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Seu Guia de Análises Clínicas
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LabPocket VET · 2025–2026
Valores de Referência
Laboratoriais Veterinários 🐾
Cães e Gatos — Baseado em Thrall & Weiser (5ª ed.), Kaneko (7ª ed.), IRIS 2023, AAHA 2023, ACVIM 2024.
Rafael Arrua da Silveira · ClinLab Academy
⚠️ Importante: Valores de referência variam entre laboratórios, equipamentos e populações. Os intervalos aqui apresentados são baseados na literatura veterinária mais atual. Sempre considere o histórico clínico do paciente e os valores de referência do seu laboratório.
Setor V8 · Citopatologia Veterinária
Citologia Clínica — Coleta,
Interpretação & Laudos
Raskin & Meyer: Canine and Feline Cytopathology, 3ª ed. 2016 · Cowell & Tyler: Diagnostic Cytology & Hematology, 4ª ed. 2014 · AAVLD 2024
⚠️ Princípio fundamental: Citopatologia é triagem e não substitui histopatologia quando há dúvida diagnóstica. A qualidade da amostra é determinante: amostras hemo-diluídas, necróticas ou com poucas células comprometem o diagnóstico. Sempre correlacionar com achados clínicos e de imagem.
🧫 Técnicas de Coleta
TécnicaIndicaçãoMaterial / ProcedimentoObservações Pré-analíticas
PAAF com Agulha FinaNódulos sólidos, linfonodos, órgãos (USG-guiada), massas superficiaisAgulha 23–25G, seringa 5–10 mL, lâminas limpas e secasSem anticoagulante. Esfregaço imediato. Fixar parte a seco (Diff-Quik) e parte a úmido (PAP/Giemsa). Enviar refrigerado, não congelado.
Técnica sem Aspiração (Non-Aspiration)Lesões vasculares, hemangiossarcoma, órgãos altamente vascularizadosAgulha 23G sem seringa, movimentos de avanço/recuoMenos hemodiluição. Ideal para baço, linfonodos suspeitos de linfoma. Esfregaço imediato.
Imprint / AposiçãoSuperfície de biópsia, úlceras, lesões cutâneasLâmina limpa aplicada diretamente sobre o tecido cortadoSecar ao ar antes de fixar. Tecido tocado suavemente. Excelente para tumores com alta esfoliação.
Swab / RaspadoÚlceras, mucosa oral, ouvido externo, conjuntivaSwab estéril de algodão ou rayon, lâminaRolar suavemente na lâmina (não esfregar). Ouvido: swab com Diff-Quik. Colher antes de higienizar a área.
Lavado Broncoalveolar (LBA)Doenças do trato respiratório inferior, pneumonia, neoplasia pulmonarBroncoscópio ou sonda, 5–20 mL SF 0,9%, seringa, tubo EDTAAnestesia geral necessária. Processar em até 1h ou manter em gelo. Citocentrífuga aumenta celularidade.
Análise de EfusãoDerrames pleurais, pericárdicos, peritoneais, articularesTubo EDTA (contagem) + tubo seco (bioquímica) + lâminas frescasCentrifugar e fazer esfregaço do sedimento se hipocelular. Processar em até 2–4h.
Aspirado de Medula ÓsseaCitopenias inexplicadas, pancitopenia, estadiamento de linfoma/leucemiaAgulha Rosenthal 16–18G, seringa com EDTA, lâminas aquecidas a 37°CLocal: crista ilíaca (cão/gato) ou úmero proximal. Volume: 0,5–1 mL (maior = diluição com sangue). Esfregaço imediato das primeiras gotas.
📊 Padrões Citológicos — Interpretação
PadrãoCaracterísticasDiagnósticos Diferenciais
Inflamatório Neutrofílico SépticoNeutrófilos degenerados (>70%), bactérias intra/extracelulares, exsudatoAbscesso, celulite bacteriana, artrite séptica, piodermite profunda, piotórax
Inflamatório Neutrofílico Não-sépticoNeutrófilos não-degenerados, sem bactérias visíveisPaniculite estéril, artrite imunomediada, corpo estranho, neoplasia com necrose
PiogranulomatosoMistura de neutrófilos, macrófagos epitelioides, células gigantes multinucleadasInfecção fúngica (Blastomyces, Coccidioides), micobactérias, corpo estranho, leishmaniose
Inflamatório EosinofílicoEosinófilos >20% das células inflamatóriasComplexo granuloma eosinofílico felino, mastocitoma, parasitismo, hipersensibilidade
Neoplasia de Células RedondasCélulas discretas, redondas, critérios de malignidade variáveisNEOPLASIA Mastocitoma, linfoma, histiocitoma, TVT, plasmocitoma — imunofenotipagem recomendada
Neoplasia Epitelial (Carcinoma)Células em grupos, polaridade perdida, atipias nucleares, nucléolos proeminentesNEOPLASIA Carcinoma mamário, adenocarcinoma, CCT vesical, carcinoma tireoidiano
Neoplasia Mesenquimal (Sarcoma)Células fusiformes, individualizadas, estroma fibrilar, critérios de malignidadeNEOPLASIA Fibrossarcoma, hemangiossarcoma, osteossarcoma — biópsia necessária para grading
💧 Classificação de Efusões
TipoProteínasNCC (/μL)AspectoInterpretação
Transudato Puro<2,5 g/dL<1.500Incolor, límpidoHipoalbuminemia, hipertensão portal, cardiopatia inicial
Transudato Modificado2,5–5,0 g/dL1.500–7.000Levemente turvo, róseoICC, linfangiectasia, neoplasia, quilotórax, pericárdico
Exsudato>3,0 g/dL>7.000Turvo, flocos de fibrinaINFECÇÃO/INFLAMAÇÃO Piotórax, PIF, ruptura biliar, pancreatite grave, peritonite séptica
QuilotóraxVariávelVariávelBranco leitoso opacoTG >110 mg/dL (efusão). Linfoma, cardiopatia, idiopático. Linfócitos maduros predominam
Hemorrágico≈sangueElevadaVermelho, não coagulaHemangiossarcoma, coagulopatia, trauma. Eritrofagocitose: confirma efusão real (não punção acidental)
⚠️ Critérios Citológicos de Malignidade
CritérioDescriçãoSignificância
Anisocitose / AnisocarioseVariação marcada no tamanho celular/nuclear (>2× entre células adjacentes)MAIOR Perda do controle do ciclo celular
MacronucleoliaNucléolo >1/3 do diâmetro nuclear ou visível em objetiva 10×MAIOR Atividade sintética intensa, RNA ribossomal elevado
Mitose AtípicaFiguras de mitose com distribuição cromossômica irregular, multipolarMAIOR Instabilidade cromossômica — forte indicador
HipercromasiaNúcleo intensamente corado, cromatina grosseira e irregularMODERADO Aumento de DNA nuclear
Relação N:C AumentadaNúcleo ocupa >50% do volume celularMODERADO Patológico em células epiteliais
Molde NuclearNúcleos que se amoldam uns aos outros por compressãoMODERADO Proliferação celular intensa
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Colorações em Citopatologia Veterinária

Diff-Quik (MGG rápido): Padrão ouro rotineiro. Lâminas secas ao ar. Excelente para grânulos de mastócitos (metacromáticos), bactérias, fungos.

Papanicolaou (PAP): Fixação a úmido. Melhor definição nuclear. Ideal para trato respiratório, urinário, derrame pleural.

Azul de Prússia: Hemossiderina (hemangiossarcoma). PAS: Glicogênio e fungos. Alcian Blue: Mucinas.

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Tumor Venéreo Transmissível (TVT)

Tumor de células redondas transmissível por contato direto. Localização: mucosa genital, nasal, oral.

Citologia: Células redondas a ovoides, núcleo excêntrico com nucléolo proeminente, citoplasma com vacúolos claros característicos (vacúolos em "colar de pérolas").

Diagnóstico citológico confiável (90%+). Terapia: vincristina IV semanal (4–8 sessões). Cura 95%.

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PIF — Diagnóstico por Citologia

Efusão abdominal/pleural exsudativa com proteínas muito elevadas e celularidade moderada.

Relação albumina:globulina (A:G) <0,4 no derrame: altamente sugestivo de PIF exsudativa.

Citologia: efusão viscosa amarelada, neutrófilos não-degenerados + macrófagos ativados + material proteináceo. PCR FCoV no derrame: confirmação.

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Mastocitoma — Grading Citológico

Neoplasia mais comum em cães. Citologia diagnóstica com alta sensibilidade quando grânulos visíveis.

Diff-Quik: grânulos metacromáticos (roxo/magenta). Tumores indiferenciados: grânulos escassos.

Grading histológico: Patnaik (I, II, III) ou Kiupel (2 graus). Ki-67 >7/HPF = alto grau. Biópsia excisional com margens livres é etapa diagnóstica e terapêutica.

Setor V9 · Histopatologia Veterinária
Biópsias — Coleta, Fixação,
Classificação & Laudos
Meuten: Tumors in Domestic Animals, 5ª ed. 2017 · WHO Classification of Tumors 2022 · AAVLD Guidelines 2024
Regra de ouro: A qualidade do diagnóstico histopatológico depende 70% da coleta e fixação, e 30% do patologista. Amostras mal fixadas, esmagadas ou enviadas sem formulário clínico comprometem gravemente o resultado.
🧫 Técnicas de Biópsia
TécnicaIndicaçãoVantagens / LimitaçõesTamanho Mínimo
Punch / Trépano CutâneoLesões cutâneas (3–8 mm), dermatopatias difusasRápido, ambulatorial, boa representação das camadas6–8 mm. Incluir junção lesão/pele normal
Biópsia IncisionalMassas grandes (>3 cm), pré-operatório de planejamento cirúrgicoDiagnóstico antes de cirurgia definitiva. Limitação: não terapêutica1×1 cm mínimo. Incluir transição lesão/tecido normal
Biópsia ExcisionalLesões <2 cm, linfonodos, massas removíveis com margens adequadasDiagnóstica e terapêutica. Margens avaliadas. Padrão ouro para tumores pequenosMargens de 2–3 cm laterais e 1 camada profunda mínimo
Core-Biopsy (Tru-Cut)Fígado, rins, massas intra-abdominais, ossos, próstata. USG-guiadaMínima invasividade, diagnóstico histológico. Risco hemorrágico14–18G, mínimo 2 fragmentos de 1–2 cm
Biópsia EndoscópicaTGI, bexiga urinária, traqueia/brônquiosAcesso direto à mucosa sem laparotomia. Fragmentos pequenos e superficiaisMúltiplos fragmentos (≥6). Pode não alcançar submucosa
Biópsia Óssea (Jamshidi)Lesões ósseas líticas/proliferativas (osteossarcoma)Diagnóstica em neoplasias ósseas. Descalcificação necessária (EDTA 5–7 dias)11–13G, mínimo 2 cm de comprimento
🧪 Fixação e Processamento
FixadorUsoProporção / TempoLimitações
Formol Tamponado 10% (Formalina)PADRÃO OURO para histopatologia rotineira. Todos os tecidos10:1 (vol. fixador:tecido). 24–48h mínimoATENÇÃO NÃO usar para culturas, imunofenotipagem (flow) ou PCR (fragmenta DNA)
Solução de BouinTestículo, ovário, embrião. Excelente preservação nuclear24–48h. Lavar em álcool 70% apósÁcido pícrico: resíduo especial. Não usar para IHQ
Glutaraldeído 2,5%Microscopia eletrônica (ME de transmissão)Fragmentos 1 mm³. Tampão PBS pH 7,2Fragmentos mínimos. Processamento especializado
Fresco / CongeladoPCR, culturas, imunofenotipagem (linfoma), enzimasNitrogênio líquido ou gelo secoATENÇÃO NÃO fixar em formol se for para análise molecular. Comunicar ao laboratório
📋 Componentes Essenciais do Laudo Histopatológico
ComponenteO que deve conterImportância Clínica
Diagnóstico HistológicoNomenclatura tumoral (OMS/WHO), subtipo histológico, grauESSENCIAL Base para prognóstico e tratamento
Avaliação de MargensLivres (>2 mm), comprometidas, sujas (<1 mm), não avaliáveisESSENCIAL Orienta re-excisão ou radioterapia
Índice MitóticoNº de mitoses em 10 HPF (400×). Ex: 3/10 HPFPrognóstico. Mastocitoma (Kiupel), osteossarcoma, fibrossarcoma
Invasão Vascular/LinfáticaPresente ou ausente. Embolização linfovascularAumenta risco de metástase. Orienta estadiamento TNM
Grau HistológicoSistema específico por tumor (I/II/III ou baixo/alto grau)Principal determinante de prognóstico e conduta oncológica
IHQ IndicadaCD3, CD79a (linfoma), Vimentina (sarcoma), citoqueratina (carcinoma), Ki-67Diferenciação quando morfologia insuficiente
🎯 Graduação Histológica — Principais Tumores Veterinários
TumorSistema de GradingCritériosPrognóstico
Mastocitoma (Cão)Kiupel 2011 (2 graus) ou Patnaik (3 graus)Kiupel: ≥7 mitoses/10 HPF, multinucleados, bizarros, hipercromáticos = alto grauAlto grau: MST <4 meses s/tto. Baixo grau: excisão curatória em 90%
Osteossarcoma Canino3 graus (I, II, III)Grau III: alto índice mitótico, necrose >25%Grau II/III: 90% dos casos. MST s/tto: 1–4 meses. C/ amputação + QT: 10–12 meses
Carcinoma Mamário (Cadela)WHO / Goldschmidt 2011. Grau I–IIIDiferenciação tubular, pleomorfismo nuclear, índice mitóticoGrau III + invasão linfovascular: sobrevida <12 meses. Grau I: >2 anos
Linfoma CaninoWHO para tumores hematopoéticos (2022)Alto grau (linfoblástico/difuso grandes células). Imunofenotipagem: B vs. TLinfoma B + CHOP: MST 12–14 meses. Linfoma T: pior prognóstico
Sarcoma Tecidos Moles (STS)Baixo, intermediário, alto grauDiferenciação, índice mitótico, necrose tumoralAlto grau + margens comprometidas: recidiva <6 meses. Metástase pulmonar: 20–30%
Tumor Mamário (Gata)WHO / Zappulli 201985% malignos em gatas. Carcinoma simples vs. complexoAlto grau: MST <6 meses. Mastectomia radical precoce: melhor prognóstico
⚠️
Erros Comuns na Coleta para Histopatologia

1. Fixação insuficiente: Tecido grosso (>1 cm) sem cortes → centro em autólise.

2. Esmagamento com bisturi: Impossibilita avaliação celular.

3. Volume de formol insuficiente: Proporção mínima 10:1 (formol:tecido).

4. Sem informações clínicas: Laudo sem localização, histórico e suspeita clínica comprometem diagnóstico.

5. Fragmento de necrose: Coletar da margem ativa da lesão, não do centro necrótico.

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IHQ — Imuno-histoquímica Veterinária

CD3: Linfócitos T. CD79a / PAX5: Linfócitos B. Diferencia linfoma B de T (prognóstico diferente).

Citoqueratina (CK): Carcinomas. Vimentina: Sarcomas. Ki-67: Índice proliferativo (>20%: alto grau).

c-Kit (CD117): Mastocitoma. Mutação exon 11: indica toceranib (Palladia).

HER-2 / ER / PR: Neoplasia mamária — orientam prognóstico e possível terapia hormonal.

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Estadiamento Oncológico TNM Veterinário

T (Tumor): T0 sem tumor | T1 <3 cm | T2 3–5 cm | T3 >5 cm | T4 invasão adjacente

N (Linfonodos): N0 sem acometimento | N1 ipsilateral | N2 contralateral | N3 fixo

M (Metástase): M0 sem metástase | M1 com metástase a distância

Estadiamento exige Rx torácico, USG abdominal e citologia de linfonodo regional.

Setor V10 · Doenças Infectocontagiosas
Testes Diagnósticos — Cão & Gato
ABCD (Advisory Board on Cat Diseases) 2024 · WSAVA Vaccination Guidelines 2022 · ACVIM Infectious Disease 2024 · SBMvet 2023
Interpretação de sorologias: IgM elevada = infecção aguda/recente. IgG elevada isolada = exposição prévia ou vacinação. Soroconversão (4× aumento de IgG) entre amostras pareadas (14–21 dias) = infecção ativa confirmada. Sempre correlacionar com sinais clínicos e epidemiologia.
🐕 Doenças Infecciosas — Cão
Doença / AgenteTeste DiagnósticoMaterial / Momento IdealInterpretação
Ehrlichiose (E. canis)ELISA 4Dx/SNAP (anticorpos) + PCR sangue (fase aguda) + Mórulas no LM (raro)EDTA — PCR: fase febril aguda. Sorologia: 2–3 sem pós-infecçãoNOTIFICAÇÃO Ag positivo: infecção ativa. PCR confirma fase aguda. Trombocitopenia + hiperglobulinemia: alta suspeita
Leishmaniose Visceral (L. infantum)ELISA/RIFI (anticorpos) + PCR MO/sangue/pele + IF direta + teste rápido DPPSoro (ELISA/RIFI), aspirado de MO, linfonodo ou baço (PCR), sangue EDTANOTIFICAÇÃO ZOONOSE DPP reagente = notificar. RIFI ≥1:80: positivo. PCR MO: padrão ouro
Babesiose (B. canis/vogeli)Esfregaço sangue (merozoítos) + PCR + ELISA anticorposEDTA fase febril. Esfregaço de extremidades de orelhasMerozoítos em pares intra-eritrocitários: diagnóstico presuntivo. Anemia hemolítica + plaquetopenia + febre
Anaplasmose (A. platys)PCR EDTA + SNAP 4Dx + mórulas plaquetárias no LMEDTA, esfregaço plaquetário. Pico de parasitemia cada 10–14 diasTrombocitopenia cíclica. Co-infecção com E. canis comum
Cinomose (CDV)PCR swab nasal/ocular/LCR + IHQ tecidos + RT-PCR urinaSwab conjuntival/nasal (fase aguda), urina, LCR (fase neurológica)RT-PCR: padrão ouro. Corpúsculos de Lentz: inclusões intra. Linfopenia + doença multissistêmica
Parvovirose (CPV-2)Antígeno fecal ELISA rápido (SNAP Parvo) + PCR fezesFezes frescas (SNAP), swab retal. Fase: 3–12 dias pós-infecçãoSNAP positivo: altamente específico. Leucopenia + enterite hemorrágica + vômito em filhotes
Leptospirose (Leptospira spp.)MAT (padrão ouro) + PCR urina/sangue (fase aguda) + IgM ELISA (triagem)Soro (MAT): 2 amostras 14 dias. PCR urina: fase leptospirúrica. Sangue EDTA: fase bacterêmicaZOONOSE MAT ≥1:400 (não vacinado) + clínica: diagnóstico provável. Azotemia + hepatopatia: clínica típica
Hepatozoonose (H. canis)Esfregaço sangue (gamontes em neutrófilos) + PCR + biópsia muscularEDTA. Gamontes visíveis no esfregaçoNeutrofilia extrema, hiperproteinemia, miosite. Transmissão oral por Rh. sanguineus
Brucelose (B. canis)RSAT (Rose Bengal) triagem + 2-ME + ELISA + hemoculturaSoro. Hemocultura: fase febril. Sêmen/vaginal: em reproduçãoZOONOSE RSAT positivo: confirmar com 2-ME/ELISA. Epididimite, orquite, aborto, discoespondilite
Raiva (RABV)IFD e IHQ tecido nervoso (cerebelo/hipocampo) — POST-MORTEMTecido nervoso fresco. Refrigerado (não congelado) ao lab. de referênciaNOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA — ZOONOSE FATAL IFD: padrão ouro. Diagnóstico apenas post-mortem. Suspeita: isolar o animal 10 dias
🐈 Doenças Infecciosas — Gato
Doença / AgenteTeste DiagnósticoMaterial / Momento IdealInterpretação
FIV (Vírus Imunodeficiência Felina)ELISA anticorpos (SNAP FIV/FeLV) + Western Blot (confirmação) + PCR pró-viralSoro/sangue total. Filhotes <6 meses: anticorpos maternos = falso-positivo. Repetir aos 6 mesesATENÇÃO SNAP+: confirmar com WB ou PCR. Gatos vacinados FIV: ELISA+ (anticorpos vacinais). PCR diferencia. Linfopenia + CD4↓
FeLV (Vírus Leucemia Felina)ELISA antígeno p27 (SNAP) + IFD leucócitos/plaquetas + PCRSangue total (SNAP), esfregaço (IFD). SNAP: detecta Ag livre no plasmaSNAP Ag+: confirmar com IFD ou PCR após 30 dias. IFD+: infecção progressiva. FeLV causa anemia, linfoma, imunossupressão
PIF (Peritonite Infecciosa Felina)PCR FCoV no derrame/lavado + IHQ tecidos + relação A:G <0,4 no derrameDerrame (PCR, citologia, bioquímica), tecidos (IHQ)A:G <0,4 + efusão proteica + clínica + PCR positivo: altamente provável. IHQ em macrófagos: confirmatório
Herpesvírus Felino (FHV-1)PCR swab conjuntival/nasal + cultura viralSwab conjuntival seco. Fase aguda com sinais respiratórios ativosPCR+: infecção ativa (reativação possível em estresse). Conjuntivite + rinite + úlcera corneal dendrítica
Criptococose (C. neoformans)Antígeno capsular Látex em soro/LCR + cultura (Sabouraud) + tinta nanquimSoro (antígeno), LCR/lavado nasal (citologia + cultura)Látex Ag+: altamente específico. Títulagem >1:8: ativo. Tinta nanquim: cápsula de mucopolissacarídeos. Gatos FIV+ em risco
Toxoplasmose (T. gondii)ELISA/IFAT IgM e IgG + PCR (LCR, humor aquoso) + oocistos nas fezesSoro (IFAT). LCR (neurológico). Fezes (fase excretora: 1–2 semanas)ZOONOSE IgM+ ou soroconversão IgG: infecção ativa. Uveíte, pneumonia, encefalite em imunossuprimidos
Mycoplasma haemofelisPCR sangue (EDTA) — PADRÃO OURO + esfregaço (parasitas nos eritrócitos)EDTA. Fase aguda. Esfregaço: parasitas na periferia dos eritrócitos (pequenos pontos basófilos)PCR+: confirmação. Anemia hemolítica grave + letargia + icterícia. FIV+ em risco. Doxiciclina 10 mg/kg/dia × 28 dias
Panleucopenia Felina (FPV)Antígeno fecal (SNAP Parvo — detecta FPV) + PCR fezes + hemogramaFezes, swab retal. Hemograma: leucopenia intensaLeucopenia (<2.000/μL) + enterite hemorrágica + vômito. Vacinação recente: SNAP falso-positivo. Alta mortalidade filhotes
⚡ Testes Rápidos In-House (Point-of-Care)
TesteDetectaSensibilidade / EspecificidadeObservações
SNAP 4Dx Plus (IDEXX)Ac. E. canis, A. phag., Lyme, Ag D. immitisSen: 96–99% / Esp: 99%Cão. Sangue total/soro. Resultado 8 min. Detecta após 2–3 sem. de infecção
SNAP FIV/FeLV Combo (IDEXX)Ac. FIV + Ag FeLV p27FIV: 96,5% / FeLV: 94,2%Gato. Filhotes <6 m: confirmar FIV+. Vacinados FIV: falso-positivo
SNAP Parvo (IDEXX)Ag CPV-2 / FPV nas fezesSen: 81–95% / Esp: 99%Cão e gato. Vacinação recente (7–15 dias): falso-positivo
DPP Leishmania (BioManguinhos)Ac. anti-L. infantumSen: 86,9% / Esp: 97,1%NOTIFICAÇÃO Teste oficial PNCD/MAPA. Positivo = notificação e confirmação no LACEN
Látex CriptococoAg capsular C. neoformans/gattiiSen: 95–100% / Esp: 97–100%Soro, LCR, urina. Titulagem: >1:8 = doença ativa. Monitorar tratamento
🦟
Erliquiose — Padrão Laboratorial Clássico

Fase aguda (1–3 semanas): Trombocitopenia + leucopenia transitória + anemia normocítica + ALT/FA ↑ leve.

