <50 anos

• Câncer bilateral (ex: mama bilateral)

• Dois tumores primários em um mesmo indivíduo

• Câncer em órgão incomum para o sexo (ex: mama em homem)

• Parente de 1º grau com variante patogênica conhecida

• Tumores raros: carcinoma medular de tireoide, carcinoma renal células claras jovem, sarcomas múltiplos

🔬
Tipo de exame genético

Painel multigênico por NGS: teste de escolha — analisa 20–100 genes simultaneamente. Sangue periférico ou saliva.

Sequenciamento de gene único: quando variante familiar já conhecida (mais barato).

Laudo: variante patogênica (positivo) | variante de significado incerto (VUS) | negativo

Prazo: 15–60 dias dependendo do laboratório.

📋
O que fazer após resultado positivo?

1. Aconselhamento genético com geneticista clínico

2. Iniciar protocolo de vigilância intensificada (gene-específico)

3. Oferecer teste a familiares de 1º grau (cascata familiar)

4. Discutir opções de cirurgia profilática quando indicada

5. Registro no Centro de Oncogenética de referência

Setor 11 · Medicina Preventiva & Oncologia de Precisão
🔬 Testes Moleculares
& Biomarcadores Preditivos
Biomarcadores que guiam terapia-alvo e imunoterapia com exemplos práticos de pacientes que se beneficiaram. Referências: ASCO · ESMO · FDA · ANVISA 2024.
💊
Oncologia de Precisão
Os testes moleculares identificam o "código genético do tumor" para direcionar o tratamento mais eficaz — evitando terapias desnecessárias e seus efeitos adversos. O perfil molecular é hoje obrigatório antes de qualquer decisão terapêutica em oncologia.
🧬 Biomarcadores Preditivos — Painel de Referência
Teste / BiomarcadorTumoresFinalidade & Impacto Terapêutico
MSI / dMMR
Instabilidade de Microssatélites
CCR, Endométrio, Gástrico, qualquer tumorMSI-H ou dMMR: indica imunoterapia (pembrolizumabe — aprovação pan-tumoral FDA). Rastreamento universal de Lynch em CCR.
KRAS / NRASCCR, Pulmão (NSCLC)Mutação em CCR: contraindicam anti-EGFR (cetuximabe, panitumumabe). KRAS G12C em pulmão: sotorasibe.
BRAF V600EMelanoma, CCR, Câncer de Tireoide, NSCLCMelanoma: vemurafenibe + cobimetinibe. CCR: encorafenibe + binimetinibe + cetuximabe.
EGFR (mutações de ativação)NSCLC (adenocarcinoma)Exons 19del ou L858R: osimertinibe (1ª linha). Exon 20 T790M (resistência): osimertinibe de 3ª geração.
ALK / ROS1 (fusões gênicas)NSCLC, alguns sarcomasALK: alectinibe, brigatinibe (superiores ao crizotinibe). ROS1: crizotinibe, entrectinibe.
HER2 (ERBB2)
IHQ / FISH / NGS
Mama, Gástrico, CCR, Pulmão, EndométrioHER2+: trastuzumabe ± pertuzumabe. HER2-low (IHQ 1+ ou 2+/FISH-): trastuzumabe-deruxtecan em mama.
NTRK (fusões TRK)Pan-tumoralLarotrectinibe e entrectinibe aprovados pan-tumoralmente. Taxa de resposta >75% independente da histologia.
PDL-1 (CPS / TPS)
22C3 ou SP263
NSCLC, TNBC, CCR, Bexiga, Cervical, GástricoCPS/TPS ≥1%, ≥10% ou ≥50% orienta uso de pembrolizumabe, atezolizumabe, nivolumabe (depende do contexto).
TMB (Carga Mutacional Tumoral)Pan-tumoral (NGS)TMB ≥10 mut/Mb: prediz resposta a pembrolizumabe. Aprovação FDA pan-tumoral para tumores sólidos refratários.
PIK3CAMama HR+/HER2-Mutação em exon 9 ou 20: alpelisibe (inibidor PI3Kα) + fulvestrante. Aprovação FDA/ANVISA.
FGFR2 / FGFR3Colangiocarcinoma, BexigaFusão FGFR2 em colangiocarcinoma: pemigatinibe, infigratinibe. FGFR3 mutado em bexiga: erdafitinibe.
ctDNA / Biópsia LíquidaPan-tumoral (sangue periférico)Detecta DNA tumoral circulante para monitoramento de resposta, resistência (ex: T790M no EGFR) e doença residual mínima.
🏥 Casos Práticos — Precisão Molecular que Muda Vidas
Exemplos de pacientes que se beneficiaram de testes moleculares antes ou durante o tratamento oncológico
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CASO 01 · EGFR L858R · PulmãoRoberto, 58 anos — Quimioterapia evitada

Adenocarcinoma de pulmão estágio IV. Sem história de tabagismo. Painel molecular identificou mutação EGFR L858R no exon 21. Iniciou osimertinibe oral ao invés de quimioterapia. Resposta completa em 3 meses, tomografia normalizada. Qualidade de vida preservada. Segue em tratamento 28 meses após diagnóstico.