Fase crônica subclínica: Trombocitopenia persistente + hiperglobulinemia + relação A:G invertida.

Fase crônica grave: Pancitopenia + hipoplasia medular + síndrome hemorrágica.

Tratamento: doxiciclina 10 mg/kg/dia × 28 dias mínimo.

🦟
Leishmaniose — Protocolo Diagnóstico no Brasil

Triagem: DPP Leishmania (teste rápido oficial MAPA). Reagente → notificação compulsória.

Confirmação: ELISA-MAPA ou IFI ≥1:80 no LACEN.

Molecular: PCR de MO, linfonodo ou pele (maior sensibilidade).

Hiperglobulinemia + hipoalbuminemia + A:G <1 + linfadenomegalia + trombocitopenia = suspeita forte.

🐕🐈
Zoonoses — Resumo de Notificação Compulsória

Notificação SINAN: Leishmaniose visceral canina, Raiva, Leptospirose, Brucelose.

Comunicar ao proprietário (risco humano): Toxoplasmose (gestantes), Leptospirose, Brucelose, Esporotricose felina (alta transmissibilidade — epidemia no Brasil por S. brasiliensis).

Esporotricose: PCR/cultura de exsudato de feridas. Itraconazol para o gato e para o humano.

🧫
Cultura e Antibiograma em Veterinária

Indicações: ITU recorrente, piotórax, artrite séptica, pneumonia bacteriana, abscesso.

Material preferido: Cistocentese (ITU), LBA (pneumonia), líquido articular, pus interno.

Breakpoints: CLSI VET01/VET04 — tabelas específicas cão/gato. Não usar breakpoints humanos diretamente.

Transporte: meio Stuart ou envio imediato <2h. Não refrigerar pus anaeróbio.

Setor V11 · Biologia Molecular Veterinária
PCR, qPCR, NGS, Sequenciamento
& Biomarcadores Moleculares
ACVIM Molecular Diagnostics 2024 · OIE Manual of Diagnostic Tests 2023 · Raskin & Meyer 2016
Princípio: Técnicas moleculares detectam material genético (DNA/RNA) de agentes infecciosos, alterações somáticas tumorais ou variantes genéticas hereditárias com alta sensibilidade e especificidade. Contaminação cruzada e inibidores de PCR são as principais causas de erros.
🔬 Tipos de PCR em Veterinária
TécnicaPrincípioAplicações VeterináriasVantagens / Limitações
PCR ConvencionalAmplificação de segmento específico de DNA. Resultado qualitativo (positivo/negativo)Detecção de agentes infecciosos (Ehrlichia, FIV, FCoV), doenças hereditárias (MDR1, hemofilia)Baixo custo, rápido. Não quantifica, risco de contaminação
RT-PCR (Transcriptase Reversa)Converte RNA → cDNA, depois amplifica. Detecta vírus RNA e expressão gênicaCDV (cinomose), FIV, FeLV, calicivírus, coronavírus (FCoV)Detecta vírus ativos. RNA instável — amostras com RNAlater ou congeladas imediatamente
qPCR (Tempo Real)Amplificação + fluorescência simultânea. Resultado: Ct value → carga do agenteCarga viral FIV/FeLV, carga de L. infantum, resistência antimicrobiana, monitoramento terapêuticoPADRÃO OURO Alta sensibilidade, quantifica. Ct <35: positivo. Cada 3,3 Ct = 10× mais cópias
PCR MultiplexMúltiplos primers em uma reação — detecta vários agentes simultaneamentePainel respiratório (CDV + adenovírus + Bordetella + Mycoplasma), painel GICusto-benefício em triagem. Sensibilidade pode ser menor que PCR individual
LAMP (Isothermal)Amplificação isotérmica (temperatura constante). Sem termocicladorDiagnóstico de campo para parvovirose, CDV, Babesia. Clínicas sem infraestrutura laboratorialRapidez (30–60 min), baixo custo de equipamento. Não quantifica
🧪 Coleta para Exames Moleculares — Pré-analítica Crítica
MaterialTubo / RecipienteVolume MínimoTransporte / Estabilidade
Sangue (DNA genômico / DNA viral)EDTA K2 — Tampa Lilás1–2 mLRefrigerado (2–8°C) até 72h. Congelado (–20°C) longo prazo. NÃO usar heparina (inibidor de PCR)
Sangue (RNA viral — FIV, FeLV, CDV)EDTA + RNAlater ou tubo PAXgene RNA1–3 mLCRÍTICO Processar em <2h ou adicionar RNAlater. RNA degrada rapidamente. Gelo seco se >24h
Swab Nasal / Oral / ConjuntivalSwab flocked em meio de transporte viral (MTV)1–2 swabs ativosRefrigerado 2–8°C até 48h. Não algodão comum para RNA
FezesFrasco estéril seco ou criovial1–2gRefrigerado até 48h. Congelado para PCR. NÃO usar formalina (destrói DNA). Colher antes de tratar
Tecido Fresco (biópsia/necropsia)RNAlater ou N₂ líquido50–100 mgATENÇÃO NÃO fixar em formol se for para PCR. Formol fragmenta DNA/RNA. Enviar em gelo seco
Tecido FFPE (formol/parafina)Bloco de parafina ou lâminas não coradas (8–10 µm)3–5 lâminas 10 µmTemperatura ambiente. DNA fragmentado — NGS com kits específicos. IHQ e FISH possíveis
Urina (PCR Leptospira)Frasco estéril, cistocentese2–5 mLProcessar em <1h (pH ácido degrada DNA de Leptospira). Fase leptospirúrica: >7 dias pós-infecção
🦠 Painéis Moleculares por Síndrome
SíndromeEspécieAgentes no PainelMaterial de Escolha
Síndrome RespiratóriaCãoCDV, CAV-2, CRCoV, Bordetella bronchiseptica, Mycoplasma cynos, Parainfluenza-2LBA ou swab nasal + traqueal. Fase aguda
Síndrome RespiratóriaGatoFHV-1, FCV, Chlamydophila felis, Bordetella bronchiseptica, Mycoplasma felisSwab conjuntival + nasal. MTV. Fase aguda
Síndrome GastrointestinalCãoCPV-2, CDV, coronavírus entérico, Giardia, Cryptosporidium, Salmonella, CampylobacterFezes frescas (1–2g). Antes de tratar
Síndrome GastrointestinalGatoFPV, FCoV/FIPV, Tritrichomonas foetus, Giardia, CryptosporidiumFezes frescas. Tritrichomonas: fezes diarreicas em MTV direto
Síndrome NeurológicaCão / GatoCDV (cão), FIP/FCoV (gato), Toxoplasma gondii, Neospora caninum, Cryptococcus, RaivaLCR (PCR), tecido nervoso (IHQ), soro (sorologia)
FUO (Febre de Origem Indeterminada)CãoEhrlichia canis, Anaplasma platys, Leishmania, Babesia, Leptospira, Bartonella, RickettsiaEDTA (PCR), soro (sorologia), urina (Leptospira PCR)
🧬 Biologia Molecular Oncológica Veterinária
Marcador MolecularTumorTécnicaSignificado Clínico
c-Kit (exon 8, 11)Mastocitoma caninoPCR + sequenciamento (Sanger)TERAPIA ALVO Mutação: indica resposta ao toceranib (Palladia) ou masitinib. Wild-type: menor resposta a TKIs
CLONALIDADE (PCR PARR)Linfoma / Leucemia (cão e gato)PCR Antigen Receptor RearrangementClonal B (IgH): linfoma B. Clonal T (TCRb): linfoma T. Diferencia de linfadenite reativa (policlonal). Sens. ~80%
BRAF V595ECarcinoma urotelial canino (CCT vesical)PCR urina / ddPCRPositivo em ~80% dos CCT caninos. Detecção não-invasiva em urina. Potencial alvo terapêutico
HER-2 (ERBB2)Carcinoma mamário (cadela e gata)IHQ (0–3+) + FISH (amplificação)HER-2 3+ ou amplificação FISH: potencial alvo terapêutico. Prognóstico desfavorável
MDR1 / ABCB1-1ΔFarmacogenética (não tumoral)PCR alelo-específicoFARMACOGENÉTICA Collie, Shetland, Pastor Australiano: toxicidade a ivermectina, vincristina, doxorrubicina. Testar antes de QT
NGS (Next-Generation Sequencing)Múltiplos tumores veterináriosPainéis oncológicos (100–500 genes)SNVs, CNVs, fusões gênicas. Oncologia veterinária de precisão. Alto custo. Centros de referência
🧬 Testes Genéticos Hereditários — Cão & Gato
DoençaRaças AfetadasGene / MutaçãoHerança / Conduta
MDR1 / ABCB1-1ΔCollie, Shetland, Pastor Australiano, Border CollieABCB1 — deleção 4 pb exon 4AR. Mut/Mut: toxicidade grave a ivermectina >6 mcg/kg, loperamida, vincristina. Testar raças antes de QT
Mielopatia Degenerativa (SOD1)Pastor Alemão, Boxer, Corgi, HuskySOD1 — E40K (exon 2)AR. Homozigoto: mielopatia progressiva (paraplegia). Sem cura. Fisioterapia
PRA (Atrofia Progressiva Retina)Labrador, Golden, Spaniels, PoodlePRCD, PDE6B, RPGR (raça-específico)AR ou ligado ao X. Cegueira progressiva noturna → total. Triagem obrigatória para reprodução
Doença de Von Willebrand (vWD)Doberman (Tipo I), Scottish Terrier (Tipo III)VWF — múltiplas mutaçõesAD (Tipo I). Testar reprodutores. Confirmar: antígeno vWF <70%. Epistaxe, hematomas
HCM Felina HereditáriaMaine Coon (MYBPC3 A31P), Ragdoll (R820W)MYBPC3 — mutações raça-específicasAD. Homozigoto: forma grave precoce. Triagem: ecoCG anual + teste genético em reprodutores
Poliquistos Renais Felinos (PKD)Persa e derivados (Exotic, Himalaia, British)PKD1 — C10063AAD. Uma cópia basta para doença. DRC progressiva. Triagem reprodutores obrigatória
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Interpretando o Valor de Ct no qPCR

O Ct (Cycle Threshold) é o ciclo em que a fluorescência atinge o limiar. Ct baixo = mais cópias do agente.

Ct <30: Carga alta — infecção ativa com replicação intensa.

Ct 30–35: Carga moderada — infecção ativa ou em resolução.

Ct 35–40: Carga baixa — portador assintomático, infecção em resolução ou limiar analítico. Correlacionar com clínica.

Ct >40 ou "Não detectado": Negativo. Cada 3,3 ciclos = 10× menos cópias.

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Armadilhas Diagnósticas em Biologia Molecular

Falso-positivo: Contaminação cruzada; vacinação recente (CDV modificado → PCR+); portadores assintomáticos com carga baixa.

Falso-negativo: Coleta fora da janela diagnóstica; inibidores de PCR (heparina, bilirrubina alta, hemólise); RNA degradado.

Regra: Sempre interpretar em conjunto com clínica, epidemiologia e outros exames. PCR não substitui avaliação clínica.

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One Health — Integração Molecular Vet/Humana

Biologia molecular veterinária contribui diretamente para saúde pública: vigilância de MRSA/MRSP com transmissão humano-animal, resistência antimicrobiana em zoonoses.

Oncologia comparativa: Cão como modelo para humano. TKIs veterinários (toceranib ~ sunitinibe humano). Imunoterapia veterinária em pesquisa.

Metagenômica: SARS-CoV-2 em animais de companhia, vigilância genômica da raiva, resistência em esgoto.

Setor V1 · Hematologia Veterinária
Eritrograma, Leucograma
& Plaquetas — Cão & Gato
Thrall & Weiser: Hematologia e Bioquímica Clínica Veterinária, 5ª ed. 2015 · AAHA Canine Life Stage Guidelines 2023
Eritrograma — Cão (Canis lupus familiaris)
Adultos · Thrall & Weiser 2015 · Kaneko 2008
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação Clínica
Eritrócitos (RBC)5,5 – 8,5 × 10⁶/μLReduzidos → anemia; elevados → policitemia ou desidratação
Hemoglobina (Hb)12,0 – 18,0 g/dL⚠ CRÍTICO <7,0 g/dL → anemia grave, avaliar transfusão
Hematócrito (Ht/PCV)37 – 55% <15%: grave | >65%: hemoconcentração/policitemia
VCM60 – 77 fL<60 fL: microcítica (defic. ferro) | >80 fL: macrocítica
HCM19,5 – 24,5 pgReduzida: anemia ferropriva ou inflamatória crônica
CHCM32 – 36 g/dLElevada: esferocitose, hemólise
Reticulócitos0 – 1,5% (0–60.000/μL)>1,5%: resposta regenerativa à anemia (positivo)
Plaquetas200.000 – 500.000/μL <50.000: risco de sangramento | <20.000: CRÍTICO
Leucograma — Cão
ParâmetroRelativoAbsoluto (/μL)Interpretação
Leucócitos Totais6.000 – 17.000CRÍTICO <3.000: leucopenia grave | >30.000: investigar sepse/neoplasia
Neutrófilos Segmentados60 – 77%3.000 – 11.500Neutrofilia: infecção bacteriana, estresse, corticóide (leucograma de estresse)
Neutrófilos Bastonetes0 – 3%0 – 300>300/μL: desvio à esquerda — infecção grave, sepse
Blastos / Precursores0%0🔴 ALERTA Leucemia aguda — confirmar esfregaço e biópsia de medula
Linfócitos12 – 30%1.000 – 4.800Linfocitose: ehrlichiose, viral | >5.000: considerar LLC
Monócitos3 – 10%150 – 1.350Monocitose: infecção crônica, piogranuloma, neoplasia
Eosinófilos2 – 10%100 – 1.250Eosinofilia: parasitismo, hipersensibilidade, síndrome eosinofílica
BasófilosRaros (0–1%)0 – 100Raros em cães. Hipersensibilidade, parasitismo
🐕
Leucograma de Estresse (Cão)

Padrão comum em cães: neutrofilia matura, linfopenia, eosinopenia e monocitose. Causado por liberação endógena de glicocorticóides (estresse, dor, doença).

Não indica infecção ativa. Deve ser diferenciado de neutrofilia por infecção através do quadro clínico e proteína C-reativa.

🔴
Trombocitopenia em Cães

Causas principais: Erliquiose (Ehrlichia canis), Babesiose, Leishmaniose, PTI imunomediada, CIVD, linfoma.

Alerta: Plaquetas <50.000/μL → risco de sangramento espontâneo. <20.000/μL → comunicação imediata ao médico veterinário.

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Anemia em Cães — Classificação

Regenerativa (reticulócitos >1,5%): Hemólise imunomediada (AHAI), hemorragia aguda, babesiose.

Não regenerativa (reticulócitos <1%): Anemia da doença crônica, insuficiência renal (↓eritropoetina), aplasia medular, neoplasia.

Eritrograma — Gato (Felis catus)
Adultos · Thrall & Weiser 2015 · Kaneko 2008
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação Clínica
Eritrócitos (RBC)5,0 – 10,0 × 10⁶/μLReduzidos: anemia. Importante: gatos toleram mal anemia aguda
Hemoglobina (Hb)8,0 – 15,0 g/dL⚠ CRÍTICO <6,0 g/dL → anemia grave, avaliar transfusão urgente
Hematócrito (Ht/PCV)24 – 45% <12%: crise → transfusão | >50%: policitemia
VCM39 – 55 fLGatos têm hemácias menores que cães. Macrocitose: FIV/FeLV
HCM12,5 – 17,5 pgReduzida: anemia ferropriva (rara em gatos adultos)
CHCM31 – 35 g/dLHipocromia: deficiência de ferro (gatos jovens com ectoparasitas)
ReticulócitosAgregados: <0,4% | Pontilhados: <10%Gatos: 2 tipos. Pontilhados persistem semanas. Agregados: resposta ativa
Plaquetas200.000 – 800.000/μL <50.000: sangramento | Atenção: macroplaquetas em gatos são comuns (agregados)
Leucograma — Gato
ParâmetroRelativoAbsoluto (/μL)Interpretação
Leucócitos Totais5.500 – 19.500CRÍTICO <3.000: leucopenia (FPV, FIV/FeLV) | >40.000: leucemia/sepse
Neutrófilos Segmentados35 – 75%2.500 – 12.500Neutrofilia: infecção bacteriana, abscesso, piotórax
Neutrófilos Bastonetes0 – 3%0 – 300>300: sepse grave, peritonite. Neutrófilos tóxicos: infecção bacteriana intensa
Linfócitos20 – 55%1.500 – 7.000Linfocitose fisiológica em filhotes. Linfoma: >10.000 linfócitos anaplásicos
Monócitos1 – 4%50 – 600Monocitose: toxoplasmose, peritonite infecciosa felina (PIF)
Eosinófilos2 – 12%100 – 1.500Síndrome hipereosinofílica felina, parasitismo, complexo granuloma eosinofílico
BasófilosRaros0 – 100Muito raros em gatos. Investigar hipersensibilidade se persistente
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Anemia em Gatos — Particularidades

FIV/FeLV: Causa mais comum de anemia não regenerativa em gatos. Macrocitose típica no FIV.

Mycoplasma haemofelis: Hemoparasita que causa AHAI hemolítica grave em gatos. Diagnóstico por PCR.

DRC: Anemia normocítica normocrômica não regenerativa por déficit de EPO. Muito frequente em gatos idosos.

⚠️
Contagem Plaquetária em Gatos

Gatos formam macroplaquetas e agregados plaquetários facilmente na punção venosa. Isso pode causar pseudotrombocitopenia.

Sempre confirmar trombocitopenia com análise do esfregaço sanguíneo. Contagem manual quando <100.000/μL.

Setor V2 · Bioquímica Clínica Veterinária
Função Hepática, Renal,
Eletrólitos & Glicemia — Cão & Gato
Thrall & Weiser 2015 · Kaneko 2008 · IRIS Guidelines 2023 · AAHA Canine Internal Medicine 2023
Enzimas Hepáticas — Cão
Nota: Cães têm indução enzimática hepática por corticóides (endógenos/exógenos), causando elevação de ALT, FA e GGT sem doença hepática primária. Contexto clínico é fundamental.
AnalitoReferênciaInterpretação Clínica
ALT (TGP)10 – 65 U/LEspecífico para lesão hepatocelular em cães. >3×LSN: lesão significativa. Hepatite, lipidose, tóxicos
AST (TGO)10 – 55 U/LMenos específico — também sobe em lesão muscular. CK para diferenciar
Fosfatase Alcalina (FA)23 – 212 U/LMuito sensível em cães. Corticóide, colestase, Cushing, neoplasia hepática
GGT0 – 10 U/LColestase, hepatopatia por corticóide, lipidose hepática
Bilirrubina Total0 – 0,4 mg/dL>1,0 mg/dL: icterícia. Classificar: pré-hepática (hemólise), hepática, pós-hepática
Proteínas Totais5,4 – 7,6 g/dLHipoproteinemia: hepatopatia grave, enteropatia, nefropatia perdedora de proteína
Albumina2,6 – 4,0 g/dL<2,0 g/dL: hipoalbuminemia grave → edema, ascite, derrame pleural
Globulinas1,8 – 3,9 g/dLHiperglobulinemia: erliquiose, leishmaniose, mieloma, PIF (em gatos)
Função Renal — Cão
Estadiamento IRIS 2023: A classificação de DRC em cães usa creatinina + SDMA + relação P:C urinária + pressão arterial para estadiar em 4 estágios.
AnalitoReferênciaEstadiamento IRIS / Interpretação
Creatinina0,5 – 1,5 mg/dL⚠ CRÍTICO IRIS: Est.1 <1,4 | Est.2: 1,4–2,0 | Est.3: 2,1–5,0 | Est.4: >5,0 mg/dL
Ureia (BUN)7 – 27 mg/dLElevada: IRA, DRC, desidratação, dieta hiperproteica, sangramento GI
SDMA< 14 μg/dLIRIS: >14: DRC estágio 1 (marcador precoce, detecta até 40% antes da creatinina) IRIS 2023
Fósforo2,5 – 6,0 mg/dLHiperfosfatemia: DRC, hipoparatireoidismo. Alvo IRIS: <4,5 (Est.2), <5,0 (Est.3/4)
Ác. Úrico< 0,5 mg/dLElevado: doença hepática (shunt portossistêmico), gota uráutica (dálmatas)
Eletrólitos e Glicemia — Cão
AnalitoReferênciaInterpretação Clínica
Sódio138 – 160 mEq/LCRÍTICO <120: hiponatremia grave (convulsões) | >165: hipernatremia grave
Potássio3,5 – 5,8 mEq/LCRÍTICO <2,5: arritmia grave | >7,0: parada cardíaca — Hipoadrenocorticismo (Addison)
Cloreto105 – 122 mEq/LHipocloremia: vômito persistente, diuréticos | Hipercloremia: desidratação, DRC
Cálcio Total9,0 – 11,5 mg/dLHipercalcemia: linfoma, hiperparatireoidismo. Hipocalcemia: eclâmpsia, pós-paratireoidectomia
Fósforo2,5 – 6,0 mg/dLVer função renal acima
Glicemia70 – 130 mg/dLCRÍTICO <50: hipoglicemia grave (convulsões) | >300: Diabetes Mellitus descompensado
Frutosamina225 – 365 μmol/LMonitoramento glicêmico de 2–3 semanas. DM: >400. Meta terapêutica: 350–450 μmol/L
Perfil Lipídico e Pancreático — Cão
AnalitoReferênciaInterpretação
Colesterol Total135 – 270 mg/dLHipercolesterolemia: hipotireoidismo, Cushing, DM, síndrome nefrótica, colestase
Triglicérides20 – 112 mg/dLHipertrigliceridemia: hipotireoidismo, Cushing, pancreatite. >500: risco de pancreatite
Lipase Pancreática (cPLI/Spec cPL)< 200 μg/L 200–400: equívoco | >400 μg/L: pancreatite canina (Spec cPL) ACVIM 2024
Amilase290 – 1.125 U/LMenos específica que cPLI. Elevada em pancreatite, DRC, neoplas. intestinais
Lipase Sérica77 – 695 U/LInespecífica. Usar Spec cPL para diagnóstico de pancreatite canina
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Estadiamento IRIS DRC Canina 2023

Estágio 1: Creatinina <1,4 mg/dL | SDMA >14 (marcador precoce)

Estágio 2: Creatinina 1,4–2,0 mg/dL | SDMA 18–35 μg/dL

Estágio 3: Creatinina 2,1–5,0 mg/dL | SDMA 36–54 μg/dL

Estágio 4: Creatinina >5,0 mg/dL | SDMA >54 μg/dL — prognóstico grave

Subclassificação: proteinúria (P:C) e pressão arterial (AP) para cada estágio.

⚠️
Hipoadrenocorticismo (Doença de Addison)

Tríade clássica em cães: hiponatremia + hipercalemia + azotemia pré-renal.

Relação Na:K <27 é sugestiva. Confirmação: estimulação com ACTH (cortisol <2 μg/dL pós-estimulação).

Crise addisoniana é emergência: hipercalemia pode causar bradicardia e parada cardíaca.

Enzimas Hepáticas — Gato
Atenção felina: Em gatos, a ALT é menos sensível que em cães. A FA tem meia-vida muito curta em gatos (6h vs 72h no cão) — qualquer elevação é mais significativa. GGT e FA elevadas em lipidose hepática felina.
AnalitoReferênciaInterpretação Clínica
ALT (TGP)12 – 80 U/LLipidose hepática (muito comum em gatos obesos/anorexia), hepatite, colangite
AST (TGO)0 – 55 U/LLesão hepática ou muscular. CK para diferenciar
Fosfatase Alcalina (FA)0 – 62 U/LIMPORTANTE: Meia-vida curta. FA >2×LSN em gatos = significativo. Colangite, lipidose, colestase
GGT0 – 1 U/LMais útil que FA em gatos para colestase/lipidose. >2 U/L: anormal
Bilirrubina Total0 – 0,4 mg/dLIcterícia em gatos: obstrução biliar, lipidose, hemólise (Mycoplasma haemofelis)
Albumina2,3 – 3,9 g/dLPIF: hiperglobulinemia + hipoalbuminemia. Relação A:G <0,4 → PIF exsudativa
Função Renal — Gato (IRIS 2023)
DRC em Gatos: Afeta ~1/3 dos gatos acima de 12 anos. O SDMA é marcador precoce fundamental. Estadiamento IRIS com creatinina, SDMA, fósforo e relação P:C urinária.
AnalitoReferênciaEstadiamento IRIS / Interpretação
Creatinina0,8 – 2,4 mg/dL⚠ IRIS Est.1: <1,6 | Est.2: 1,6–2,8 | Est.3: 2,9–5,0 | Est.4: >5,0 mg/dL
Ureia (BUN)15 – 34 mg/dLAzotemia: IRA, DRC, desidratação, obstrução uretral
SDMA< 18 μg/dLIRIS: >18: DRC Est.1 em gatos (detecta 40% antes da creatinina) IRIS 2023
Fósforo3,0 – 7,0 mg/dLAlvo IRIS felino: <4,5 (Est.2), <5,0 (Est.3), <6,0 (Est.4) mg/dL
Eletrólitos e Glicemia — Gato
AnalitoReferênciaInterpretação Clínica
Sódio147 – 162 mEq/LCRÍTICO <130: convulsões | >170: hipernatremia grave
Potássio3,5 – 5,8 mEq/LCRÍTICO Hipocalemia frequente em DRC felina → fraqueza muscular, curvatura cervical
Cálcio Total8,8 – 11,9 mg/dLHipercalcemia idiopática: causa mais comum em gatos. Investigar linfoma
Glicemia70 – 150 mg/dLCRÍTICO Gatos têm hiperglicemia de estresse (até 300 mg/dL). Usar frutosamina para DM
Frutosamina190 – 365 μmol/LDM felino: >400. Meta terapêutica: 300–400 μmol/L. Não sofre interferência do estresse
Vitamina B12 (Cobalamina)290 – 1500 ng/LDeficiência em DII felina, pancreatite. Suplementação oral/SC
🐈
Lipidose Hepática Felina

Causa mais comum de doença hepática grave em gatos. Gatilho: anorexia por 2–7 dias (especialmente em obesos).

Achados laboratoriais: ALT ↑↑, FA ↑↑ (meia-vida curta), GGT ↑, bilirrubina ↑, hipoalbuminemia, hipokalemia.

Tratamento: nutrição enteral forçada (sonda de esofagostomia). Prognóstico bom com suporte nutricional precoce.

📋
Triadite Felina

Associação frequente: Colangite + Pancreatite + DII (doença intestinal inflamatória) em gatos.

Diagnóstico: ALT/FA/GGT ↑, lipase pancreática (fPLI) ↑, B12 ↓, proteína sérica alterada. USG abdominal.

Biopsia hepática, pancreática e intestinal para confirmar. Tratamento multifacetado.

Setor V3 · Urinálise Veterinária
Análise de Urina — Cão & Gato
Thrall & Weiser 2015 · IRIS Guidelines 2023 — Coleta por cistocentese (ideal), cateterismo ou jato médio
Parâmetros Físico-Químicos — Cão
ParâmetroReferênciaInterpretação
CorAmarelo palha a âmbarVermelha/marrom: hematúria, hemoglobinúria, mioglobinúria. Verde: bilirrubinúria
AspectoLímpido a levemente turvoTurvo: células, cristais, muco, lipídios, piúria, bacteriúria
Densidade1,015 – 1,045Isostenúria (1,007–1,015): DRC, diabetes insipidus, hipercalcemia. Cão deve concentrar acima de 1,030 se desidratado
pH5,5 – 7,5Alcalino: ITU por Proteus, dieta vegetariana | Ácido: carne, acidose metabólica
ProteínasNegativo a traçosProteinúria: glomerulopatia, ITU, DRC. Usar relação P:C (normal <0,2)
GlicoseNegativoGlicosúria com hiperglicemia: DM. Glicosúria sem hiperglicemia: tubulopatia renal (Fanconi)
Corpos CetônicosNegativoCAD, jejum, dieta hipoproteica. DM descompensado: cetonúria + glicosúria
BilirrubinaTraços (cão macho)Cão: traços normais (limiar renal baixo). Gato: sempre anormal. Icterícia, colestase
Sangue OcultoNegativoHematúria: cistite, cálculos, neoplasia, trauma. Hemoglobinúria: hemólise intravascular
Sedimento Urinário — Cão
ParâmetroReferênciaInterpretação
Hemácias<5/campo (400×)>5: hematúria. Localização: cálculos (renais/vesicais), cistite, neoplasia, trauma
Leucócitos<5/campo (400×)>5 (cistocentese): piúria → ITU, cistite, pielonefrite, prostatite
BactériasAusentesEm cistocentese: infecção real. Coleta de jato: pode ser contaminação
Cilindros Hialinos0–2/campo (100×)Raros: desidratação, febre. Granulosos: lesão tubular renal
Cilindros HemáticosAusentesPATOLÓGICO Glomerulonefrite, vasculite renal. Exige investigação imediata
Cristais de EstruvitaRaros/ausentesComuns em ITU alcalina. Associados a urolitíase estruvítica
Cristais de OxalatoRaros/ausentesOxalato de cálcio mono/di-hidratado: intoxicação por etilenoglicol (di-hidratado em envelope)
Cristais de UratoRaros/ausentesDálmatas: hiperuricosúria genética. Outros: shunt portossistêmico, hepatopatia grave
Urinálise — Gato (Particularidades)
Síndrome Urológica Felina (FIC/FLUTD): Causa mais comum de hematúria, disúria e obstrução em gatos machos jovens. Proteinúria com P:C >0,4 indica glomerulopatia.
ParâmetroReferência GatoInterpretação Clínica
Densidade1,020 – 1,065Gatos concentram melhor que cães. Isostenúria (<1,020): DRC avançada em gato = grave
pH6,0 – 7,0Ácido preferível (dieta cárnea). pH alcalino: risco de cristais de estruvita (FIC)
ProteínasNegativo a traçosP:C <0,2: normal | 0,2–0,4: limite | >0,4: proteinúria clinicamente relevante (IRIS)
BilirrubinaAusente (SEMPRE)Qualquer bilirrubinúria em gato é anormal. Lipidose, colangite, hemólise
Cristais de EstruvitaAusentes/rarosAssociados à FIC e obstrução uretral em machos. Emergência: gato em estrangúria sem urinar
Cristais de Oxalato de CálcioAusentesGatos idosos: tendência a oxalato. Hipercalcemia associada. Não se dissolvem com dieta
CilindrosRarosGranulosos/waxy: DRC crônica. Hemáticos: glomerulonefrite (rara em gatos)
🚨
Obstrução Uretral Felina — EMERGÊNCIA

Gatos machos em estrangúria com bexiga distendida = emergência vida ou morte.

Achados laboratoriais: Hipercalemia grave (>7 mEq/L), azotemia aguda, acidose metabólica, hiperfosfatemia.

Desofstrução imediata, fluidoterapia e monitoramento cardíaco (hipercalemia → bradicardia → parada).

Setor V4 · Hemostasia Veterinária
Coagulograma — Cão & Gato
Thrall & Weiser 2015 · ACVIM Consensus Guidelines — Tubo citrato 3,2% na proporção 9:1
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação
TP (Tempo de Protrombina)5,1 – 7,9 s Prolongado: defic. fatores via extrínseca (VII), hepatopatia, raticida cumarínicos
TTPa (Tempo de Tromboplastina)8,6 – 12,9 s Prolongado: hemofilia A/B, CIVD, defic. contato. TP+TTPa ambos: defic. via comum ou hepatopatia
Fibrinogênio200 – 400 mg/dLReduzido: CIVD, hepatopatia grave. Elevado: fase aguda, inflamação
D-Dímero< 250 ng/mLElevado: CIVD, TEP, TVP, neoplasia, inflamação sistêmica grave
Antitrombina III (AT-III)80 – 120% <70%: risco trombótico (CIVD, nefropatia perdedora de proteína, hepatopatia)
Fator de von Willebrand (FvW)> 70%DVW canino: Doberman (tipo I), raças alvo. Epistaxe, hematomas
Tempo de Sangramento da Mucosa (TSM)1,7 – 4,2 minAvalia hemostasia primária in vivo. Prolongado: trombocitopenia, DVW, AAS
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação
TP (Tempo de Protrombina)7,0 – 10,5 s Prolongado: defic. fatores via extrínseca (VII), hepatopatia, raticida cumarínicos
TTPa (Tempo de Tromboplastina)8,0 – 12,2 s Prolongado: hemofilia A/B, CIVD, defic. contato. TP+TTPa ambos: defic. via comum ou hepatopatia
Fibrinogênio100 – 300 mg/dLReduzido: CIVD, hepatopatia grave. Elevado: fase aguda, inflamação
D-Dímero< 250 ng/mLElevado: CIVD, TEP, TVP, neoplasia, inflamação sistêmica grave
Antitrombina III (AT-III)80 – 120% <70%: risco trombótico (CIVD, nefropatia perdedora de proteína, hepatopatia)
Fator de von Willebrand (FvW)DVW felino: raro.
Tempo de Sangramento da Mucosa (TSM)1,0 – 2,4 minAvalia hemostasia primária in vivo. Prolongado: trombocitopenia, DVW, AAS
🩸
Intoxicação por Raticidas Cumarínicos

Causa mais comum de coagulopatia adquirida em cães. Rodenticidas de segunda geração (brodifacum) têm ação prolongada por semanas.

Laboratório: TP e TTPa muito prolongados | Fibrinogênio e AT-III normais | Plaquetas normais.

Tratamento: Vitamina K1 oral 3–5 mg/kg SID por 4–6 semanas. Plasma fresco para hemorragia ativa.

⚠️
CIVD em Medicina Veterinária

Síndrome de consumo de fatores. Causas: sepse, parvovirose, babesiose, neoplasia, torção gástrica, picada de cobra.

Tríade laboratorial: TP↑ + TTPa↑ + Plaquetas↓ + Fibrinogênio↓ + D-Dímero↑↑ + AT-III↓.

CIVD = emergência. Tratamento da causa base + suporte: plasma fresco congelado, plaquetas, heparina de baixo peso molecular.

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TEP em Cães — Tromboembolismo

Causas predisponentes: hiperadrenocorticismo (Cushing), DRC com perda de AT-III, neoplasia, AHAI, cirurgia.

Diagnóstico: D-Dímero ↑↑, AT-III ↓, troponina ↑ (lesão miocárdica por sobrecarga), ecocardiograma + angio-TC.

Profilaxia: rivaroxabana, clopidogrel ou heparina em pacientes de risco.

Setor V5 · Endocrinologia Veterinária
Hormônios — Cão & Gato
Thrall & Weiser 2015 · ACVIM Small Animal Endocrinology 2023 · AAHA Endocrinology Guidelines
Tireoide — Cão
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação
T4 Total1,0 – 4,0 μg/dLHipotireoidismo se <1,0 (+ clínica)
T4 Livre (Diálise)0,5 – 2,0 ng/dLMais específico. <0,5 + T4 baixo + clínica = hipotireoidismo confirmado
TSH (cTSH)0,03 – 0,5 ng/mLTSH ↑ + T4 ↓ = hipotireoidismo primário. TSH normal não exclui
Anti-Tireoglobulina (anti-TgAA)< 200% (ELISA)Positivo em 50% dos cães com hipotireoidismo autoimune (tireoidite linfocítica)
Adrenal (Hiperadrenocorticismo / Hipoadrenocorticismo)
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação
Cortisol Basal1,0 – 6,0 μg/dL<2 μg/dL pela manhã → descartar hipoadrenocorticismo. Usar estimulação ACTH para confirmar
Teste Estimulação ACTH (cortisol pós)6,0 – 18,0 μg/dL <2: Hipoadrenocorticismo (Addison) | >22: Hiperadrenocorticismo (Cushing)
Teste Supressão Dexametasona Baixa Dose (TSDBD)Cortisol 8h: <1,4 μg/dLNão supressão (>1,4): Hiperadrenocorticismo confirmado. >90% sensibilidade
Cortisol/Creatinina Urinário (relação)< 13 × 10⁻⁶Triagem sensível para Cushing. Coleta em casa (3 dias). >35 × 10⁻⁶: muito sugestivo
ACTH Endógeno10 – 80 pg/mLBaixo (<10): tumor adrenal dependente. Alto (>80): PDH (tumor hipofisário-dependente)
Pâncreas Endócrino & Outros Hormônios
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação
Insulina5 – 20 μU/mLAmostras com hipoglicemia: insulina elevada → insulinoma. Relação insulina:glicose
ProgesteronaVaria por fase do ciclo>5 ng/mL = ovulação confirmada. Monitoramento de monta em reprodução
Aldosterona10 – 100 pg/mLHiperaldosteronismo primário (adenoma): hipertensão + hipocalemia + hipernatremia
PTH (Paratormônio)2 – 13 pmol/LPTH ↑ + Ca ↑: HPT primário (adenoma). PTH ↓ + Ca ↑: hipercalcemia maligna (linfoma)
Tireoide — Gato
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação
T4 Total1,5 – 5,5 μg/dLHipertireoidismo se >4,5 (idosos)
T4 Livre (Diálise)0,5 – 2,5 ng/dLMais específico para confirmação de hipertireoidismo felino
Pâncreas Endócrino & Outros Hormônios
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação
Insulina5 – 20 μU/mLAmostras com hipoglicemia: insulina elevada → insulinoma. Relação insulina:glicose
ProgesteronaVariaMonitoramento reprodutivo em gatas
Aldosterona10 – 100 pg/mLHiperaldosteronismo primário (adenoma): hipertensão + hipocalemia + hipernatremia em gatos idosos
PTH (Paratormônio)0 – 4 pmol/LPTH ↑ + Ca ↑: HPT primário (adenoma). PTH ↓ + Ca ↑: hipercalcemia maligna (linfoma)
Setor V6 · Gasometria Veterinária
Equilíbrio Ácido-Base — Cão & Gato
Thrall & Weiser 2015 — Seringa heparinizada, eliminar bolhas imediatamente, analisar em até 30 min
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação Clínica
pH7,35 – 7,45CRÍTICO <7,10 ou >7,60: risco de vida. Acidemia <7,35; Alcalemia >7,45
pCO₂35 – 45 mmHg↑ pCO₂: acidose respiratória (hipoventilação, DPOC, sedação)
pO₂85 – 105 mmHgCRÍTICO <60 mmHg: hipoxemia grave. <40 mmHg: risco de vida. Suplementar O₂ imediatamente
HCO₃⁻18 – 26 mEq/L↓ HCO₃⁻: acidose metabólica (vômito/CAD/DRC). ↑ HCO₃⁻: alcalose metabólica (vômito, diurético)
Excesso de Base (BE)–4 a +4 mEq/LBE <–4: acidose metabólica. BE >+4: alcalose metabólica
SatO₂97 – 100%<95%: considerar oxigenoterapia. <90%: hipoxemia grave
Lactato< 2,0 mmol/L>4,0: hipoperfusão tecidual grave (choque, sepse). Marcador prognóstico crítico
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação Clínica
pH7,35 – 7,45CRÍTICO <7,10 ou >7,60: risco de vida. Acidemia <7,35; Alcalemia >7,45
pCO₂28 – 40 mmHg↑ pCO₂: acidose respiratória. Gatos hiperventilam mais que cães
pO₂85 – 105 mmHgCRÍTICO <60 mmHg: hipoxemia grave. <40 mmHg: risco de vida. Suplementar O₂ imediatamente
HCO₃⁻16 – 24 mEq/L↓ HCO₃⁻: acidose metabólica. ↑ HCO₃⁻: alcalose metabólica (vômito, diurético)
Excesso de Base (BE)–4 a +4 mEq/LBE <–4: acidose metabólica. BE >+4: alcalose metabólica
SatO₂97 – 100%<95%: considerar oxigenoterapia. <90%: hipoxemia grave
Lactato< 2,0 mmol/L>4,0: hipoperfusão tecidual grave (choque, sepse). Marcador prognóstico crítico
📊
Acidose Metabólica em Veterinária

Alto ânion gap: CAD, IRA/DRC, intoxicação por etilenoglicol, acidose lática, cetoacidose alcoólica.

Ânion gap normal: Diarreia grave, insuficiência adrenal (Addison), perda de HCO₃⁻ renal, acidose tubular renal.

Ânion gap = Na⁺ – (Cl⁻ + HCO₃⁻). Normal: 12–20 mEq/L em cães e gatos.

🚨
Cetoacidose Diabética (CAD) Veterinária

Emergência em cães e gatos. Glicemia >300 mg/dL + cetonúria/cetonemia + acidose metabólica.

Laboratório: pH <7,3, HCO₃⁻ ↓, BE negativo, glicose ↑↑, cetonas ↑↑, eletrólitos distorcidos (K↓ com tratamento).

Monitorar K⁺ horariamente durante tratamento — hipocalemia fatal durante insulinoterapia.

Setor V7 · Líquidos Biológicos Veterinários
Líquido Sinovial, LCR & Efusões
Thrall & Weiser 2015 · ACVIM Neurology 2024 — Análise citológica e bioquímica de fluidos corpóreos
Líquido Sinovial (Articular) — Cão & Gato
ParâmetroNormalInterpretação
Cor/AspectoIncolor a levemente âmbar, límpidoTurvo/purulento: artrite séptica. Sanguinolento: trauma, neoplasia. Amarelo: inflamação
ViscosidadeAlta (fio >2,5 cm)Reduzida: inflamação (degradação do ácido hialurônico)
Proteínas Totais< 2,5 g/dL>3,0: transudato modificado/exsudato inflamatório
Contagem Total de Células< 3.000 cél/μL >3.000: artrite inflamatória | >100.000: artrite séptica bacteriana
Neutrófilos< 10%>75% neutrófilos: artrite séptica ou erosiva imunomediada (LES, AR)
Mononucleares> 90%Predomínio mononuclear: artrite não-erosiva imunomediada (mais comum em cães)
GlicoseIgual à glicemiaMenor que a glicemia: artrite séptica (consumo bacteriano). Diferença >25 mg/dL: sepse
Líquor (LCR) — Cão & Gato
Coleta: Cisterna magna (anestesia geral) ou espaço lombossacro (L4–L6). Analisar imediatamente. Coluna amarela (xantocromia) = hemorragia subaracnóidea prévia.
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação
CorIncolor, límpidoTurvo: inflamação intensa. Xantocromia: hemorragia prévia
Pressão60 – 170 mmH₂O >170: hipertensão intracraniana (hidrocefalia, massa)
Contagem Total de Células< 5 cél/μL >5 (pleocitose): inflamação, infecção, neoplasia. >500: meningite/encefalite grave
Proteínas Totais< 25 mg/dL (CM) / <45 (LS)Elevadas: inflamação, neoplasia, hemorragia, DDI, malformação de Chiari
Glicose LCR61 – 116 mg/dLRazão LCR/plasma >0,7 normal. Reduzida: meningite bacteriana, criptococose
Diferencial CelularLinfócitos/mononuclearesNeutrofílica: bacteriana, PIF. Eosinofílica: larva migrans, criptococose. Mononuclear: viral, GME
ParâmetroValor de ReferênciaInterpretação
CorIncolor, límpidoTurvo: inflamação intensa. Xantocromia: hemorragia prévia
Pressão50 – 130 mmH₂O Hipertensão intracraniana (hidrocefalia, massa) acima da referência
Contagem Total de Células< 5 cél/μL >5 (pleocitose): inflamação, infecção, neoplasia. >500: meningite/encefalite grave
Proteínas Totais< 20 mg/dLElevadas: inflamação, neoplasia, hemorragia, PIF
Glicose LCR60 – 100 mg/dLRazão LCR/plasma >0,7 normal. Reduzida: meningite bacteriana, criptococose, PIF
Diferencial CelularLinfócitos/mononuclearesNeutrofílica: bacteriana, PIF. Eosinofílica: larva migrans, criptococose. Mononuclear: viral, GME
Alertas · Valores Críticos Veterinários
Comunicação Imediata ao Médico Veterinário
Valores que requerem comunicação imediata — Baseado em ACVIM 2024 e AAHA 2023
🔴 Hematologia Crítica
Hemoglobina — Cão
⚠ < 7,0 g/dL → CRÍTICO
Anemia grave. Avaliar transfusão de sangue total ou concentrado de hemácias. Comunicar imediatamente.
Hemoglobina — Gato
⚠ < 6,0 g/dL → CRÍTICO
Gatos toleram mal anemia aguda. Transfusão urgente se sintomático. Crise respiratória possível.
Plaquetas (ambas espécies)
🔴 < 20.000/μL → EMERGÊNCIA
Risco de hemorragia espontânea. Investigar causa (CIVD, erliquiose, PTI). Transfusão de plaquetas ou plasma.
Leucócitos Totais
⚠ < 2.000 ou > 40.000/μL
Leucopenia grave: parvovirose, quimioterapia. Leucocitose extrema: leucemia, sepse. Esfregaço urgente.
Blastos / Precursores Circulantes
🔴 Presença → ALERTA
Sugere leucemia aguda. Confirmar com esfregaço sanguíneo e biópsia/aspirado de medula óssea urgente.
🔴 Bioquímica Crítica
Glicemia — Hipoglicemia
🔴 < 50 mg/dL → EMERGÊNCIA
Convulsões iminentes. Glicose IV imediata. Causas: insulinoma, sepse neonatal, DM supercompensado, shunt.
Glicemia — Hiperglicemia
⚠ > 400 mg/dL
CAD ou SHNO. Avaliar cetonemia/cetonúria. Insulinoterapia + fluidoterapia. Monitorar K⁺.
Potássio
🔴 < 2,5 ou > 7,0 mEq/L
Hipercalemia: Addison, obstrução uretral → parada cardíaca. Hipocalemia: DRC felina → paralisia.
Sódio
⚠ < 120 ou > 170 mEq/L
Hiponatremia grave: convulsões, edema cerebral. Hipernatremia grave: dano neurológico. Correção lenta.
Creatinina — Cão
⚠ > 5,0 mg/dL (IRIS Estágio 4)
IRA ou DRC estágio 4. Avaliar necessidade de diálise. Prognóstico grave. UTI veterinária.
Creatinina — Gato
⚠ > 5,0 mg/dL (IRIS Estágio 4)
Gato: considerar DRC vs. obstrução uretral. Descartar pré-renal. Fluidoterapia e monitoramento intensivo.
Lipase Pancreática (Spec cPL)
⚠ > 400 μg/L
Pancreatite canina aguda. Fluidoterapia, analgesia, jejum curto, monitoramento de complicações sistêmicas.
🔴 Coagulograma e Gasometria Críticos
pH Arterial
🔴 < 7,10 ou > 7,60
Descompensação grave. Acidemia grave: bicarbonato IV + causa base. Alcalemia: raramente tratada diretamente.
pO₂ Arterial
🔴 < 60 mmHg
Hipoxemia grave. Oxigenoterapia imediata. Avaliar ventilação mecânica se <40 mmHg.
Lactato
⚠ > 4,0 mmol/L
Choque/hipoperfusão grave. Reanimação fluida imediata. Marcador prognóstico — lactato >8: mortalidade elevada.
TP ou TTPa
⚠ > 3× LSN
CIVD, raticida, hepatopatia grave. Risco de hemorragia fatal. Plasma fresco + vitamina K (cumarínico).
Antitrombina III (AT-III)
⚠ < 70%
Risco trombótico elevado: CIVD, nefropatia perdedora de proteína, hepatopatia grave. Monitorar tromboembolismo.
Cortisol Pós-ACTH
⚠ < 2 ou > 22 μg/dL
<2: Hipoadrenocorticismo (Addison) — risco de crise addisoniana. >22: Hiperadrenocorticismo (Cushing).
🔴 Urinálise e Líquidos Corporais Críticos
Cilindros Hemáticos (Urina)
🔴 Presença → PATOLÓGICO
Glomerulonefrite ou vasculite renal. Exige investigação imediata da função renal.
Cristais de Estruvita + Estrangúria
🔴 Gato sem urinar → EMERGÊNCIA
Suspeita de obstrução uretral felina (FIC). Risco de vida por hipercalemia e ruptura vesical. Atendimento imediato.
Pressão do LCR
⚠ > 170 mmH₂O (cão) / > 130 mmH₂O (gato)
Hipertensão intracraniana (hidrocefalia, massa). Risco de herniação. Avaliação neurológica urgente.
Contagem Celular — LCR / Líq. Sinovial
⚠ > 500 cél/μL (LCR) / > 100.000 cél/μL (sinovial)
Meningite/encefalite grave (LCR) ou artrite séptica bacteriana (sinovial). Tratamento antimicrobiano imediato.
Setor · Emergência & UTI Veterinária
Exames de Emergência — Cão & Gato
Marcadores críticos para plantão, pronto-socorro e UTI veterinária — valores de referência e alertas de comunicação imediata.
🩸 Perfusão & Choque
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Lactato < 2,5 mmol/L (cão e gato) ⚠ CRÍTICO >4 mmol/L: hipoperfusão grave — choque, torção gástrica, trauma. Clearance de lactato em 2h é bom indicador de resposta à fluidoterapia.
PCV/TS (Hematócrito por Microhematócrito / Proteína Total) PCV: Cão 37–55% · Gato 24–45%
TS: 6,0–8,0 g/dL
Teste de bancada mais rápido em emergência. PCV↓ com TS↓: hemorragia aguda. PCV↓ com TS normal/↑: hemólise. PCV↑ com TS↑: desidratação/hemoconcentração.
⚡ Eletrólitos Críticos
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Potássio (K⁺) 3,5–5,5 mEq/L ⚠ CRÍTICO >7,0 mEq/L: risco de parada cardíaca — clássico em obstrução uretral felina. <2,5 mEq/L: fraqueza muscular grave, arritmia.
Sódio (Na⁺) Cão: 144–160 mEq/L
Gato: 149–165 mEq/L
Corrigir alterações lentamente (<0,5 mEq/L/h) — correção rápida de disnatremias crônicas causa mielinólise pontina.
Cálcio Ionizado 1,2–1,4 mmol/L ⚠ CRÍTICO Hipocalcemia grave: tetania, convulsão — comum em eclâmpsia puerperal. Hipercalcemia grave: pode indicar neoplasia (linfoma, adenocarcinoma perianal).
🧪 Função Renal & Metabólica Aguda
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Creatinina Cão: 0,5–1,5 mg/dL
Gato: 0,8–2,1 mg/dL
⚠ CRÍTICO Elevação aguda (>0,3 mg/dL em 48h) define lesão renal aguda (AKI) — classificar estágio IRIS.
Glicemia Cão: 70–120 mg/dL
Gato: 70–150 mg/dL
<40 mg/dL: hipoglicemia grave — insulinoma, sepse, filhotes toy em jejum. >400 mg/dL com corpos cetônicos: cetoacidose diabética — emergência.
🧬 Lesão Tecidual & Pancreática
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
CK (Creatina Quinase) Até 3× o limite superior do método Elevação acentuada: rabdomiólise, trauma muscular, convulsões prolongadas, síndrome do decúbito prolongado — risco de lesão renal secundária à mioglobinúria.
Lipase Pancreática Específica (cPLI/fPLI) Dentro da faixa de referência do kit (método-dependente) ⚠ CRÍTICO Elevação acentuada + clínica compatível (vômito, dor abdominal, anorexia): pancreatite aguda — internação e suporte.
🔴 Resumo — Valores Críticos de Emergência VET
LACTATO
> 4,0 mmol/L
Choque — mortalidade elevada, iniciar fluidoterapia agressiva
POTÁSSIO
> 7,0 mEq/L
Risco de parada cardíaca — ECG e conduta imediata
PCV
< 15%
Anemia grave — avaliar suporte transfusional
GLICEMIA
< 40 ou > 400 mg/dL
Hipoglicemia grave ou cetoacidose diabética
CÁLCIO IONIZADO
< 0,8 mmol/L
Tetania/convulsão — risco em eclâmpsia puerperal
CREATININA
↑ >0,3 mg/dL em 48h
Define lesão renal aguda (AKI) — classificar estágio IRIS
📋 Protocolos Rápidos
🐈
Hipercalemia por Obstrução Uretral Felina