💊
CASO 02 · MSI-H · CólonFernanda, 45 anos — Resposta completa com imunoterapia

CCR estágio IV com metástases hepáticas. Tumor MSI-H (Lynch sincrônico). Quimioterapia padrão mostrou progressão. Introdução de pembrolizumabe após identificação do MSI-H. Resposta completa às 16 semanas — metástases desapareceram. Paciente em remissão sem quimioterapia há 18 meses.

💗
CASO 03 · HER2-low · MamaCláudia, 52 anos — Nova categoria terapêutica

Câncer de mama HR+/HER2- metastático com progressão após 3 linhas. Reclassificação do HER2 por IHQ mostrou HER2 2+/FISH negativo — HER2-low. Indicação de trastuzumabe-deruxtecan. Resposta parcial significativa em 8 semanas. Benefício clínico contínuo por 14 meses — opção antes inexistente.

👦
CASO 04 · NTRK · Sarcoma raroMiguel, 7 anos — Tratamento pan-tumoral

Fibrossarcoma infantil com fusão ETV6-NTRK3. Tumor irressecável. Sem opções quimioterápicas eficazes. Painel NGS identificou fusão NTRK. Larotrectinibe oral (pan-tumoral) iniciado. Redução tumoral de 85% em 12 semanas. Cirurgia de resgate bem-sucedida. Miguel está em remissão completa há 2 anos.

🩸
CASO 05 · ctDNA · MonitoramentoBeatriz, 49 anos — Resistência detectada antes da progressão

NSCLC com EGFR 19del em tratamento com osimertinibe. ctDNA seriado detectou mutação T790M circulante 8 semanas antes de qualquer alteração clínica ou radiológica. Mudança de estratégia terapêutica antecipada. Progressão clínica evitada e sobrevida prolongada em comparação ao monitoramento por imagem convencional.

🎯
CASO 06 · PDL-1 · Pulmão Estágio IIIHumberto, 63 anos — Imunoterapia como 1ª linha

NSCLC estágio IIIB sem ressecção possível. PDL-1 TPS ≥50%. Sem mutações drivers (EGFR, ALK, ROS1). Pembrolizumabe como monoterapia de 1ª linha. Resposta completa confirmada na PET-CT com 6 meses. Remissão mantida 36 meses. Qualidade de vida preservada.

🔬
CASO 07 · PIK3CA · Mama MetastáticaVera, 61 anos — Combinação personalizada

Câncer mama HR+/HER2- metastático com progressão após letrozol + CDK4/6. NGS tumoral identificou mutação PIK3CA H1047R. Alpelisibe + fulvestrante iniciados. Redução mensurável das lesões em 12 semanas. Controle da doença por 11 meses além da expectativa com hormonioterapia convencional isolada.

🧫
CASO 08 · FGFR2 · ColangiocarcinomaJorge, 54 anos — Tumor raro com alvo molecular

Colangiocarcinoma intra-hepático irressecável. Gencitabina + cisplatina sem resposta. NGS identificou fusão FGFR2-BICC1. Pemigatinibe (inibidor FGFR) iniciado. Resposta parcial em 8 semanas — redução de 40% da lesão principal. Qualidade de vida notavelmente melhor que sob quimioterapia. Único tratamento disponível para esse perfil.

🔍 Quando Solicitar Cada Teste?
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NSCLC — adenocarcinoma de pulmão

Painel mínimo obrigatório: EGFR · ALK (FISH ou IHQ) · ROS1 · BRAF · RET · MET · NTRK · PDL-1 · TMB

Preferencialmente por NGS amplo em tecido — ou biópsia líquida quando tecido insuficiente.

Resultado deve guiar 1ª linha antes de qualquer tratamento sistêmico.

🩺
Câncer colorretal (CCR)

Painel obrigatório: KRAS · NRAS (éxons 2, 3, 4) · BRAF V600E · MSI/dMMR · HER2

MSI-H: pembrolizumabe 1ª linha estágio IV ou neoadjuvante estágio II/III.

KRAS/NRAS selvagem: anti-EGFR (cetuximabe/panitumumabe) indicado.

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Câncer de mama metastático

HR+/HER2-: PIK3CA · ESR1 (em progressão) · germinal BRCA1/2

HER2+: HER2 por IHQ+FISH para estratificação (positivo vs. low)

TNBC: PDL-1 (CPS) · BRCA1/2 · TMB · MSI-H

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Qualquer tumor — TMB e MSI

Todo tumor sólido avançado ou metastático sem alvo molecular identificado deve ter TMB e MSI avaliados.

TMB ≥10 mut/Mb ou MSI-H: elegibilidade para pembrolizumabe pan-tumoral (aprovação FDA + ANVISA 2023).

Biópsia líquida (ctDNA) útil quando tecido insuficiente ou inacessível.