K⁺ 6,0–7,0 mEq/L: Fluidoterapia com NaCl 0,9%, monitorar ECG (onda T apiculada).

K⁺ >7,0 mEq/L ou alteração de ECG: Gluconato de cálcio 10% (cardioprotetor, não baixa o K⁺), insulina regular + glicose, desobstrução uretral assim que estabilizado.

Reavaliar potássio a cada 2–4h até normalização.

💧
Choque Hipovolêmico — Fluidoterapia Inicial

Cão: Bolus de cristaloide 10–20 mL/kg em 15 min, reavaliar PCV/TS, lactato e perfusão — repetir conforme resposta.

Gato: Bolus mais conservador, 5–10 mL/kg (gatos toleram menos volume) — reavaliar frequentemente.

Meta: normalizar frequência cardíaca, tempo de preenchimento capilar e lactato.

☠️
Suspeita de Intoxicação por Rodenticida

1. Coletar TP/TTPa antes de iniciar tratamento, se possível.

2. Vitamina K1 empírica se histórico de exposição, mesmo sem sangramento ativo.

3. Se sangramento ativo: plasma fresco congelado + Vitamina K1.

4. Reavaliar TP 48h após término da Vitamina K1 antes de suspender o tratamento.

Avaliação · Quiz Rápido VET 🐾
Teste Seus Conhecimentos
10 questões sobre laboratório clínico veterinário — cão & gato.
Quiz — Laboratório Veterinário
Selecione a alternativa correta em cada questão.
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Acertos
Setor 01 · Hematologia
Eritrograma, Leucograma
& Plaquetas
Intervalos baseados em Dacie & Lewis (12ª ed.) e diretrizes PNCQ/OMS. Diferenciação por sexo e alertas críticos de bancada.
Eritrograma + Plaquetas
Adultos · Diferenciação por sexo biológico
ParâmetroReferênciaAlerta / Interpretação
Hemácias (RBC)H: 4,3–5,9 ×10⁶/μL
M: 3,9–5,3 ×10⁶/μL
Reduzidas → anemia; correlacionar com índices hematimétricos
Hemoglobina (Hb)H: 13,5–17,5 g/dL
M: 12,0–15,5 g/dL
⚠ CRÍTICO <7,0 g/dL: anemia grave → avaliar suporte transfusional
Hematócrito (Ht)H: 40–53%
M: 36–47%
Elevado → hemoconcentração ou policitemia
VCM80–100 fL<80 fL: microcítica | >100 fL: macrocítica
CHCM32–36 g/dLAlterações → esferocitose ou artefatos pré-analíticos (lipemia)
Plaquetas150.000–450.000/μL⚠ <50.000 Risco de sangramento   🔴 <20.000 Alerta crítico
Leucograma — Série Mieloide (Precursores)
ParâmetroRelativoAbsolutoAlerta
Blastos0%0/μL🔴 ALERTA Leucemia Aguda / SMD — confirmar em lâmina
Promielócitos0%0/μL🔴 ALERTA LMA-M3 → risco de CIVD
Mielócitos0%0/μL🔴 ALERTA Quebra de barreira medular — LMC ou infecção grave
Metamielócitos0%0/μLDesvio à esquerda — reação leucemoide ou infecção sistêmica
Bastões1–5%40–550/μLDesvio à esquerda → processo infeccioso/inflamatório agudo
Segmentados40–70%2.000–7.000/μLNeutrofilia: bacteriana, estresse, corticóide | Neutropenia: viral, mielotóxico
Leucograma — Série Branca Madura
ParâmetroRelativoAbsolutoInterpretação
Linfócitos20–40%1.000–3.000/μLLinfocitose: viral (mono, CMV) | >5.000/μL persistente → neoplasia linfoproliferativa
Monócitos2–10%200–1.000/μLMonocitose: TB, endocardite, autoimune, LMA-M4/M5
Eosinófilos1–5%20–500/μL>5.000/μL → investigar síndrome hipereosinofílica / DRESS
Basófilos0–1%0–100/μLBasofilia persistente: LMC, policitemia vera, neoplasia mieloproliferativa
🔬
O que é o Eritrograma?

O eritrograma engloba o estudo das hemácias: RBC, Hemoglobina, Hematócrito e os índices hematimétricos (VCM, HCM, CHCM, RDW).

É a base para classificação das anemias: microcítica/hipocrômica, normocítica/normocrômica ou macrocítica.

📊
Índices Hematimétricos

VCM (80–100 fL): Volume médio da hemácia. Classifica a anemia morfologicamente.

CHCM (32–36 g/dL): Concentração de hemoglobina por célula. Elevado em esferocitose hereditária.

RDW: Anisocitose — variação no tamanho das hemácias. Útil em deficiências mistas.

⚠️
Desvio à Esquerda

Presença de precursores neutrofílicos (bastões, metamielócitos, mielócitos) no sangue periférico.

Indica resposta medular intensa a infecção bacteriana aguda, estresse, inflamação sistêmica ou, em casos graves, leucemia.

💡 Reflexão clínica: Em um paciente com Hb de 6,5 g/dL, quais dados adicionais você solicitaria para orientar a conduta?
✓ Salvo localmente
🎯 Checklist de Bancada — Hemograma
Verificar qualidade da amostra: hemólise, lipemia, icterícia
Confirmar presença de blastos / promielócitos em lâmina
Plaquetas <50.000: comunicar imediatamente ao médico responsável
Hb <7,0 g/dL: avaliar necessidade de comunicado crítico
Registrar e assinar o resultado com carimbo do responsável técnico
0/5 itens concluídos
Setor 02 · Bioquímica Clínica
Função Hepática, Renal,
Lipídios & Glicemia
Diretrizes SBPC/ML 2023 · SBC 2025 · SBD/ADA 2025
Função Hepática
AnalitoReferênciaContexto Clínico
ALT (TGP)≤ 41 U/LMarcador específico de lesão hepatocelular. >3× LSN = lesão significativa
AST (TGO)≤ 40 U/LAST/ALT >2 → hepatopatia alcoólica
Fosfatase Alcalina40–130 U/LElevada em colestase, Paget, metástases ósseas, gestação
GGTH: ≤55 | M: ≤38 U/LSensível, porém inespecífico. Aumenta com álcool, drogas, colestase
Proteínas Totais6,0–8,0 g/dLHipoalbuminemia: cirrose, síndrome nefrótica, desnutrição
Albumina3,5–5,0 g/dLRedução em hepatopatias crônicas
Bilirrubina Total≤ 1,2 mg/dLBT >2,0 mg/dL: icterícia clínica visível
Bilirrubina Direta≤ 0,3 mg/dLElevação: icterícia obstrutiva ou hepatocelular
Bilirrubina Indireta≤ 0,9 mg/dLElevação: hemólise, síndrome de Gilbert
Função Renal
AnalitoReferênciaAlertas
Ureia15–45 mg/dLElevação: IRA, IRC, sangramento GI, dieta hiperproteica
CreatininaH: 0,6–1,3 | M: 0,5–1,1 mg/dL⚠ CRÍTICO >4,0 mg/dL: IRenal grave — avaliar TFG (CKD-EPI)
Ácido ÚricoH: 3,4–7,0 | M: 2,4–6,0 mg/dLElevado: gota, doença renal, LLA, síndrome de lise tumoral
Microalbuminúria<30 mg/g creatinina30–300: microalbuminúria | >300: macroalbuminúria → nefropatia diabética/HAS
Perfil Lipídico — Diretriz SBC 2025
AnalitoAlvo / ReferênciaContexto
Colesterol Total< 190 mg/dLAcima aumenta risco cardiovascular
HDL-cH: >40 | M: >45 mg/dLHDL <40 = fator de risco independente para DCV
LDL-cVaria por risco (ver abaixo)<115 (baixo) / <100 (intermed) / <70 (alto) / <50 (muito alto) / <40 (extremo)
Não-HDL-c< 145 mg/dLCT – HDL-c. Inclui partículas aterogênicas não-LDL
VLDL2–30 mg/dLCalculado: TG/5 (válido se TG <400 mg/dL)
Triglicérides<150 (jejum) / <175 mg/dL (sem jejum)⚠ CRÍTICO >500 mg/dL: risco de pancreatite aguda
Apolipoproteína B (Apo B)Meta por risco: <100 (baixo) / <90 (intermed) / <70 (alto) / <55 (muito alto) / <45 mg/dL (extremo)Reflete o nº de partículas aterogênicas circulantes. Preferível ao LDL-c quando TG muito elevados, DM2, síndrome metabólica ou obesidade
Apolipoproteína A1 (Apo A1)H: >120 | M: >140 mg/dLPrincipal apoproteína do HDL — reflete a capacidade de transporte reverso do colesterol. Reduzida: risco cardiovascular aumentado mesmo com HDL-c normal. Relação Apo B/Apo A1 elevada: marcador aterogênico
Homocisteína<15 μmol/LFator de risco cardiovascular independente. Elevada em deficiência de B12/folato/B6, IRC, hipotireoidismo, tabagismo (ver Endocrinologia · Vitaminas)
Metabolismo Glicêmico — SBD/ADA 2025
Normal
Jejum: <100 mg/dL
TOTG 2h: <140 mg/dL
HbA1c: <5,7%
⚠️
Pré-Diabetes
Jejum: 100–125 mg/dL
TOTG 2h: 140–199 mg/dL
HbA1c: 5,7–6,4%
🔴
Diabetes Mellitus
Jejum: ≥126 mg/dL
TOTG 2h: ≥200 mg/dL
HbA1c: ≥6,5%
O diagnóstico de diabetes mellitus requer confirmação em uma segunda coleta, exceto na presença de sintomas clássicos (poliúria, polidipsia, perda de peso) com glicemia ao acaso ≥200 mg/dL.
SBD – Diretriz 2025
💊
Relação AST/ALT

AST/ALT > 2: fortemente sugestivo de hepatopatia alcoólica (álcool depleta piridoxina → menor síntese de ALT).

AST/ALT < 1: padrão mais comum em hepatites virais e DHGNA.

🫀
Metas de LDL por Risco

Baixo risco: LDL <130 mg/dL

Intermediário: LDL <100 mg/dL

Alto: LDL <70 mg/dL

Muito alto: LDL <50 mg/dL

Extremo: LDL <40 mg/dL (pós-evento + DM com LOA)

🧫
CKD-EPI e TFG

A Taxa de Filtração Glomerular estimada (TFGe) pelo CKD-EPI 2021 (sem raça) é o método recomendado para estadiamento de DRC.

TFGe <60 mL/min/1,73m² por >3 meses = DRC confirmada.

Setor 03 · Urinálise
Análise Completa de Urina
SBPC/ML · ABNT NBR 15268:2025 — Parâmetros físico-químicos e sedimento urinário
Parâmetros Físico-Químicos
ParâmetroReferênciaInterpretação Prática
CorAmarelo citrinoEscura: desidratação | Avermelhada: hematúria/hemoglobinúria | Alaranjada: medicamentos
AspectoLímpidoTurvo: piúria, bacteriúria, fosfatos, contaminação vaginal
Densidade1,005–1,030Fixa (1,010): IRC | >1,030: desidratação, glicosúria
pH5,0–8,0Alcalino: ITU por Proteus | Ácido: dieta proteica, acidose
GlicoseNegativoGlicosúria: DM (limiar renal ~180 mg/dL)
Proteínas≤15 mg/dLProteinúria: glomerulopatia, HAS, DM
Corpos CetônicosNegativoCetonúria: jejum, CAD, dieta cetogênica
BilirrubinaNegativoSempre patológica: obstrução biliar, hepatite
Urobilinogênio0,1–1,0 mg/dLElevado: hemólise, hepatite | Ausente: obstrução biliar
NitritoNegativoPositivo: bacteriúria por bactérias redutase-positivas
Sedimento Urinário
ParâmetroReferênciaInterpretação
Leucócitos≤5/campo (400×)>5/campo: piúria → ITU, inflamação
Hemácias≤3/campo (400×)>3/campo: hematúria → calculose, glomerulopatia, tumor
Células EpiteliaisRarasMuitas: má coleta, contaminação vaginal
Células RenaisAusentesPATOLÓGICO Sempre indica lesão tubular: NTA, rejeição de transplante, nefrotóxicos
Cilindros HialinosRarosGranulosos: NTA | Hemáticos: glomerulopatia | Leucocitários: pielonefrite
CristaisAusentes/RarosCistina, leucina, tirosina: sempre patológicos
🔬 Cilindros Urinários — Classificação Completa
TipopH/CondiçãoPatológico?Significado Clínico
HialinoQualquerNão (isolado)Proteína de Tamm-Horsfall. Pode aparecer em exercício, febre, desidratação. Sozinho sem significado patológico.
Hemático (eritrocitário)QualquerSEMPREPatognomônico de glomerulonefrite. Indica sangramento dentro do néfron. Investigar com biópsia renal urgente.
LeucocitárioQualquerSEMPREPielonefrite aguda, nefrite tubulointersticial. Indica inflamação do parênquima renal (não apenas bexiga).
Granuloso (grosseiro)QualquerSimDebris de células tubulares degeneradas. Necrose tubular aguda, DRC avançada, glomerulopatias.
Granuloso (fino)QualquerSimGrânulos menores, menos densos. Lesão tubular menos intensa. DRC moderada a grave.
CéreoQualquerSEMPREDRC grave/avançada (estágio 4–5). Baixo fluxo tubular prolongado. Síndrome nefrótica. Indica lesão renal crônica significativa.
Epitelial (células tubulares)QualquerSEMPRENecrose tubular aguda, nefrite tubulointersticial, rejeição de transplante, nefrotóxicos (contraste, aminoglicosídeos, cisplatina).
Lipídico (gorduroso)QualquerSimSíndrome nefrótica (proteinúria maciça com hiperlipidemia). Contém gotículas de lipídio — aspecto de "cruz de Malta" sob luz polarizada.
Largo (broad cast)QualquerSEMPREFormado em túbulos coletores dilatados. Indica estase tubular grave. Associado a DRC terminal e insuficiência renal oligúrica.
BacterianoQualquerSimBactérias aderidas à proteína de Tamm-Horsfall. Pielonefrite confirmada. Solicitar urocultura com antibiograma.
Misto (composto)QualquerSimCombinação de elementos (hemácias + leucócitos, células + granulações). Indica múltiplos processos simultâneos.
💎 Cristais Urinários — Classificação Completa
⚠️
Interpretação Contextual
A presença de cristais depende do pH urinário, temperatura e concentração da urina. Cristais podem ser artefatos de resfriamento ou demora no processamento. Sempre correlacionar com quadro clínico e exames complementares.
🟡 Cristais em Urina Ácida (pH < 6)
CristalAspectoPatológico?Associação Clínica
Oxalato de cálcio monoidratadoOval/haltere (forma de amendoim)FrequenteNefrolitíase por oxalato (mais comum). Hiperoxalúria primária/secundária, intoxicação por etilenoglicol (grande quantidade), dieta rica em oxalato.
Oxalato de cálcio diidratadoOctaédrico (envelope/ampulheta)FrequenteNefrolitíase por oxalato. Muito comum em urina normal. Isolado tem pouco significado; em grande quantidade indica risco de cálculo.
Ácido úricoRômbico, losangular, amarelo-alaranjadoContextoGota, hiperuricemia, síndrome de lise tumoral, quimioterapia, nefropatia por ácido úrico. Urina muito ácida e concentrada.
Urato amorfoGrânulos amarelo-rosadosRaramenteArtefato de resfriamento ou concentração. Geralmente sem significado clínico. Desaparecem ao aquecimento.
Sulfato de cálcioPrismas aciculares incoloresRaroRaro. Pode aparecer em urina muito ácida. Sem associação clínica definida.
XantinaRômbico incolor/amareloSimXantinúria hereditária (deficiência de xantina oxidase), uso de alopurinol em altas doses. Raro.
🔵 Cristais em Urina Alcalina (pH > 7)
CristalAspectoPatológico?Associação Clínica
Fosfato triplo (estruvita)"Tampa de caixão" (prismático)ContextoITU por bactérias produtoras de urease (Proteus, Klebsiella, Pseudomonas). Cálculos coraliformes. Urina alcalina infectada.
Fosfato amorfoGrânulos brancos/acinzentadosNãoArtefato comum em urina alcalina. Sem significado clínico isolado. Desaparecem com acidificação.
Carbonato de cálcioGrânulos/haltere incoloresRaroUrina muito alcalina. Geralmente artefato. Sem significado clínico definido.
Fosfato de cálcio (brushita)Prismas estrelados/rosetaContextoAcidose tubular renal (tipo 1), hiperparatireoidismo, hipercalciúria idiopática. Pode formar cálculos.
Biurato de amônio"Maçã espinhosa" (esférico com espículas)ContextoUrina fecalizada, ITU grave, bacteriúria com urease. Pode ser artefato de urina antiga.
🔴 Cristais Patológicos — Sempre Investigar
CristalAspectoSignificado
CistinaHexagonal incolor (placas planas)SEMPRE PATOLÓGICO Cistinúria hereditária (defeito no transporte de aminoácidos). Cálculos recidivantes desde a infância. Dosar cistina urinária de 24h. Tratamento: hidratação maciça + alcalinização.
LeucinaEsferas amarelo-brunadas com estrias radiaisSEMPRE PATOLÓGICO Hepatopatia grave (insuficiência hepática fulminante, cirrose terminal). Indica metabolismo proteico gravemente comprometido.
TirosinaAgulhas finas amarelas em feixesSEMPRE PATOLÓGICO Hepatopatia grave, tirosinemia hereditária (tipo I). Frequentemente associado à leucina em insuficiência hepática.
ColesterolPlacas retangulares com entalhe angular ("escada")SEMPRE PATOLÓGICO Síndrome nefrótica grave, lipidúria maciça. Confirmar com luz polarizada (cruz de Malta).
BilirrubinaAgulhas ou grânulos amarelo-escurosPatológico Bilirrubinúria: icterícia obstrutiva ou hepatocelular grave. Urina com cor escura (cor de chá).
HemossiderinaGrânulos amarelo-dourados (Perls +)Patológico Hemólise intravascular crônica (hemoglobinúria paroxística noturna, anemia hemolítica). Reação de Perls (azul da Prússia) positiva.
MedicamentososVariável (ampicilina, sulfonamidas, indinavir)Iatrogênico Cristalúria por fármacos: ampicilina (agulhas), sulfonamidas (feixes "choque de trigo"), indinavir (estrelas/leques). Hidratação e ajuste de dose.
🎯 Pré-analítica — Coleta de Urina
Orientar coleta do jato médio, após higiene genital
Processar em até 2h da coleta (ou refrigerar a 2–8°C por até 6h)
Não coletar durante menstruação sem cateterismo
Evitar coleta após exercício intenso, febre ou ITU em tratamento
Documentar horário de coleta e informar medicamentos em uso
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Setor 04 · Gasometria Arterial
Equilíbrio Ácido-Base
& Oxigenação
Consenso MedlinePlus · SBPC/ML — Parâmetros essenciais para avaliação da função respiratória e metabólica em adultos
ParâmetroReferênciaDistúrbios Críticos
pH7,35–7,45<7,35: acidemia | >7,45: alcalemia
CRÍTICO <6,90 ou >7,70
pCO₂35–45 mmHg>45: hipercapnia → acidose respiratória
<35: hipocapnia → alcalose respiratória
pO₂80–100 mmHg⚠ <60 Hipoxemia grave   🔴 <40 Insuf. respiratória
HCO₃⁻22–26 mEq/L<22: acidose metabólica | >26: alcalose metabólica
Excesso de Base (BE)-2 a +2 mEq/LBE <-2: déficit de base (acidose met.) | BE >+2: excesso (alcalose met.)
SatO₂95–100%CRÍTICO <90%: hipoxemia significativa → intervenção
PaO₂/FiO₂>300<300: lesão pulmonar aguda | <200: SDRA (Berlim 2012)
⚗️ Distúrbios Ácido-Base — Identificação Rápida
📐
Ânion Gap

Fórmula: AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻)

Normal: 8–12 mEq/L (sem albumina) ou 3–11 mEq/L (com correção de albumina)

AG elevado indica ácidos não mensurados: cetonas, lactato, salicilatos, metanol, etilenoglicol, uremia.

🔢
Regra de Winter

Na acidose metabólica, a compensação respiratória esperada é:

pCO₂ esperado = (1,5 × HCO₃⁻) + 8 ± 2

Se pCO₂ real > esperado: acidose respiratória associada. Se < esperado: alcalose respiratória associada.

🫁
Critérios de Berlim — SDRA

Leve: PaO₂/FiO₂ 200–300

Moderada: PaO₂/FiO₂ 100–200

Grave: PaO₂/FiO₂ <100

Todos sob PEEP ≥5 cmH₂O. Mortalidade aumenta com a gravidade.

💡 Caso clínico: pH 7,28 | pCO₂ 52 mmHg | HCO₃⁻ 24 mEq/L. Qual o distúrbio primário? Há compensação?
✓ Salvo localmente
Setor 05 · Endocrinologia
Hormônios & Vitaminas
SBEM 2020 · ATA · Endocrine Society — Valores de referência para adultos. Métodos: ECLIA, CLIA, ELISA, RIA. Cada laboratório deve validar seus próprios intervalos.
🦋 Tireoide
ExameReferência (Adultos)Interpretação Clínica
TSH0,4–4,5 μUI/mLTSH↑+T4L↓: hipotireoidismo primário | TSH↓+T4L↑: hipertireoidismo | TSH alterado+T4L normal: doença subclínica. Gestação: 1ºtri 0,1–2,5 | 2ºtri 0,2–3,0 | 3ºtri 0,3–3,5.
T4 Livre (T4L)0,8–1,9 ng/dLMétodo de eleição. Não influenciado por proteínas transportadoras. Preferir ao T4 total em gestantes e usuárias de estrogênio.
T4 Total5,0–12,0 μg/dLElevado em gestação, uso de estrogênios (↑TBG). Reduzido em síndrome do doente eutireoidiano.
T3 Total80–200 ng/dLÚtil na tireotoxicose por T3. Menos confiável em doentes graves (conversão T4→T3 reduzida).
T3 Livre (T3L)2,5–4,3 pg/mLPode estar elevado no hipertireoidismo mesmo com T4 normal (T3-toxicose).
Anti-TPO (Anti-Peroxidase)<35 UI/mLPrincipal marcador de autoimunidade tireoidiana. Elevado: Hashimoto, Graves. Rastreamento em gestantes.
Anti-Tireoglobulina (Anti-Tg)<115 UI/mLComplementar ao Anti-TPO. Monitorização de câncer diferenciado de tireoide pós-tireoidectomia (interfere na dosagem de Tg).
Tireoglobulina (Tg)<55 ng/mL (em eutireoidismo)Marcador tumoral para carcinoma diferenciado de tireoide após tireoidectomia total. Deve ser dosada junto com Anti-Tg.
Anti-receptor TSH (TRAb)<1,75 UI/LDiagnóstico e monitorização da doença de Graves. Prediz recorrência após suspensão do metimazol.
CalcitoninaH: <11,5 pg/mL | M: <4,6 pg/mLMarcador de carcinoma medular de tireoide (células C). Rastreamento em nódulos tireoidianos e familiares de portadores de NEM-2.
🫁 Suprarrenal (Adrenal)
ExameReferênciaInterpretação Clínica
Cortisol Basal (8h)5–25 μg/dL (138–690 nmol/L)<3 μg/dL: insuficiência adrenal muito provável. >18 μg/dL: exclui insuficiência. Zona cinzenta: 3–18 → teste de estímulo com ACTH (cosintropina).
Cortisol Urinário (24h)20–90 μg/24h>3× o LSN: Síndrome de Cushing confirmada. Útil para triagem, mas interferências com estrogênio e pseudoCushing são comuns.
ACTH (Adrenocorticotrófico)7–63 pg/mL (8h, em jejum)ACTH↑+Cortisol↓: insuficiência adrenal primária (Addison). ACTH↓+Cortisol↑: síndrome de Cushing ACTH-independente (adenoma/carcinoma adrenal).
DHEA-SH: 80–560 μg/dL | M (pré-menopausa): 35–430 μg/dLAndrógeno adrenal. Elevado em hiperplasia adrenal congênita, tumores adrenais, PCOS. Declina com a idade (adrenopausa).
Aldosterona (posição supina)3–16 ng/dLRelação aldosterona/renina (RAR) >30: hiperaldosteronismo primário (Conn). Avaliar suspendendo anti-hipertensivos que interferem.
Renina (atividade plasmática)0,2–1,6 ng/mL/h (supino)Baixa+aldosterona alta: hiperaldosteronismo primário. Alta+aldosterona alta: hiperaldosteronismo secundário (HAS renovascular, IRC).
17-OH ProgesteronaH: <2,0 ng/mL | M(folicular): <1,0 ng/mL>10 ng/mL: diagnóstico de Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) por deficiência de 21-hidroxilase. Triagem neonatal obrigatória no Brasil.
Metanefrinas fracionadas (plasma)Metanefrina: <0,5 nmol/L | Normetanefrina: <0,9 nmol/LAlta sensibilidade para feocromocitoma/paraganglioma. Método preferencial. Valores >3× o LSN: alta probabilidade de tumor.
Catecolaminas urinárias (24h)Epinefrina: <20 μg/24h | Norepinefrina: <80 μg/24h | Dopamina: 65–400 μg/24hAlternativa às metanefrinas plasmáticas. Evitar estresse, cafeína, medicamentos adrenérgicos antes da coleta.
🧠 Hipófise & Hormônios Reprodutivos
ExameReferênciaInterpretação Clínica
GH (Hormônio do Crescimento)Em jejum: <1 ng/mLGH basal >1 ng/mL não exclui acromegalia (secreção pulsátil). Confirmar com IGF-1 e teste de supressão com glicose (75g — TOTG).
IGF-1 (Somatomedina C)Varia por idade e sexo (ex: adulto 30-40a: 115–307 ng/mL)Marcador integrado de GH (reflete secreção de 24h). Elevado: acromegalia. Reduzido: deficiência de GH, desnutrição, hepatopatia.
Prolactina (PRL)H: 2–18 ng/mL | M (não gestante): 2–29 ng/mL>100 ng/mL: macroprolactinoma muito provável. 20–100: microprolactinoma, hipotiroidismo, fármacos (metoclopramida, antipsicóticos, risperidona). Solicitar macroprolactina se suspeita de macroprolactinemia.
LHH: 1,7–8,6 UI/L | M(folicular): 2,4–12,6 UI/L | Pico ovulatório: 14–96 UI/L | Pós-menopausa: 7,7–58,5 UI/LLH↑+FSH↑+estrogênio↓: hipogonadismo hipergonadotrófico (falência ovariana/testicular). LH↓+FSH↓: hipogonadismo hipogonadotrófico (hipofisário/hipotalâmico).
FSHH: 1,5–12,4 UI/L | M(folicular): 3,5–12,5 UI/L | Pós-menopausa: 25,8–134,8 UI/LFSH >25 UI/L em mulher em idade reprodutiva: insuficiência ovariana prematura (IOP). Usado junto com AMH para reserva ovariana.
Estradiol (E2)M(folicular): 30–120 pg/mL | Pico ovulatório: 130–370 pg/mL | Lútea: 70–250 pg/mL | Pós-menopausa: <20 pg/mL | H: 10–40 pg/mLMonitorização de ciclo menstrual, TRA (fertilização in vitro) e reposição hormonal. Ginecomastia masculina com E2 elevado.
ProgesteronaFolicular: <1 ng/mL | Lútea: 5–20 ng/mL | Gestação 1ºtri: 11–44 ng/mL>3 ng/mL na fase lútea: confirma ovulação. Baixa no pré-menopausa + sangramento: insuficiência lútea. Monitorar em gestações de risco.
Testosterona TotalH: 280–1100 ng/dL | M: 15–70 ng/dL<300 ng/dL em H: hipogonadismo — confirmar com testosterona livre e LH/FSH. Elevada em M: PCOS, hiperplasia adrenal, tumor virilizante.
Testosterona LivreH: 5–21 ng/dL | M: 0,1–0,85 ng/dLFração biologicamente ativa. Mais confiável que a total em obesos e com alteração de SHBG. Calcular: testosterona total / SHBG.
SHBG (Globulina Ligadora de Hormônios Sexuais)H: 10–57 nmol/L | M: 18–144 nmol/LElevada em: hipertireoidismo, hepatopatia, uso de estrogênio. Reduzida em: obesidade, PCOS, hipotiroidismo, uso de androgênios — aumenta biodisponibilidade de testosterona.
AMH (Hormônio Antimülleriano)M (20–29a): 1,5–8,5 ng/mLMelhor marcador de reserva ovariana. Declina com a idade. <1,0: reserva reduzida. Elevado em PCOS. Independe do ciclo menstrual — coletar em qualquer dia.
Inibina BH: 25–325 pg/mL | M(folicular): 23–257 pg/mLMarcador de reserva ovariana e função de células de Sertoli (masculino). Reduzida em insuficiência ovariana e azoospermia não-obstrutiva.
🫀 Pâncreas Endócrino & Metabolismo
ExameReferênciaInterpretação Clínica
Insulina de Jejum2–25 μUI/mL>25: hiperinsulinemia — resistência à insulina, insulinoma. Índice HOMA-IR = (glicemia × insulina) / 405. HOMA >2,7: resistência à insulina.
Peptídeo C1,1–4,4 ng/mL (jejum)Avalia função residual de células β. Reduzido em DM1 e insulinopenia. Normal/elevado em DM2 e insulinoma. Não é afetado pela insulina exógena.
Glucagon50–100 pg/mL (jejum)Elevado em: glucagonoma, DM descompensado, jejum prolongado, cirrose. Glucagonoma: níniveis >500 pg/mL + rash migratório necrolítico.
PTH (Paratormônio intacto)15–65 pg/mLPTH↑+Ca²⁺↑: hiperparatireoidismo primário. PTH↓+Ca²⁺↑: hipercalcemia maligna, granulomatosa. PTH↑+Ca²⁺↓: hiperparatireoidismo secundário (IRC, deficiência de vit. D).
PTH-rP (PTH-related Protein)<1,5 pmol/LElevado em hipercalcemia humoral da malignidade (neoplasias escamosas, mama, rim). PTH suprimido + PTH-rP elevado = hipercalcemia paraneoplásica.
☀️ Vitaminas & Micronutrientes
ExameReferênciaInterpretação Clínica
Vitamina D (25-OH-D3)Suficiência: 30–100 ng/mL
Insuficiência: 20–29 ng/mL
Deficiência: <20 ng/mL
<10 ng/mL: deficiência grave — risco de osteomalácia, raquitismo, miopatia. Suplementar com objetivo de atingir 40–60 ng/mL. Toxicidade >150 ng/mL (hipercalcemia).
Vitamina B12 (Cobalamina)200–900 pg/mL<200: deficiência — anemia megaloblástica, neuropatia periférica, demência reversível. Zona cinzenta 200–300: dosar ácido metilmalônico e homocisteína para confirmar. Vegetarianos e veganos: suplementação obrigatória.
Ácido Fólico (B9)3–20 ng/mL (sérico)
>140 ng/mL (eritrocitário)
<3 ng/mL: deficiência — anemia megaloblástica, defeitos do tubo neural (gestação). Eritrocitário reflete estoque de longo prazo (90 dias).
Vitamina A (Retinol)30–80 μg/dL<20 μg/dL: deficiência — cegueira noturna, xeroftalmia, imunossupressão. >100: hipervitaminose — teratogênica, hepatotóxica. Evitar megadoses.
Vitamina E (Tocoferol)5–20 mg/L<5 mg/L: deficiência — neuropatia axonal, anemia hemolítica (RN prematuros). Deficiência rara em adultos sem má absorção lipídica.
Vitamina K1 (Filoquinona)0,15–1,5 ng/mLDeficiência: TP/INR prolongado — recém-nascidos (VKDB), hepatopatia, uso de antibióticos, síndrome de má absorção. Avaliada indiretamente pelo TP.
Vitamina C (Ácido Ascórbico)0,4–2,0 mg/dL<0,2 mg/dL: escorbuto — petéquias perifolicul., sangramento gengival, cicatrização deficiente. Fumantes, alcoólatras e desnutridos são grupos de risco.
Zinco70–120 μg/dL<60: deficiência — alopecia, dermatite, hipogonadismo, disgeusia, imunodeficiência. Comum em IRC, síndrome de má absorção, nutrição parenteral sem suplementação.
Ferro SéricoH: 65–175 μg/dL | M: 50–170 μg/dLComplementar à ferritina e TIBC. Baixo+ferritina baixa+TIBC alta: anemia ferropriva. Baixo+ferritina normal/alta+TIBC baixa: anemia de doença crônica.
FerritinaH: 12–300 ng/mL | M (pré-menopausa): 12–150 ng/mL<12: deficiência de ferro. <30: estoque reduzido mesmo sem anemia. >500: inflamação (fase aguda), hepatopatia, hemocromatose, neoplasia. Limitada como marcador isolado de sobrecarga de ferro em inflamação.
TIBC (Capacidade Total de Ligação do Ferro)250–450 μg/dLElevada em anemia ferropriva. Reduzida em doença crônica, cirrose, hemocromatose. Saturação da transferrina = (Ferro/TIBC) × 100. Normal: 20–45%.
Cobre Sérico70–140 μg/dL<60: deficiência — anemia microcítica, neutropenia, neuropatia mielopática. Associar à ceruloplasmina. Elevado em: fase aguda, gestação, colestase. Reduzido em doença de Wilson (junto com ceruloplasmina).
Selênio70–150 μg/L<50: deficiência — cardiomiopatia (doença de Keshan), hipotiroidismo funcional (selenoproteína), imunodeficiência. Toxicidade >400 μg/L: selenose (alopecia, onicodistrofia).
Homocisteína<15 μmol/LElevada em: deficiência de B12/folato/B6, IRC, hipotiroidismo, tabagismo. Fator de risco cardiovascular independente. Hiperhomocisteinemia grave: MTHFR, homocistinúria.
⚠️
Variação Metodológica — Atenção
Hormônios são dosados por imunoensaios (ECLIA, CLIA, ELISA, RIA) com significativa variabilidade interensaio. Para acompanhamento longitudinal, usar sempre o mesmo laboratório e método. Condições pré-analíticas (horário, jejum, ciclo menstrual, medicamentos) afetam a maioria dos resultados. Consultar sempre os valores de referência específicos do método e população do laboratório.
🦋
Hipotireoidismo Subclínico

TSH elevado com T4 livre normal. Tratar se TSH >10, sintomático ou gestante. Monitorar a cada 6–12 meses em vigilância ativa.

🌡️
Crise Tireotóxica

Emergência endócrina. TSH suprimido + T4L e T3 muito elevados + febre >38,5°C, taquicardia, agitação. Escore de Burch-Wartofsky para diagnóstico.

☀️
Vitamina D — Metas Terapêuticas

Manutenção: 40–60 ng/mL. Grupos de risco (obesos, DM, osteoporose, autoimunes): meta 50–80 ng/mL.

Reposição: Colecalciferol 50.000 UI/semana × 8–12 semanas, seguido de manutenção 1.000–2.000 UI/dia. Remonitorar em 3–4 meses.

🔬
HOMA-IR — Resistência à Insulina

Fórmula: HOMA-IR = (Glicemia em jejum × Insulina em jejum) ÷ 405

Normal: <2,7 | Resistência: >2,7 | Grave: >5,0

Útil para triagem de síndrome metabólica, PCOS e pré-diabetes mesmo com glicemia normal.

Setor · Imunologia & Sorologia
Exames Sorológicos
& Imunológicos
Interpretação de IgG e IgM · Sorologias infecciosas · Autoanticorpos · Complemento · Imunoglobulinas
📈 A Curva de Resposta Imune — IgM vs IgG
Cinética da Resposta de Anticorpos
1–7d 1–2sem 3–4sem 2–3m >6m 0 Título Infecção IgM (agudo) IgG (memória)
🟡 IgM — Infecção Recente / Aguda
• Produzida 1–7 dias após o contato com o antígeno
• Pico: 1–2 semanas
• Desaparece: 3–6 meses
• Indica infecção atual ou muito recente
• Pentâmero — 1ª linha de defesa
• Não atravessa a barreira placentária
🔵 IgG — Infecção Passada / Imunidade
• Surge após 2–3 semanas
• Pico: 3–6 meses
• Persiste: anos a vida toda
• Indica infecção passada ou vacinação
• Monômero — memória imunológica
Atravessa a placenta → proteção neonatal
🔍 Como Interpretar IgG e IgM — Padrões
IgMIgGInterpretaçãoConduta
Reagente ↑Não reagenteInfecção aguda primária — primeiro contato com o agente. IgG ainda não produzida.Confirmar com nova coleta em 14–21 dias. Notificar se doença compulsória.
Reagente ↑Reagente ↑Infecção aguda em imune — reativação, reinfecção ou janela imunológica precoce (IgG subindo).Avaliar clínica, solicitar avidez de IgG. IgG de baixa avidez = infecção recente.
Não reagenteReagente ↑Infecção passada / imunidade — contato anterior, vacinação ou infecção resolvida.Paciente imune. Em gestantes: acompanhar. Verificar títulos se monitoramento necessário.
Não reagenteNão reagenteSuscetível — nunca foi exposto. Sem imunidade.Considerar vacinação. Orientar sobre prevenção. Em gestantes: seguimento mensal.
InconclusivoQualquerZona cinzenta / janela imunológica — coleta muito precoce ou interferência técnica.Repetir em 14–21 dias. Investigar interferentes (fator reumatoide, gravidez, outras infecções).
⚗️ Índice de Avidez de IgG
O índice de avidez mede a força de ligação da IgG ao antígeno. Anticorpos produzidos no início da infecção têm baixa avidez; com o amadurecimento da resposta imune, a avidez aumenta progressivamente.
<30%
Baixa Avidez
Infecção primária recente (<3–4 meses). Importante em gestantes (risco fetal).
30–60%
Avidez Intermediária
Infecção em fase intermediária ou indeterminada. Repetir em 3 semanas.
>60%
Alta Avidez
Infecção >4 meses ou imunidade estabelecida. Exclui infecção primária recente.
🦠 Sorologias Infecciosas
ExameMarcadoresInterpretação / Alertas
Anti-HIV 1 e 2 (4ª geração)Não reagente⚠ NOTIFICAÇÃO Detecta anticorpos anti-HIV 1/2 + antígeno p24. Janela imunológica: ~18 dias (4ª geração). Reagente: confirmar com Western Blot ou NAAT (carga viral). Notificação compulsória imediata.
Toxoplasmose IgM / IgGIgM: não reagente
IgG: varia (pode ser reagente em imunes)
IgM+/IgG-: infecção aguda. IgM+/IgG+: avaliar avidez de IgG (baixa = <3-4m). IgM-/IgG+: imune. Crítico em gestantes e imunossuprimidos. Avidez >60%: exclui infecção primária recente.
CMV IgM / IgGIgM: não reagente
IgG: pode ser reagente
IgM+ em gestante: avaliar avidez. Reativação: IgM+ + IgG+ (comum). Doença por CMV em imunossuprimidos: diagnóstico por carga viral (PCR CMV), não sorologia.
Rubéola IgM / IgGIgM: não reagente
IgG: >10 UI/mL (imune)
IgM+: infecção aguda ou pós-vacinal recente. IgG >10: imunidade protetora. Rastreamento obrigatório no pré-natal. Vacinação contraindicada na gestação.
Herpes Simples (HSV) 1 e 2 IgGIgG: varia (prevalência alta na pop.)IgG+ HSV-1: muito comum (oral). IgG+ HSV-2: genital — maioria assintomática. IgM de baixa especificidade — evitar para diagnóstico agudo (preferir PCR lesão).
Hepatite A — Anti-HAV Total / IgMAnti-HAV Total: reagente (imune/vacinado)
Anti-HAV IgM: não reagente
Anti-HAV IgM+: hepatite A aguda — notificação compulsória. Anti-HAV Total+ / IgM-: imunidade (vacinação ou infecção passada). Anti-HAV Total-: suscetível → vacinar.
Hepatite B — PainelVer tabela de padrões abaixo⚠ NOTIFICAÇÃO HBsAg+: infectado (agudo ou crônico). Anti-HBs >10 mUI/mL: imune. Anti-HBc IgM+: fase aguda. Anti-HBc Total+ / HBsAg-: infecção passada/resolvida ou janela.
Hepatite C — Anti-HCVNão reagente⚠ NOTIFICAÇÃO Anti-HCV+: confirmar com PCR HCV RNA (carga viral). Sorologia positiva não diferencia infecção ativa de curada. Janela imunológica: 8–12 semanas.
Sífilis — VDRL / RPRNão reagenteTeste não treponêmico — confirmar com FTA-Abs ou TPHA se reagente. VDRL permanece positivo por meses após tratamento (queda de 4× em 6 meses = cura). VDRL negativo não exclui sífilis recente (janela). Notificação compulsória.
Sífilis — FTA-Abs / TPHA / CMIANão reagenteTeste treponêmico — confirmatório e permanece reagente para toda a vida mesmo após tratamento. Não usar para acompanhamento de cura (usar VDRL/RPR).
Dengue — NS1 / IgM / IgGTodos: não reagentesNS1: positivo do 1º ao 5º dia de febre (antígeno viral). IgM: positivo a partir do 5º–6º dia. IgG: positivo indica infecção anterior (risco de dengue grave em novo sorotipo). PCR: padrão-ouro nos primeiros 5 dias. Notificação compulsória.
Chagas — IgG (2 métodos)Não reagente (em ambos os métodos)Diagnóstico exige 2 testes de princípios diferentes (ELISA + RIFI ou ELISA + HAI). Discordância: terceiro teste confirmatório. Crianças <9 meses: sorologia inválida (IgG materna). Notificação compulsória.
Leishmaniose visceral — rK39 ELISANão reagenteAlta sensibilidade (>95%) para calazar. Confirmar com mielograma (parasitológico) em casos duvidosos. Reação cruzada possível com Chagas e outras leishmanioses. Notificação compulsória.
HTLV I e IINão reagenteTriagem obrigatória em doadores de sangue. Confirmação por Western Blot. HTLV-1: associado a leucemia/linfoma de células T do adulto (ATLL) e paraparesia espástica tropical (HAM/TSP). Notificação compulsória.
EBV — Anti-VCA IgM/IgG, Anti-EBNAAnti-VCA IgM: não reagente
Anti-VCA IgG: pode ser reagente
Anti-EBNA: reagente em imunes
VCA IgM+: mononucleose infecciosa aguda. EBNA-: infecção primária recente. EBNA+: infecção passada. Heterófilo (Paul-Bunnell): positivo em >80% dos adultos com mono. Monitorar em imunossuprimidos (risco de linfoma EBV+).
🟡 Painel Hepatite B — Interpretação Combinada
HBsAgAnti-HBsAnti-HBc TotalAnti-HBc IgMInterpretação
Suscetível — nunca infectado, sem vacinação. Vacinar.
>10 mUI/mLImune por vacinação — anti-HBs isolado = resposta vacinal.
±+Infecção resolvida — imune por infecção natural. Anti-HBs pode desaparecer com o tempo.
+++⚠ Hepatite B Aguda — infecção recente. Notificar. Monitorar HBeAg, DNA HBV, enzimas hepáticas.
++⚠ Hepatite B Crônica — HBsAg+ por >6 meses. Dosar HBeAg, Anti-HBe, DNA HBV, ALT. Notificar.
++Janela imunológica — infecção recente entre desaparecimento de HBsAg e surgimento de Anti-HBs. Repetir em 3–4 semanas.
🛡️ Autoanticorpos & Doenças Autoimunes
ExameReferênciaAssociação Clínica
FAN (ANA — Fator Antinuclear)Não reagente ou <1:80≥1:80: investigar doenças autoimunes sistêmicas. Alta sensibilidade para LES (95–99%), mas baixa especificidade. Padrão (homogêneo, pontilhado, nucleolar) orienta o diagnóstico. 5–15% da pop. normal pode ter FAN positivo em baixos títulos.
Anti-DNA dupla hélice (Anti-dsDNA)Não reagenteAlta especificidade para LES (95%). Títulos correlacionam com atividade da doença e nefrite lúpica. Monitorar durante seguimento de LES.
Anti-SmNão reagenteMuito específico para LES (99%), mas pouco sensível (25–30%). Positivo confirma LES. Associado a maior risco de nefrite.
Anti-SSA (Ro) / Anti-SSB (La)Não reagenteSíndrome de Sjögren (anti-SSA+SSB juntos). Anti-SSA isolado: LES, bloqueio cardíaco congênito neonatal. Rastrear em gestantes com LES/Sjögren.
Anti-Scl-70 (Anti-topoisomerase I)Não reagenteEsclerodermia sistêmica difusa. Associado a fibrose pulmonar e pior prognóstico. Altamente específico.
Anti-centrômeroNão reagenteEsclerodermia limitada (CREST síndrome). Associado a hipertensão pulmonar. Melhor prognóstico que anti-Scl-70.
FR (Fator Reumatoide)<20 UI/mLArtrite Reumatoide (70–80% de sensibilidade). Inespecífico — elevado em hepatites, Sjögren, crioglobulinemia, idosos. Usar junto com Anti-CCP para diagnóstico.
Anti-CCP (Anti-peptídeo citrulinado)<20 U/mLAlta especificidade para AR (95–98%). Pode ser positivo anos antes dos sintomas. Associado a doença erosiva agressiva. Preferir ao FR isolado.
ANCA (c-ANCA / p-ANCA)Não reagentec-ANCA (anti-PR3): Granulomatose de Wegener. p-ANCA (anti-MPO): poliangiite microscópica, Churg-Strauss, glomerulonefrite necrotizante. Confirmar com ELISA específico (anti-PR3, anti-MPO).
Anti-fosfolípide (APL) — Anticardiolipina IgG/IgMIgG: <20 GPL-U/mL | IgM: <20 MPL-U/mLSíndrome Antifosfolipídica (SAF): trombose + perda fetal + APL persistente (2 dosagens com >12 semanas de intervalo). Associado a LES. Interferência no TTPa (prolongado).
Anti-Mi-2 / Anti-Jo-1 / Anti-MDA5 (Miosite)Não reagenteDermatomiosite/Polimiosite. Anti-Jo-1: síndrome antissintetase (fibrose pulmonar + artrite + mãos de mecânico). Anti-MDA5: dermatomiosite amiopática + pneumonia intersticial grave. Painel de miosite em painéis específicos.
Anti-Tireoperoxidase (Anti-TPO)<35 UI/mLTireoidite de Hashimoto, doença de Graves. Rastreamento em gestantes com hipotireoidismo. Titulação não correlaciona com gravidade.
🔬 Complemento & Imunoglobulinas Séricas
ExameReferênciaInterpretação Clínica
C390–180 mg/dLReduzido em: LES ativo (especialmente nefrite), glomerulonefrite membranoproliferativa (GNMP), endocardite, crioglobulinemia, HAE (angioedema). Proteína de fase aguda — pode estar normal ou elevado em infecção/inflamação mesmo com consumo.
C416–47 mg/dLMais sensível que C3 para atividade lúpica. Muito reduzido em: LES, deficiência congênita de C4, angioedema hereditário (HAE tipo I/II — C4 consumido cronicamente).
CH50 (Complemento Hemolítico Total)150–250 U/mLAvalia integridade da via clássica (C1–C9). <10% do normal: deficiência de componente terminal (C5–C9) — risco de infecções por Neisseria. Útil para triagem de imunodeficiências do complemento.
IgG sérica700–1.600 mg/dLReduzida: imunodeficiência comum variável (IDCV), mieloma (por supressão). Elevada: infecção crônica, cirrose, doenças autoimunes, gamopatia monoclonal (MM, Waldenström).
IgA sérica70–400 mg/dLDeficiência seletiva de IgA: mais comum imunodeficiência primária (1:500). Elevada: doença celíaca (IgA anti-tTG), cirrose, infecções mucosas crônicas. Dosar antes de anti-tTG (deficiência de IgA causa falso-negativo).
IgM sérica40–230 mg/dLMuito elevada isoladamente: macroglobulinemia de Waldenström. Elevada + hepatopatia: cirrose biliar primária. Reduzida: imunodeficiência, uso de rituximabe. IgM >3 g/dL: risco de hiperviscosidade.
IgE total<100 UI/mL (adultos)Elevada em: atopia (asma, rinite, dermatite atópica), parasitoses, síndrome de Hiper-IgE (Job). IgE específica (RAST): diagnóstico de alergia mediada por IgE. IgE normal não exclui alergia.
📋 Conceitos Essenciais
Janela Imunológica

Período entre a infecção e o aparecimento de anticorpos detectáveis. Durante a janela, o resultado sorológico é negativo mesmo com infecção ativa.

Exemplos: HIV 4ª geração: ~18 dias | HCV: 8–12 semanas | Sífilis: 3–6 semanas | HBV: 6–8 semanas.

Janela imunológica não é janela virológica — o agente já pode ser detectado por PCR antes dos anticorpos.

🔁
Reação Cruzada

Anticorpos produzidos contra um antígeno reagem com antígenos similares de outros agentes. Causa falsos-positivos em sorologias.

Exemplos: VDRL falso-positivo em LES, gestação, malária | Anti-HCV falso-positivo em hipergamaglobulinemia | FAN positivo em infecções virais.

Sempre confirmar resultados positivos com métodos confirmatórios de maior especificidade.

📊
Sensibilidade vs Especificidade

Alta sensibilidade (triagem): detecta todos os positivos, mas gera mais falsos-positivos. Usado para rastreamento — "não deixar escapar" (HIV, HCV).

Alta especificidade (confirmação): confirma os positivos com maior certeza. Western Blot, FTA-Abs, RIFI — usados para confirmar triagem positiva.

Estratégia: triagem sensível → confirmação específica.

⚠️
Notificação Compulsória — Sorologias

No Brasil, os seguintes resultados positivos exigem notificação compulsória imediata ao SINAN:

HIV · Hepatite B (HBsAg+) · Hepatite C (Anti-HCV+) · Sífilis adquirida/gestacional/congênita · HTLV · Hepatite A aguda · Dengue · Leishmaniose · Doença de Chagas aguda.

Laboratório é co-responsável pela notificação junto ao médico solicitante.

Setor 06 · Hemostasia
Coagulação & Fibrinólise
Provas de coagulação, interpretação combinada TP/TTPa e notas críticas de bancada
Provas de Coagulação
ParâmetroReferênciaContexto Clínico
TP / TAP10–14 sVia extrínseca + comum (VII, II, V, X, fibrinogênio). Prolongado: vit. K, hepatopatia, varfarina, CIVD
INR0,8–1,2Alvo terapêutico: 2,0–3,0 (maioria) | 2,5–3,5 (prótese valvar)
CRÍTICO INR >5,0: risco de sangramento espontâneo
TTPa25–35 sVia intrínseca (XII, XI, IX, VIII) + comum. Prolongado + TP normal: hemofilia A/B, anticoagulante lúpico
Fibrinogênio200–400 mg/dLCRÍTICO <100 Risco de sangramento | <50 Transfusão de crioprecipitado indicada
Dímero-D<500 ng/mLAlta sensibilidade, baixa especificidade. Negativo exclui TVP/TEP com alto VPN
Antitrombina III80–120%Diminuída: trombofilia hereditária, CIVD, hepatopatia, heparina
Interpretação Combinada TP / TTPa
PadrãoTPTTPaPlaquetasProvável Causa
NormalNormalNormalNormalSem alteração hemostática significativa
Defic. Vitamina K / Varfarina↑↑Normal/↑NormalVarfarina, má absorção, colestase, antibióticos prolongados
Hepatopatia parenquimatosaNormal/↓Cirrose, hepatite fulminante, insuficiência hepática
CIVD↓↓Sepse, trauma, neoplasia, complicação obstétrica
Hemofilia A / BNormal↑↑NormalTeste de mistura corrige → deficiência de fator
Anticoagulante LúpicoNormal↑↑NormalTeste de mistura NÃO corrige → inibidor. Associado a trombose
Heparina não fracionadaNormal/↑↑↑↑NormalTTPa dose-dependente. Reverter com protamina
Doença de von WillebrandNormal↑ (variável)NormalDosar FVIII, vWF:Ag, vWF:RCo para confirmação
Notas Críticas de Bancada
🧪
Coleta e Processamento

Tubo com citrato de sódio 3,2% (tampa azul claro), proporção 9:1 (sangue:citrato). Volume inadequado invalida o resultado.

Centrifugar a 2.500–3.000 rpm por 10–15 min em até 1h da coleta para obter PPP (plasma pobre em plaquetas).

⏱️
Tempo até Análise

Processar em até 2 horas da coleta. Se não for possível, congelar o plasma a -20°C (estável por até 2 semanas).

O fator V é lábil em temperatura ambiente; amostras tardias subestimam sua atividade.

🔍
Teste de Mistura (Mixing Test)

TTPa prolongado sem causa aparente → misturar com pool de plasma normal 1:1.

Corrige: deficiência de fator (hemofilia)
Não corrige: inibidor presente (anticoagulante lúpico ou anti-fator)

📊
Dímero-D: Interpretação

Resultado negativo (<500 ng/mL): alto VPN para exclusão de TVP/TEP em baixa-média probabilidade clínica.

Resultado positivo: inespecífico. Requer confirmação por imagem (eco-Doppler, angiotomografia).

Alertas · Comunicação Imediata
Valores Críticos
Laboratoriais
Situações de risco imediato que exigem comunicação ao médico responsável — Diretrizes CLSI, SBPC/ML, CAP 2025–2026
🔍
🔴
Protocolo de Comunicação
Todo valor crítico deve ser comunicado pessoalmente ou por telefone ao médico ou enfermagem responsável, com registro do nome do receptor, horário e assinatura do bioquímico/biomédico responsável. Prazo máximo de comunicação: 30 minutos após a liberação do resultado (SBPC/ML 2024).
🩸 Hematologia
HEMOGLOBINA
< 7,0 g/dL
Anemia grave — risco de hipóxia tecidual. Avaliar necessidade transfusional imediata
HEMOGLOBINA
> 20,0 g/dL
Policitemia grave — risco de trombose, hiperviscosidade
HEMATÓCRITO
< 20% ou > 60%
Anemia grave ou policitemia — monitoramento imediato
LEUCÓCITOS
< 2.000/μL
Leucopenia grave — risco de infecção oportunista. Avaliar neutrófilos
LEUCÓCITOS
> 30.000/μL
Leucocitose grave — investigar infecção grave, leucemia. Diferencial obrigatório
NEUTRÓFILOS
< 500/μL
Neutropenia grave — risco de infecção bacteriana fatal. Avaliar isolamento
PLAQUETAS
< 50.000/μL
Risco de sangramento significativo — restringir procedimentos invasivos
PLAQUETAS
< 20.000/μL
Alerta crítico — risco de sangramento espontâneo. Transfusão pode ser indicada
PLAQUETAS
> 1.000.000/μL
Trombocitose extrema — risco de trombose ou sangramento paradoxal
BLASTOS
Qualquer presença
Sugere leucemia aguda ou SMD — confirmação em lâmina obrigatória
PROMIELÓCITOS
Presença
LMA-M3 (leucemia promielocítica) → alto risco de CIVD. Emergência hematológica
VCM
< 60 fL ou > 125 fL
Microcitose extrema (Fe/talassemia) ou macrocitose grave (B12/folato/hepatopatia)
🧪 Bioquímica
GLICOSE
< 50 mg/dL
Hipoglicemia grave — risco de dano neurológico. Reposição imediata
GLICOSE
> 500 mg/dL
Hiperglicemia grave — investigar CAD ou EHH. Insulinização urgente
UREIA
> 200 mg/dL
Uremia grave — avaliar diálise. Sintomas: encefalopatia, pericardite urêmica
CREATININA
> 4,0 mg/dL
IRA ou DRC avançada — avaliar TFG, diálise. Ajustar doses de medicamentos
TFG (CKD-EPI)
< 15 mL/min/1,73m²
DRC estágio G5 — falência renal. Preparação para terapia renal substitutiva
ÁCIDO ÚRICO
> 13 mg/dL
Hiperuricemia grave — síndrome de lise tumoral, nefropatia por uratos
ALT / TGP
> 3× LSN (~120 U/L)
Lesão hepatocelular significativa — investigar hepatite viral, tóxica, isquêmica
ALT / TGP
> 10× LSN (>400 U/L)
Hepatite aguda grave — hepatite viral fulminante, isquemia hepática
AST / TGO
> 10× LSN
Hepatite aguda, infarto hepático, rabdomiólise grave
BILIRRUBINA TOTAL
> 15 mg/dL (adulto)
Icterícia grave — investigar obstrução biliar, hemólise maciça, hepatite fulminante
BILIRRUBINA INDIRETA (RN)
> 15–20 mg/dL (neonato)
Risco de kernicterus — fototerapia ou exsanguinotransfusão conforme protocolo
ALBUMINA
< 2,0 g/dL
Hipoalbuminemia grave — edema, ascite, risco de toxicidade medicamentosa (drogas ligadas à proteína)
PROTEÍNA TOTAL
< 4,0 g/dL
Desnutrição grave ou síndrome nefrótica — risco de edema e imunossupressão
TRIGLICÉRIDES
> 500 mg/dL
Risco de pancreatite aguda — suspender fatores precipitantes, jejum, fibrato
TRIGLICÉRIDES
> 1.000 mg/dL
Hipertrigliceridemia grave — pancreatite iminente. Hospitalização para tratamento
LDL-COLESTEROL
> 190 mg/dL
Hipercolesterolemia familiar provável — risco cardiovascular muito alto. Estatina de alta intensidade
AMILASE
> 3× LSN (>300 U/L)
Pancreatite aguda — menos específica que lipase. Pico em 2–12h
LIPASE
> 3× LSN (>180 U/L)
Pancreatite aguda confirmada — melhor marcador. Permanece elevada 7–14 dias
FERRO SÉRICO
> 200 μg/dL
Intoxicação por ferro ou hemocromatose — risco de lesão hepática e cardíaca
FERRITINA
> 1.000 ng/mL
Síndrome hemofagocítica, hemocromatose, sepse grave, hepatite — investigar causa
VITAMINA B12
< 150 pg/mL
Deficiência grave — neuropatia irreversível, anemia megaloblástica. Reposição urgente
ÁCIDO FÓLICO
< 2,0 ng/mL
Deficiência grave — anemia megaloblástica, risco de DTN em gestantes
💨 Gasometria Arterial
pH ARTERIAL
< 7,20
Acidemia grave — depressão miocárdica, arritmias, vasodilatação. Tratar causa base
pH ARTERIAL
< 6,90 ou > 7,70
Acidemia ou alcalemia extrema — risco de vida imediato
pCO₂
< 20 mmHg
Hiperventilação extrema — alcalose respiratória grave, vasoconstrição cerebral
pCO₂
> 70 mmHg
Hipercapnia grave — narcose por CO₂, falência respiratória. Ventilação urgente
pO₂
< 50 mmHg
Hipoxemia grave — risco iminente de parada respiratória. O₂ suplementar ou IOT
SatO₂
< 85%
Hipoxemia crítica — intervenção ventilatória imediata
HCO₃⁻
< 10 mEq/L
Acidose metabólica grave descompensada — CAD, acidose lática, intoxicação
HCO₃⁻
> 40 mEq/L
Alcalose metabólica grave — vômitos prolongados, uso excessivo de diuréticos
BASE EXCESS (BE)
< -10 mEq/L
Déficit de base grave — acidose metabólica descompensada. Avaliar lactato
LACTATO ARTERIAL
> 4,0 mmol/L
Choque — mortalidade elevada. Bundle de sepse imediato (Surviving Sepsis 2021)
⚡ Eletrólitos
SÓDIO (Na⁺)
< 120 mEq/L
Hiponatremia grave — edema cerebral, convulsão. Correção: máx. 10–12 mEq/L/dia
SÓDIO (Na⁺)
> 160 mEq/L
Hipernatremia grave — hemorragia cerebral, trombose venosa
POTÁSSIO (K⁺)
< 2,5 mEq/L
Hipocalemia grave — paralisia, arritmias ventriculares, risco de PCR
POTÁSSIO (K⁺)
> 6,5 mEq/L
Hipercalemia grave — ECG urgente, gluconato de cálcio, kayexalate, diálise
CÁLCIO IONIZADO
< 0,80 mmol/L
Hipocalcemia grave — tetania, laringoespasmo, convulsão. Gluconato de cálcio EV
CÁLCIO IONIZADO
> 1,65 mmol/L
Hipercalcemia grave — crise hipercalcêmica, arritmias, coma. Hidratação + furosemida
MAGNÉSIO (Mg²⁺)
< 1,0 mg/dL
Hipomagnesemia grave — arritmias refratárias, convulsão. Reposição EV urgente
MAGNÉSIO (Mg²⁺)
> 5,0 mg/dL
Hipermagnesemia grave — paralisia respiratória, depressão do SNC
FÓSFORO (P)
< 1,0 mg/dL
Hipofosfatemia grave — síndrome de realimentação, desmame ventilatório difícil
CLORO (Cl⁻)
< 80 mEq/L
Hipocloremia grave — alcalose metabólica grave, vômitos prolongados
🩹 Hemostasia & Coagulação
INR
> 3,5 (sem anticoagulação)
Coagulopatia grave — risco de sangramento. Revisar causa e medicações
INR
> 5,0
Alerta crítico — sangramento espontâneo iminente. Vitamina K ± plasma fresco
TP / TAP
> 25 segundos (sem anticoag.)
Coagulopatia significativa — hepatopatia grave, deficiência de vitamina K, CIVD
TTPa
> 2× controle (~70–80 s)
Hemofilia, inibidor, heparinização excessiva. Risco hemorrágico aumentado
FIBRINOGÊNIO
< 100 mg/dL
Coagulopatia grave — CIVD, hepatopatia grave, fibrinólise primária
FIBRINOGÊNIO
< 50 mg/dL
Hemorragia maciça iminente — crioprecipitado indicado urgentemente
D-DÍMERO
> 5× LSN
TEP/TVP provável ou CIVD — investigação imediata com imagem
🔴 PADRÃO CIVD
TP↑ + TTPa↑ + Plaq↓ + Fibrinogênio↓ + D-Dímero↑↑
Coagulação Intravascular Disseminada — emergência hematológica. Notificação imediata
🦋 Endocrinologia
TSH
< 0,01 mUI/L
Hipertireoidismo grave — investigar crise tireotóxica (tempestade tireoidiana)
TSH
> 20 mUI/L
Hipotireoidismo grave — risco de coma mixedematoso em idosos
T4 LIVRE
> 4,0 ng/dL
Tireotoxicose grave — risco de tempestade tireoidiana, FA, IC de alto débito
GLICOSE (jejum)
< 50 mg/dL
Hipoglicemia grave — neuroglicopenia, convulsão, coma. Glicose EV imediata
GLICOSE
> 600 mg/dL
Estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH) — desidratação grave, coma
HEMOGLOBINA GLICADA (HbA1c)
> 14%
Descontrole diabético extremo — risco elevado de complicações agudas e crônicas
CORTISOL (basal)
< 3 μg/dL (8h)
Insuficiência adrenal grave — crise addisoniana. Hidrocortisona EV urgente
PTH
> 500 pg/mL
Hiperparatireoidismo grave — hipercalcemia sintomática, osteíte fibrosa cística
INSULINA
> 25 μUI/mL (com hipoglicemia)
Hiperinsulinismo — insulinoma, hipoglicemia factícia por insulina
🛡️ Imunologia & Marcadores Inflamatórios
PCR QUANTITATIVA
> 100 mg/L
Infecção bacteriana grave ou vasculite sistêmica — investigação urgente
PROCALCITONINA
> 10 ng/mL
Sepse grave / choque séptico — antibioticoterapia e bundle de sepse imediato
VHS
> 100 mm/h
Inflamação/infecção grave, vasculite, mieloma múltiplo — investigar causa
FERRITINA
> 10.000 ng/mL
Síndrome hemofagocítica (SHF) — emergência imunológica. Mortalidade elevada sem tratamento
COMPLEMENTO C3
< 50 mg/dL
Consumo grave de complemento — LES ativo, glomerulonefrite membranoproliferativa
IgE TOTAL
> 2.000 UI/mL
Síndrome de Hiper-IgE, parasitoses graves, aspergilose broncopulmonar
❤️ Marcadores Cardíacos
TROPONINA I (hsTnI)
> Percentil 99
Injúria miocárdica — curva 0h/1h/2h obrigatória para diagnóstico de IAM
BNP
> 400 pg/mL
IC descompensada provável — internação e tratamento diurético urgente
NT-proBNP
> 900 pg/mL (<75a)
Alta probabilidade de IC aguda — avaliar internação e suporte hemodinâmico
CK-MB (massa)
> 5,0 ng/mL
Injúria miocárdica — complementar à troponina. Útil para reinfarto precoce
MIOGLOBINA
> 1.000 ng/mL
Rabdomiólise grave — IRA mioglobinúrica. Hidratação agressiva urgente
🔵 Urinálise & Função Renal
PROTEINÚRIA (24h)
> 3,5 g/24h
Síndrome nefrótica — investigar glomerulopatia, diabetes, LES. Risco de trombose
MICROALBUMINÚRIA
> 300 mg/g creatinina
Macroalbuminúria — nefropatia diabética/hipertensiva avançada. Nefroproteção urgente
RELAÇÃO PROTEÍNA/CREAT (urina)
> 3,5 mg/mg
Proteinúria nefrótica — investigação imediata de causa glomerular
CILINDROS HEMÁTICOS
Qualquer presença
Glomerulonefrite proliferativa ativa — nefrite lúpica, vasculite ANCA. Urgência nefrológica
CILINDROS GRANULOSOS
Presença ++ a +++
IRA estabelecida — necrose tubular aguda. Avaliar causa e diurese
GLICOSÚRIA
+++ sem hiperglicemia
Síndrome de Fanconi, tubulopatia renal — investigar causa não diabética
CETONÚRIA
+++ com glicosúria
Cetoacidose diabética — confirmar com gasometria. Insulina + hidratação urgente
pH URINÁRIO
< 4,5 ou > 9,0
pH extremo — acidose tubular renal (>7,0 persistente) ou alcalinização terapêutica
🚨 Outros Valores Críticos
β-HCG POSITIVO
> 5 mUI/mL (não gestante)
Gravidez ectópica em dor abdominal — emergência cirúrgica. USG imediata
LDH
> 3× LSN (>675 U/L)
Hemólise maciça, linfoma, infarto extenso — investigar causa sistêmica
ETANOL SÉRICO
> 300 mg/dL
Intoxicação alcoólica grave — depressão respiratória, aspiração. Monitoramento intensivo
AMÔNIA
> 150 μmol/L
Encefalopatia hepática grave — risco de herniação cerebral. Lactulose + restrição proteica
OSMOLARIDADE SÉRICA
> 320 mOsm/kg
Hiperosmolaridade grave — EHH, desidratação extrema, intoxicação por álcoois
ÁCIDO LÁTICO (LCR)
> 3,5 mmol/L
Meningite bacteriana ou fúngica — diferencia de meningite viral. Antibiótico urgente
GLICOSE (LCR)
< 40 mg/dL (ou <50% da glicemia)
Meningite bacteriana ou fúngica — hipoglicorraquia. Emergência neurológica
PROTEÍNA (LCR)
> 500 mg/dL
Meningite grave, abscesso, síndrome de Guillain-Barré — investigação neurológica urgente
🔴 Painel Rápido — Valores Críticos Essenciais
GLICOSE
<50 ou >500 mg/dL
Hipo ou hiperglicemia grave
POTÁSSIO
<2,5 ou >6,5 mEq/L
Arritmia grave — ECG imediato
SÓDIO
<120 ou >160 mEq/L
Risco neurológico grave
pH ARTERIAL
<6,90 ou >7,70
Risco de vida imediato
TROPONINA
> Percentil 99
IAM — curva 0h/1h/2h
LACTATO
> 4,0 mmol/L
Choque — bundle de sepse
PLAQUETAS
< 20.000/μL
Sangramento espontâneo
INR
> 5,0
Coagulopatia crítica
CREATININA
> 4,0 mg/dL
IRA grave — avaliar diálise
HEMOGLOBINA
< 7,0 g/dL
Anemia grave — avaliar transfusão
BLASTOS
Qualquer presença
Leucemia aguda — confirmação imediata
PCT
> 10 ng/mL
Sepse grave / choque séptico
Avaliação · Quiz Rápido
Teste Seus Conhecimentos
10 questões baseadas nas diretrizes 2025–2026.
Quiz — Valores de Referência
Selecione a alternativa correta em cada questão.
1/10
0/10
Acertos
Setor 07 · Emergência & UTI
Exames de Emergência
Marcadores críticos para plantão, pronto-socorro e UTI — valores de referência e alertas de comunicação imediata.
❤️ Marcadores Cardíacos
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Troponina I (hsTnI) H: <34 ng/L
M: <16 ng/L
(método de alta sensibilidade)
⚠ CRÍTICO Elevação acima do percentil 99 = injúria miocárdica. IAM tipo 1 exige curva (0h/1h/2h). Elevação isolada pode ocorrer em TEP, miocardite, sepse, IRC.
CK-MB (massa) <5,0 ng/mL (massa)
<6% da CK total (atividade)
Complementar à troponina. Pico em 12–24h, normaliza em 48–72h. Útil para detectar reinfarto precoce (segundo pico). Menos específica que troponina.
BNP <100 pg/mL ⚠ CRÍTICO 100–400: zona cinzenta. >400: IC descompensada provável. Elevado também em TEP, cor pulmonale, FA, IRC.
NT-proBNP <125 pg/mL (<75 anos)
<450 pg/mL (≥75 anos)
⚠ CRÍTICO >900 pg/mL: alta probabilidade de IC aguda. Meia-vida mais longa que BNP — útil para monitorização. Ajustar por faixa etária.
🔬 Perfusão Tecidual & Sepse
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Lactato Arterial <2,0 mmol/L ⚠ CRÍTICO 2–4 mmol/L: hipoperfusão — avaliar contexto. >4 mmol/L: choque — mortalidade elevada. Clearance de lactato >10% em 2h é meta terapêutica em sepse (Surviving Sepsis 2021).
Lactato Venoso <2,2 mmol/L Alternativa quando acesso arterial não disponível. Valores ~0,5 mmol/L maiores que o arterial. Útil para triagem rápida no pronto-socorro.
Procalcitonina (PCT) <0,1 ng/mL ⚠ CRÍTICO 0,1–0,5: baixo risco bacteriano. 0,5–2,0: possível infecção bacteriana. >2,0: alta probabilidade de sepse bacteriana. >10: sepse grave / choque séptico. Útil para guiar antibioticoterapia e alta hospitalar.
PCR Quantitativa <5,0 mg/L
(ou <1,0 mg/L de alta sensibilidade)
Inespecífica. 5–50: inflamação moderada. >50: infecção bacteriana, vasculite, IAM. >200: infecção grave / sepse. Pico em 48h — menos ágil que PCT para monitorização aguda.
⚡ Eletrólitos Críticos
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Sódio (Na⁺) 135–145 mEq/L ⚠ CRÍTICO <120: hiponatremia grave — risco de edema cerebral, convulsão. >160: hipernatremia grave — risco de hemorragia cerebral. Correção lenta: máx. 10–12 mEq/L/dia (hiponatremia crônica).
Potássio (K⁺) 3,5–5,0 mEq/L ⚠ CRÍTICO <3,0: hipocalemia grave — arritmias, paralisia. <2,5: risco de PCR. >6,0: hipercalemia grave — alterações no ECG, risco de FV. >7,0: emergência — ECG obrigatório.
Cloro (Cl⁻) 98–108 mEq/L Hipercloremia: acidose metabólica hiperclorêmica (AG normal). Hipocloremia: alcalose metabólica (vômitos, SNG, diuréticos). Interprete sempre junto ao Na⁺ e bicarbonato.
Cálcio Ionizado (Ca²⁺) 1,15–1,35 mmol/L
(4,6–5,4 mg/dL)
⚠ CRÍTICO <0,9: hipocalcemia grave — tetania, laringoespasmo, convulsão. >1,6: hipercalcemia grave — crise hipercalcêmica, ECG alterado. Preferir ionizado ao total em pacientes graves (hipoalbuminemia frequente).
Magnésio (Mg²⁺) 1,7–2,2 mg/dL
(0,7–0,9 mmol/L)
<1,2: hipomagnesemia grave — arritmias refratárias, convulsão, piora de hipocalemia/hipocalcemia. >4,0: hipermagnesemia — depressão neuromuscular. Critico em eclâmpsia e pré-eclâmpsia.
Fósforo (P) 2,5–4,5 mg/dL <1,0: hipofosfatemia grave — síndrome de realimentação, desmame ventilatório difícil, hemólise. >7,0: hiperfosfatemia grave — IRC, hipoparatireoidismo. Calcificar: Ca × P >55 → calcificação tecidual.
🧬 Lesão Tecidual & Enzimas
ExameReferênciaValores Críticos / Interpretação
Amilase <100 U/L >3× LSN: pancreatite aguda provável. Pico em 2–12h, normaliza em 3–5 dias. Menos específica que lipase — também elevada em parotidite, perfuração intestinal, IRC. Elevação isolada sem dor abdominal: baixa especificidade.
Lipase <60 U/L ⚠ CRÍTICO >3× LSN: pancreatite aguda — melhor marcador, maior sensibilidade e especificidade que amilase. Permanece elevada por 7–14 dias. Uso preferencial na emergência.
LDH (Lactato Desidrogenase) 135–225 U/L Marcador inespecífico de lesão celular. Elevado em: hemólise, IAM, TEP, hepatite, linfoma, neoplasias, meningite. Útil para monitorar hemólise (CIVD, PTT, anemia hemolítica). Diferenciação por isoenzimas (LDH1 > LDH2 = cardíaco).
Mioglobina H: <90 ng/mL
M: <65 ng/mL
⚠ CRÍTICO >1.000: rabdomiólise confirmada — risco de IRA mioglobinúrica. Aparece no sangue 1–3h após lesão muscular, pico em 6–12h. Urina escura (mioglobinúria) = sinal de alerta. Hidratação agressiva + monitorar diurese.
🔍 Outros Marcadores de Emergência
ExameReferênciaInterpretação Clínica
Beta-HCG (β-hCG) Não gestante: <5 mUI/mL
Gestante: varia por semana
⚠ EMERGÊNCIA Qualquer valor positivo em mulher com dor abdominal aguda: investigar gravidez ectópica (emergência cirúrgica). <1.500 mUI/mL com ausência de saco gestacional à USG: altamente sugestivo de ectópica.
Etanol Sérico 0,0 mg/dL (normal) 50–100 mg/dL: intoxicação leve. 100–200: intoxicação moderada — ataxia, disartria. 200–400: intoxicação grave — confusão, depressão respiratória. >400: risco de morte. Limite legal no Brasil (motoristas): 30 mg/dL. Converter: mg/dL ÷ 10 = ‰ (g/L).
Reticulócitos 0,5–2,0%
(25.000–100.000/μL)
Elevados: resposta medular adequada — hemólise, sangramento, reposição de Fe/B12. Baixos com anemia: falência medular, aplasia, IRC, deficiência nutricional sem resposta. IRF (fração de reticulócitos imaturos): >0,4 = alta atividade eritropoiética.
🔴 Resumo — Valores Críticos de Emergência
TROPONINA
> Percentil 99
Injúria miocárdica — curva obrigatória (0h/1h/2h)
BNP
> 400 pg/mL
IC descompensada provável — intervenção urgente
LACTATO
> 4,0 mmol/L
Choque — mortalidade elevada, bundle de sepse
PROCALCITONINA
> 10 ng/mL
Sepse grave / choque séptico
POTÁSSIO
> 6,0 ou < 3,0 mEq/L
Risco de arritmia grave — ECG imediato
SÓDIO
< 120 ou > 160 mEq/L
Hipo/hipernatremia grave — risco neurológico
CÁLCIO IONIZADO
< 0,9 ou > 1,6 mmol/L
Tetania ou crise hipercalcêmica
LIPASE
> 3× LSN (~180 U/L)
Pancreatite aguda — internação e suporte
MIOGLOBINA
> 1.000 ng/mL
Rabdomiólise — risco de IRA. Hidratação urgente
β-HCG POSITIVO
> 5 mUI/mL (não gestante)
Investigar gravidez ectópica em dor abdominal aguda
📋 Protocolos Rápidos
❤️
Protocolo IAM — Curva de Troponina

0h: Coleta na chegada. Se hsTn ≥ 5× LSN + clínica = IAM provável → não aguardar 1h.

1h: Delta absoluto >5 ng/L (hsTnI) = RULE IN. Delta <5 + valor <12 ng/L = RULE OUT (algoritmo ESC 2023).

3h: Alternativa se 1h não disponível. Delta >52% ou valor absoluto alto.

Sempre correlacionar com ECG, clínica e fatores de risco cardiovascular.

🦠
Bundle de Sepse — Hora 1 (SSC 2021)

1. Medir lactato — se >2 mmol/L, repetir em 2h para clearance.

2. Hemoculturas (2 pares) antes dos antibióticos.

3. Antibióticos de amplo espectro.

4. Cristaloide 30 mL/kg se hipotensão ou lactato >4.

5. Vasopressores se PAM <65 mmHg após reposição.

Hipercalemia — Conduta por Nível

K⁺ 5,5–6,0: Dieta hipopotassêmica, resinas, kayexalate. Monitorar.

K⁺ 6,0–6,5: ECG obrigatório. Se alterado: glicoinsulina + β2 agonista + furosemida.

K⁺ >6,5 ou ECG alterado: Gluconato de Ca²⁺ IV (estabilização), glicoinsulina, bicarbonato (se acidose), diálise se refratário.

💧
Rabdomiólise — Protocolo

Suspeitar quando: CK muito elevada (geralmente >1.000 U/L), urina escura, mioglobina >1.000 ng/mL.

Meta: Diurese ≥200–300 mL/h até urina clara.

Hidratação: SF 0,9% ou Ringer Lactato 1–1,5 L/h inicial.

Monitorar: Creatinina, K⁺, Ca²⁺, bicarbonato, balanço hídrico e ECG a cada 4–6h.

Setor · Oncologia & Genética
Marcadores Tumorais
& Genética Preventiva
Valores de referência, indicações, limitações e rastreamento genético — INCA 2023 · ASCO · NCCN 2024
⚠️
Uso Correto dos Marcadores Tumorais
Marcadores tumorais NÃO devem ser usados isoladamente para diagnóstico de câncer. São ferramentas de monitorização de resposta ao tratamento, detecção de recidiva e rastreamento em grupos de risco específicos. Resultados elevados exigem confirmação histopatológica.
🎗️ Marcadores Gastrointestinais
MarcadorReferênciaIndicação PrincipalInterpretação & Limitações
CEA (Antígeno Carcinoembrionário)<3,0 ng/mL (não fumante)
<5,0 ng/mL (fumante)
Monitorização de CCR, câncer de pulmão, mama, pâncreas, estômagoNÃO usar para diagnóstico. Principal uso: monitorar resposta ao tratamento do CCR e detectar recidiva pós-cirúrgica. Elevado em tabagismo, doença inflamatória intestinal, cirrose.
CA 19-9<37 U/mLMonitorização de câncer de pâncreas e vias biliaresSensibilidade 70–80% no câncer pancreático. FALSO-NEGATIVO em Lewis negativo (~10% da população). Elevado em colestase, pancreatite, cirrose, colangite. Usar junto com imagem (TC/RM).
CA 72-4<6,9 U/mLCâncer gástrico (adenocarcinoma)Monitorização e prognóstico do câncer gástrico. Complementar ao CEA. Menos interferência por benignidades que o CA 19-9.
AFP (Alfafetoproteína)<7,0 ng/mL (adultos)Hepatocarcinoma (CHC), tumores de células germinativas (testículo, ovário)>400 ng/mL em paciente cirrótico com nódulo: diagnóstico de CHC altamente provável. Na gestação: elevação fisiológica. Elevado em hepatites virais ativas, cirrose. Monitorar a cada 6 meses em cirróticos.
CA 50<17 U/mLPâncreas, cólon, fígadoMenos específico que CA 19-9. Alternativo em pacientes Lewis negativos. Uso restrito em poucos laboratórios.
🎗️ Marcadores Ginecológicos
MarcadorReferênciaIndicação PrincipalInterpretação & Limitações
CA 125<35 U/mLMonitorização de câncer de ovário epitelialSensibilidade 80% no câncer de ovário avançado, apenas 50% no estágio I. Elevado em endometriose, miomatose, doença inflamatória pélvica, gestação, hepatite. NÃO usar como rastreamento populacional. Útil no seguimento pós-tratamento.
HE4 (Proteína Epididimal Humana 4)Pré-menopausa: <70 pmol/L
Pós-menopausa: <140 pmol/L
Diagnóstico diferencial de massas ovarianas + CA 125 (algoritmo ROMA)Mais específico que CA 125 isolado. Não elevado em endometriose. Algoritmo ROMA (CA 125 + HE4 + menopausa) tem VPP >90% para malignidade.
CA 15-3<30 U/mLMonitorização de câncer de mama metastáticoNÃO usar para diagnóstico ou rastreamento. Útil para monitorar resposta ao tratamento na doença metastática. Elevado em hepatite, cirrose, doenças benignas da mama.
CA 27-29<38 U/mLAlternativo ao CA 15-3 no câncer de mamaSemelhante ao CA 15-3. Alguns protocolos preferem CA 27-29 por maior sensibilidade na doença precoce.
β-hCG (quantitativo)Não gestante: <5 mUI/mLTumor trofoblástico gestacional (TTG), coriocarcinoma, tumor misto de células germinativasMarcador de TTG com alta sensibilidade. Monitorar semanalmente após tratamento (deve negativar). Elevação em homens: tumor testicular de células germinativas misto.
SCC (Antígeno do Carcinoma de Células Escamosas)<1,5 ng/mLCâncer de colo uterino, vulva, vagina, pulmão escamoso, cabeça e pescoçoCorrelaciona com tamanho tumoral e estadiamento no câncer cervical. Útil para monitorar recidiva. Elevado em psoríase, insuficiência renal, hepatopatia.
🎗️ Marcadores Prostáticos & Urológicos
MarcadorReferênciaInterpretação
PSA Total<2,5 ng/mL (40–49a)
<3,5 ng/mL (50–59a)
<4,0 ng/mL (60–69a)
<6,0 ng/mL (>70a)
Rastreamento de câncer de próstata (anual a partir de 45–50a, ou 40a em alto risco). PSA entre 4–10: "zona cinzenta" — solicitar PSA livre. >10: alto risco de malignidade.
PSA Livre / PSA Total (%)>25%: baixo risco
15–25%: intermediário
<15%: alto risco
%PSA livre <15% na zona cinzenta (4–10 ng/mL) → alta suspeita de adenocarcinoma → biópsia. HBP (hiperplasia): %PSA livre geralmente alto (>25%).
Velocidade do PSA<0,75 ng/mL/anoAumento >0,75 ng/mL/ano = elevação suspeita independente do valor absoluto. Requer 2–3 medições ao longo de 1,5–2 anos no mesmo método.
Densidade do PSA<0,15 ng/mL/cm³PSA / volume prostático (USG transretal). >0,15: indicação de biópsia mesmo com PSA na zona cinzenta.
NSE (Enolase Neurônio-Específica)<12,5 ng/mLCâncer de pulmão de pequenas células (CPPC), neuroblastoma, tumores neuroendócrinos. Monitorar resposta ao tratamento e detectar recidiva do CPPC.
Cromogranina A (CgA)<100 ng/mL (varia por método)Tumores neuroendócrinos (TNE) — carcinoide, feocromocitoma, APUD. Marcador de volume tumoral. Elevado em uso de IBP (falso-positivo). Dosar com paciente sem IBP por 2 semanas.
🎗️ Marcadores Hematológicos & Outros
MarcadorReferênciaIndicação & Interpretação
Beta-2 Microglobulina (β2M)<2,4 mg/LMieloma múltiplo (estadiamento ISS), linfoma não-Hodgkin, leucemia linfocítica crônica. ISS: β2M <3,5 + albumina ≥3,5 = estadio I. Elevada também em IRC e infecções.
LDH (prognóstico oncológico)<225 U/LMarcador de carga tumoral e prognóstico em linfomas, leucemias, melanoma, tumores de células germinativas. LDH elevada = doença avançada/agressiva. Não específica para neoplasia.
Proteína de Bence-Jones (urina)AusenteMieloma múltiplo (cadeias leves livres monoclonais na urina). Detectada por eletroforese de proteínas urinárias ou imunofixação. Nefrotóxica — "rim do mieloma".
Cadeias Leves Livres (FLC kappa/lambda)Kappa: 3,3–19,4 mg/L
Lambda: 5,7–26,3 mg/L
Razão κ/λ: 0,26–1,65
Diagnóstico e monitorização de mieloma múltiplo, amiloidose AL, MGUS. Razão κ/λ anormal: suspeita de gammopatia monoclonal. Mais sensível que proteína de Bence-Jones.
Cyfra 21-1<3,3 ng/mLCâncer de pulmão não de pequenas células (NSCLC) — especialmente escamocelular. Prognóstico e monitorização. Elevado em IRF e hepatopatia.
CA 242<20 U/mLPâncreas e cólon. Complementar ao CA 19-9 com melhor especificidade. Menos afetado por icterícia benigna.
TPA (Antígeno Polipeptídico Tissular)<130 U/LMarcador de proliferação celular. Útil em câncer de bexiga, mama e ovário. Pouco específico — elevado em doenças inflamatórias agudas.
💡
Módulos Separados Disponíveis
Genética Preventiva e Testes Moleculares & Biomarcadores foram movidos para módulos independentes com casos práticos de medicina preventiva. Acesse pelo menu lateral ou pela tela inicial.
📋 Guia Rápido — Qual Marcador Pedir?
🫀
Suspeita de câncer de pâncreas

1ª linha: CA 19-9 + CEA + AFP (excluir hepatocarcinoma)

Imagem: TC abdome com contraste + ecoendoscopia

Atenção: CA 19-9 pode ser falso-negativo em Lewis negativo. Se negativo, não excluir neoplasia.

🔵
Massa ovariana — benigna ou maligna?

Algoritmo ROMA: CA 125 + HE4 + status menopausal

ROMA >13,1% (pré-menopausa) ou >29,9% (pós-menopausa): alto risco → encaminhar para oncologia ginecológica

Endometriose: CA 125 pode estar elevado sem malignidade

🟡
Monitorização de câncer de cólon (CCR)

CEA pré-operatório: valor basal. Se elevado e não normaliza após ressecção = doença residual

Seguimento: CEA a cada 3 meses por 2 anos, depois semestral até 5 anos

CEA em ascensão: solicitar TC tórax/abdome/pelve para investigar metástase

🧬
Quando solicitar teste genético?

Critérios de alto risco: ≥3 casos de mesmo câncer na família | câncer em <50a | câncer bilateral | dois tumores primários no mesmo indivíduo | câncer em órgão incomum para o sexo

Encaminhar para: serviço de aconselhamento genético com geneticista clínico

Exame: painel multigênico de herança por NGS (sequenciamento de próxima geração)

Setor 10 · Medicina Preventiva
🧬 Genética Preventiva
Rastreamento de Síndromes Hereditárias
Painel de genes associados a cânceres hereditários, critérios de indicação, vigilância e casos práticos de impacto na medicina preventiva. Referências: NCCN 2024 · INCA · SBOC · ASCO.
ℹ️
Aconselhamento Genético Obrigatório
Todo teste genético para síndrome hereditária deve ser acompanhado de aconselhamento pré e pós-teste por profissional habilitado. Um resultado positivo indica risco aumentado — não diagnóstico de câncer — e orienta vigilância intensificada e medidas preventivas.
🧬 Painel de Genes e Síndromes Hereditárias
Gene / SíndromeCânceres AssociadosRisco EstimadoIndicação & Vigilância
BRCA1 / BRCA2
Mama-Ovário Hereditária
Mama, Ovário, Pâncreas, Próstata (BRCA2)Mama: 70–87% (BRCA1)
Ovário: 44–46%
Pâncreas: 2–7%
Indicado em: câncer mama <50a, bilateral, triplo-negativo, histórico familiar ≥2 casos. RM mama anual a partir de 25a. Ooforectomia preventiva após 35–40a.
MLH1, MSH2, MSH6, PMS2, EPCAM
Síndrome de Lynch
Cólon, Endométrio, Ovário, Estômago, UrotélioCCR: 40–80%
Endométrio: 40–60%
Ovário: 10–15%
CCR <50a, MSI-H no tumor, histórico familiar. Colonoscopia 1–2a a partir de 20–25a. Endoscopia alta anual se risco gástrico.
APC
Polipose Adenomatosa Familiar
Cólon (quase 100%), Duodeno, Estômago, TireoideCCR: ~100% sem tratamentoColonoscopia anual a partir de 10–15a. Colectomia profilática. Gastroduodenoscopia a cada 1–3a.
PALB2, CHEK2, ATM, RAD51C/D
Genes de risco moderado
Mama, OvárioMama: 20–50% (gene-dependente)RM mamária anual + mamografia. Individualizar por histórico familiar. Aconselhamento genético essencial.
VHL
Von Hippel-Lindau
Carcinoma renal células claras, Hemangioblastomas SNC/retina, FeocromocitomaCCR renal: 70%
Feocromocitoma: 10–20%
RM abdome + SNC anuais. Fundoscopia anual. Metanefrinas urinárias anuais.
RET
NEM-2 (Neoplasia Endócrina Múltipla)
Carcinoma Medular de Tireoide, Feocromocitoma, HiperparatireoidismoCMT: 95–100%
Feocromocitoma: 50%
Tireoidectomia profilática na infância (timing depende do éxon mutado). Calcitonina + CEA anuais.
STK11
Peutz-Jeghers
GI (cólon, estômago, ID), Mama, Ovário, Pâncreas, PulmãoRisco global: 85%Colonoscopia + endoscopia alta a cada 2–3a. Cápsula endoscópica. RM mama anual a partir de 25a.
CDKN2A (p16)
Melanoma Familial
Melanoma, Câncer de PâncreasMelanoma: 60–90%
Pâncreas: 15–20%
Dermoscopia anual. Fotoproteção rigorosa. RM/ecoendoscopia pancreática anual a partir de 40a.
TP53
Li-Fraumeni
Sarcoma, Mama, Adrenal, Leucemia, SNC (pan-tumoral)Câncer: >90% na vidaRM corpo inteiro anual. Evitar radioterapia (risco de câncer radioinduzido).
PTEN
Síndrome de Cowden
Mama, Tireoide, Endométrio, CCRMama: 85%
Tireoide: 35%
Endométrio: 28%
RM mamária anual a partir de 30–35a. USG + função tireoidiana anuais. Colonoscopia a cada 5a.
HOXB13
Próstata Hereditária
Próstata (forma agressiva precoce)Risco aumentado 3–5×PSA anual a partir de 40a. Biópsia com PSA em valores mais baixos do que na população geral.
🏥 Casos Práticos — Medicina Preventiva em Ação
Histórias reais que ilustram o impacto transformador dos testes genéticos antes do desenvolvimento do câncer
🧬
CASO 01 · BRCA1 · Mama/OvárioAna, 32 anos — Ooforectomia preventiva salva vida

Mãe e tia com câncer de mama e ovário. Teste genético identificou variante patogênica no BRCA1. Realizou mastectomia e ooforectomia profiláticas aos 35a. Aos 42a, duas primas que não fizeram o teste foram diagnosticadas com câncer de ovário avançado. Ana segue em acompanhamento — sem doença oncológica.

🔬
CASO 02 · Lynch (MLH1) · CólonCarlos, 28 anos — Pólipo retirado antes de virar câncer

Pai com CCR aos 44a, avô com câncer de endométrio. Painel Lynch positivo para MLH1. Colonoscopia de vigilância anual identificou 2 adenomas de alto grau aos 30a — ressecados endoscopicamente. Sem evolução para câncer. Colonoscopia seguida anualmente conforme protocolo NCCN.

👶
CASO 03 · RET · NEM-2ASofia, 4 anos — Tireoidectomia evita carcinoma medular

Pai com carcinoma medular de tireoide por variante no éxon 634 do RET. Teste neonatal positivo em Sofia. Tireoidectomia profilática realizada aos 3a de idade. Anatomopatológico mostrou ninhos microscópicos de células C hiperplásicas — doença pré-maligna. Sofia está curada e sem necessidade de radioterapia.

🏥
CASO 04 · PAF (APC) · CólonPedro, 14 anos — Colectomia profilática

Avô com colectomia por pólipos adenomatosos múltiplos. Teste em Pedro identificou variante no gene APC. Colonoscopia revelou >200 adenomas. Colectomia total realizada aos 16a — antes de qualquer transformação maligna. Sem câncer após 12 anos de seguimento. Irmão que recusou o teste foi diagnosticado com CCR aos 24a.

🫁
CASO 05 · VHL · RenalLucas, 26 anos — Tumor renal detectado em 1,2 cm

Tio submeteu-se à nefrectomia total por CCR renal bilateral. Diagnóstico de VHL na família. Lucas testado positivo. RM abdominal anual identificou nódulo renal de 1,2 cm aos 28a — tratado com crioablação percutânea, preservando o rim. Função renal normal. Continua em vigilância ativa com RM anual.

🌞
CASO 06 · CDKN2A · Melanoma + PâncreasMariana, 38 anos — Dupla prevenção

Pai com melanoma e avô com adenocarcinoma de pâncreas. Teste identificou variante em CDKN2A. Dermoscopia anual revelou nevo atípico removido com margens limpas — sem melanoma invasivo. Ecoendoscopia pancreática anual em acompanhamento sem alterações. Uso rigoroso de fotoproteção e vigilância dupla mantida.

🧪 Critérios para Indicação de Teste Genético
🚩
Sinais de alerta — quem testar?

• ≥3 casos do mesmo tipo de câncer na família

• Câncer diagnosticado em <50 anos

• Câncer bilateral (ex: mama bilateral)

• Dois tumores primários em um mesmo indivíduo

• Câncer em órgão incomum para o sexo (ex: mama em homem)

• Parente de 1º grau com variante patogênica conhecida

• Tumores raros: carcinoma medular de tireoide, carcinoma renal células claras jovem, sarcomas múltiplos

🔬
Tipo de exame genético

Painel multigênico por NGS: teste de escolha — analisa 20–100 genes simultaneamente. Sangue periférico ou saliva.

Sequenciamento de gene único: quando variante familiar já conhecida (mais barato).

Laudo: variante patogênica (positivo) | variante de significado incerto (VUS) | negativo

Prazo: 15–60 dias dependendo do laboratório.

📋
O que fazer após resultado positivo?

1. Aconselhamento genético com geneticista clínico

2. Iniciar protocolo de vigilância intensificada (gene-específico)

3. Oferecer teste a familiares de 1º grau (cascata familiar)

4. Discutir opções de cirurgia profilática quando indicada

5. Registro no Centro de Oncogenética de referência

Setor 11 · Medicina Preventiva & Oncologia de Precisão
🔬 Testes Moleculares
& Biomarcadores Preditivos
Biomarcadores que guiam terapia-alvo e imunoterapia com exemplos práticos de pacientes que se beneficiaram. Referências: ASCO · ESMO · FDA · ANVISA 2024.
💊
Oncologia de Precisão
Os testes moleculares identificam o "código genético do tumor" para direcionar o tratamento mais eficaz — evitando terapias desnecessárias e seus efeitos adversos. O perfil molecular é hoje obrigatório antes de qualquer decisão terapêutica em oncologia.
🧬 Biomarcadores Preditivos — Painel de Referência
Teste / BiomarcadorTumoresFinalidade & Impacto Terapêutico
MSI / dMMR
Instabilidade de Microssatélites
CCR, Endométrio, Gástrico, qualquer tumorMSI-H ou dMMR: indica imunoterapia (pembrolizumabe — aprovação pan-tumoral FDA). Rastreamento universal de Lynch em CCR.
KRAS / NRASCCR, Pulmão (NSCLC)Mutação em CCR: contraindicam anti-EGFR (cetuximabe, panitumumabe). KRAS G12C em pulmão: sotorasibe.
BRAF V600EMelanoma, CCR, Câncer de Tireoide, NSCLCMelanoma: vemurafenibe + cobimetinibe. CCR: encorafenibe + binimetinibe + cetuximabe.
EGFR (mutações de ativação)NSCLC (adenocarcinoma)Exons 19del ou L858R: osimertinibe (1ª linha). Exon 20 T790M (resistência): osimertinibe de 3ª geração.
ALK / ROS1 (fusões gênicas)NSCLC, alguns sarcomasALK: alectinibe, brigatinibe (superiores ao crizotinibe). ROS1: crizotinibe, entrectinibe.
HER2 (ERBB2)
IHQ / FISH / NGS
Mama, Gástrico, CCR, Pulmão, EndométrioHER2+: trastuzumabe ± pertuzumabe. HER2-low (IHQ 1+ ou 2+/FISH-): trastuzumabe-deruxtecan em mama.
NTRK (fusões TRK)Pan-tumoralLarotrectinibe e entrectinibe aprovados pan-tumoralmente. Taxa de resposta >75% independente da histologia.
PDL-1 (CPS / TPS)
22C3 ou SP263
NSCLC, TNBC, CCR, Bexiga, Cervical, GástricoCPS/TPS ≥1%, ≥10% ou ≥50% orienta uso de pembrolizumabe, atezolizumabe, nivolumabe (depende do contexto).
TMB (Carga Mutacional Tumoral)Pan-tumoral (NGS)TMB ≥10 mut/Mb: prediz resposta a pembrolizumabe. Aprovação FDA pan-tumoral para tumores sólidos refratários.
PIK3CAMama HR+/HER2-Mutação em exon 9 ou 20: alpelisibe (inibidor PI3Kα) + fulvestrante. Aprovação FDA/ANVISA.
FGFR2 / FGFR3Colangiocarcinoma, BexigaFusão FGFR2 em colangiocarcinoma: pemigatinibe, infigratinibe. FGFR3 mutado em bexiga: erdafitinibe.
ctDNA / Biópsia LíquidaPan-tumoral (sangue periférico)Detecta DNA tumoral circulante para monitoramento de resposta, resistência (ex: T790M no EGFR) e doença residual mínima.
🏥 Casos Práticos — Precisão Molecular que Muda Vidas
Exemplos de pacientes que se beneficiaram de testes moleculares antes ou durante o tratamento oncológico
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CASO 01 · EGFR L858R · PulmãoRoberto, 58 anos — Quimioterapia evitada

Adenocarcinoma de pulmão estágio IV. Sem história de tabagismo. Painel molecular identificou mutação EGFR L858R no exon 21. Iniciou osimertinibe oral ao invés de quimioterapia. Resposta completa em 3 meses, tomografia normalizada. Qualidade de vida preservada. Segue em tratamento 28 meses após diagnóstico.

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CASO 02 · MSI-H · CólonFernanda, 45 anos — Resposta completa com imunoterapia

CCR estágio IV com metástases hepáticas. Tumor MSI-H (Lynch sincrônico). Quimioterapia padrão mostrou progressão. Introdução de pembrolizumabe após identificação do MSI-H. Resposta completa às 16 semanas — metástases desapareceram. Paciente em remissão sem quimioterapia há 18 meses.

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CASO 03 · HER2-low · MamaCláudia, 52 anos — Nova categoria terapêutica

Câncer de mama HR+/HER2- metastático com progressão após 3 linhas. Reclassificação do HER2 por IHQ mostrou HER2 2+/FISH negativo — HER2-low. Indicação de trastuzumabe-deruxtecan. Resposta parcial significativa em 8 semanas. Benefício clínico contínuo por 14 meses — opção antes inexistente.

👦
CASO 04 · NTRK · Sarcoma raroMiguel, 7 anos — Tratamento pan-tumoral

Fibrossarcoma infantil com fusão ETV6-NTRK3. Tumor irressecável. Sem opções quimioterápicas eficazes. Painel NGS identificou fusão NTRK. Larotrectinibe oral (pan-tumoral) iniciado. Redução tumoral de 85% em 12 semanas. Cirurgia de resgate bem-sucedida. Miguel está em remissão completa há 2 anos.

🩸
CASO 05 · ctDNA · MonitoramentoBeatriz, 49 anos — Resistência detectada antes da progressão

NSCLC com EGFR 19del em tratamento com osimertinibe. ctDNA seriado detectou mutação T790M circulante 8 semanas antes de qualquer alteração clínica ou radiológica. Mudança de estratégia terapêutica antecipada. Progressão clínica evitada e sobrevida prolongada em comparação ao monitoramento por imagem convencional.

🎯
CASO 06 · PDL-1 · Pulmão Estágio IIIHumberto, 63 anos — Imunoterapia como 1ª linha

NSCLC estágio IIIB sem ressecção possível. PDL-1 TPS ≥50%. Sem mutações drivers (EGFR, ALK, ROS1). Pembrolizumabe como monoterapia de 1ª linha. Resposta completa confirmada na PET-CT com 6 meses. Remissão mantida 36 meses. Qualidade de vida preservada.

🔬
CASO 07 · PIK3CA · Mama MetastáticaVera, 61 anos — Combinação personalizada

Câncer mama HR+/HER2- metastático com progressão após letrozol + CDK4/6. NGS tumoral identificou mutação PIK3CA H1047R. Alpelisibe + fulvestrante iniciados. Redução mensurável das lesões em 12 semanas. Controle da doença por 11 meses além da expectativa com hormonioterapia convencional isolada.

🧫
CASO 08 · FGFR2 · ColangiocarcinomaJorge, 54 anos — Tumor raro com alvo molecular

Colangiocarcinoma intra-hepático irressecável. Gencitabina + cisplatina sem resposta. NGS identificou fusão FGFR2-BICC1. Pemigatinibe (inibidor FGFR) iniciado. Resposta parcial em 8 semanas — redução de 40% da lesão principal. Qualidade de vida notavelmente melhor que sob quimioterapia. Único tratamento disponível para esse perfil.

🔍 Quando Solicitar Cada Teste?
🫁
NSCLC — adenocarcinoma de pulmão

Painel mínimo obrigatório: EGFR · ALK (FISH ou IHQ) · ROS1 · BRAF · RET · MET · NTRK · PDL-1 · TMB

Preferencialmente por NGS amplo em tecido — ou biópsia líquida quando tecido insuficiente.

Resultado deve guiar 1ª linha antes de qualquer tratamento sistêmico.

🩺
Câncer colorretal (CCR)

Painel obrigatório: KRAS · NRAS (éxons 2, 3, 4) · BRAF V600E · MSI/dMMR · HER2

MSI-H: pembrolizumabe 1ª linha estágio IV ou neoadjuvante estágio II/III.

KRAS/NRAS selvagem: anti-EGFR (cetuximabe/panitumumabe) indicado.

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Câncer de mama metastático

HR+/HER2-: PIK3CA · ESR1 (em progressão) · germinal BRCA1/2

HER2+: HER2 por IHQ+FISH para estratificação (positivo vs. low)

TNBC: PDL-1 (CPS) · BRCA1/2 · TMB · MSI-H

📊
Qualquer tumor — TMB e MSI

Todo tumor sólido avançado ou metastático sem alvo molecular identificado deve ter TMB e MSI avaliados.

TMB ≥10 mut/Mb ou MSI-H: elegibilidade para pembrolizumabe pan-tumoral (aprovação FDA + ANVISA 2023).

Biópsia líquida (ctDNA) útil quando tecido insuficiente ou inacessível.

🔍 Consultar Valores · Humano
Valores de Referência Laboratoriais
Selecione o setor para acessar as tabelas de referência.
📚 Modo Aprender · Humano
Educação Laboratorial
Aprenda a interpretar exames com fluxogramas, padrões clínicos e casos práticos.
📚 Aprender · Hemograma
Hemograma Completo
Eritrograma, leucograma, plaquetas e interpretação clínica
🩸 Visão Geral 🔴 Eritrograma 🔵 Leucograma 🟡 Plaquetas 🟣 Anemias 📊 Fluxograma
🩸 O que é o Hemograma?
O HEMOGRAMA — 3 SÉRIES DO SANGUE ERITROGRAMA Série Vermelha Hb · Ht · VCM · HCM CHCM · RDW Transporte de O₂ LEUCOGRAMA Série Branca Neutrófilos · Linfócitos Monócitos · Eosinófilos Defesa Imunológica PLAQUETAS Trombócitos tampão 150.000–400.000/µL Hemostasia Primária
🔴 Eritrograma — Como interpretar o VCM
COMO INTERPRETAR O VCM Volume Corpuscular Médio — tamanho das hemácias ↓ VCM BAIXO Microcitose · < 80 fL 6 7 8 fL Causas comuns: Def. ferro · Talassemia Anemia de doença crônica ✓ VCM NORMAL Normocitose · 80–100 fL 6 7 ✓ 8 fL Causas de anemia normocítica: DRC · Doença crônica Hemólise · Sangramento agudo ↑ VCM ALTO Macrocitose · > 100 fL 6 7 8 fL Causas comuns: Def. B12 · Def. folato Alcoolismo · Hipotireoidismo
🔵 Leucograma — Fórmula Leucocitária
LEUCOGRAMA — FÓRMULA LEUCOCITÁRIA NORMAL 4.000 –11.000 /µL Neutrófilos 45–70% · 1.800–7.500/µL 1ª defesa bacteriana · desvio à esq. = infecção aguda Linfócitos 20–45% · 1.000–4.500/µL Imunidade específica · ↑ viral · atípicos = mono Monócitos 2–8% · 200–900/µL Fagocitose · ↑ infecções crônicas, TBC Eosinófilos 1–5% · 100–500/µL · ↑ alergia, parasitas Basófilos 0–1% · 0–100/µL 🚨 Neutrófilos < 500/µL → Neutropenia grave · Leucócitos > 30.000 → investigar leucemia
🟡 Plaquetas — Escala de Risco
PLAQUETAS — ESCALA DE RISCO CLÍNICO < 10k Hemorragia espontânea 10–50k Cirurgia contraindicada 50–150k Trombocitopenia moderada 150–400k ✓ NORMAL Hemostasia eficaz > 400k Trombocitose Risco trombótico Plaquetas BAIXAS — Causas • Infecções virais (dengue, HIV) • Doenças autoimunes (PTI, LES) • Quimioterapia / aplasia medular • CIVD / sepse (consumo) Plaquetas ALTAS — Causas • Resposta inflamatória aguda • Deficiência de ferro • Pós-cirúrgico / pós-sangramento • Trombocitemia essencial (clonal)
🟣 Padrões de Anemia
CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS Abordagem pelo VCM + Reticulócitos MICROCÍTICA VCM ↓ · HCM ↓ Hipocrômica Causas: ↳ Deficiência de ferro ↳ Talassemia ↳ Anemia crônica Pedir: ferritina, ferro sérico, TIBC eletroforese de Hb NORMOCÍTICA VCM normal Normocrômica Causas: ↳ DRC (↓EPO) ↳ Doença crônica ↳ Aplasia medular Pedir: reticulócitos, creatinina, PCR eritropoetina MACROCÍTICA VCM ↑ (> 100 fL) Megaloblástica Causas: ↳ Def. B12 / folato ↳ Alcoolismo ↳ Hipotireoidismo Pedir: B12, folato, TSH, esfregaço (hipersegmentação) RETICULÓCITOS Medula respondendo? ↑ Regenerativa Reticulócitos > 2% Hemólise · Sangramento Medula OK ↓ Arregenerativa Reticulócitos < 0,5% Def. ferro/B12/folato Aplasia · DRC Normal: 0,5–2,0%
📊 Fluxograma de Interpretação do Hemograma
FLUXOGRAMA — ABORDAGEM SISTEMÁTICA DO HEMOGRAMA 1. VERIFICAR HEMOGLOBINA Hb normal? → analise leucograma e plaquetas Hb ↓ = Anemia 2. CLASSIFICAR PELO VCM <80 Microcítica · 80–100 Normocítica · >100 Macrocítica ↓ Microcítica Ferro · Talassemia · ADC → pedir ferritina, ferro, TIBC = Normocítica DRC · Hemólise · Aplasia · Doença crônica → reticulócitos, creatinina, LDH ↑ Macrocítica B12 · Folato · Álcool → B12, folato, TSH 3. RETICULÓCITOS ↑ >2% = Regenerativa · ↓ <0,5% = Arregenerativa 4. LEUCOGRAMA Neutrófilos · Linfócitos · Eosinófilos · Blastos? 5. PLAQUETAS — <50k risco hemorrágico · >400k trombótico
📚 Aprender · Bioquímica
Bioquímica Sérica
Perfil hepático, renal, glicemia, lipídios e eletrólitos
🫀 Hepático 🫘 Renal 🍬 Glicemia 💛 Lipídios ⚡ Eletrólitos
🫀 Perfil Hepático — AST, ALT, GGT, FA, Bilirrubinas
PERFIL HEPÁTICO — MARCADORES DE LESÃO E COLESTASE Vesícula Fígado ~1,5 kg · maior glândula ALT ↑ AST ↑ GGT ↑ VALORES DE REFERÊNCIA Exame Referência Unid. ALT (TGP) 10–40 (M) / 7–35 (F) U/L AST (TGO) 10–40 U/L GGT 11–50 (M) / 7–32 (F) U/L Fosfatase Alcalina 44–147 U/L Bilirrubina total 0,3–1,2 mg/dL Albumina 3,5–5,5 g/dL Proteínas totais 6,0–8,0 g/dL ⚠ ALT mais específica p/ fígado · AST tbm eleva em músculo/coração GGT sensível a álcool · FA ↑ colestase e osso PADRÕES LABORATORIAIS HEPATOCELULAR ALT/AST ↑↑↑ GGT/FA Hepatite viral, esteatose, álcool, fármacos COLESTÁTICO ALT/AST GGT/FA ↑↑↑ Obstrução biliar, cálculos, colangite, medicamentos MISTO ALT/AST ↑↑ GGT/FA ↑↑ Cirrose, hepatite crônica, doença hepática avançada
🫘 Função Renal — Ureia, Creatinina, eTFG, SDMA
FUNÇÃO RENAL — FILTRAÇÃO GLOMERULAR Rim (corte) A. renal V. renal NÉFRON — UNIDADE FUNCIONAL Glomérulo / Bowman Túbulo proximal Alça de Henle Ducto coletor → urina Filtração ESTÁGIOS DRC (KDIGO) Estágio eTFG Descrição G1 ≥ 90 Normal/alto G2 60–89 Levemente ↓ G3a 45–59 Mod. ↓ G3b 30–44 Mod./grave G4 15–29 Gravemente ↓ G5 < 15 Falência renal VALORES DE REFERÊNCIA Ureia 15–45 mg/dL Creatinina 0,7–1,3 (M) 0,5–1,1 (F) mg/dL eTFG (CKD-EPI) > 60 mL/min/1,73m² 🚨 Valores Críticos Creatinina > 10 mg/dL → falência K⁺ > 6,5 mEq/L → risco cardíaco PROGRESSÃO DA DRC G1 G2 G3a G3b G4 G5 → Diálise
🍬 Glicemia — Diabetes, HbA1c e HOMA-IR
GLICEMIA E METABOLISMO DA GLICOSE GLICEMIA JEJUM 99 mg/dL 125 mg/dL 126 mg/dL Normal Pré-DM DM DM grave HbA1c — MEMÓRIA GLICÊMICA (90 dias) HbA1c % hemoglobina glicosilada <5,7% 5,7–6,4% 6,5–8% >8% Normal Pré-DM DM DM descomp. Glicemia Jejum Normal: 70–99 mg/dL HOMA-IR Resistência insulínica > 2,5 Insulina Jejum Normal: 2–20 µUI/mL
💛 Perfil Lipídico — Colesterol, LDL, HDL, TG
PERFIL LIPÍDICO — RISCO CARDIOMETABÓLICO ARTÉRIA SAUDÁVEL Lúmen amplo HDL alto · LDL baixo ATEROSCLEROSE Lúmen estreitado LDL alto · HDL baixo Placa lipídica VALORES DE REFERÊNCIA Exame Desejável Alto risco Colesterol total < 190 mg/dL ≥ 240 LDL ← "mau" < 130 mg/dL ≥ 160 HDL ← "bom" > 40(M) > 50(F) < 40 Triglicerídeos < 150 mg/dL ≥ 500 Não-HDL < 160 mg/dL ≥ 190 Fórmula de Friedewald: LDL = CT − HDL − (TG ÷ 5) Válida quando TG < 400 mg/dL 🚨 TG > 500 mg/dL → risco de pancreatite LDL < 70 mg/dL → meta em altíssimo risco CV IMPACTO NO RISCO CV LDL ↑ Aterogênico HDL ↑ Protetor TG ↑ Risco pancreatite
⚡ Eletrólitos — Sódio, Potássio, Cálcio, Magnésio
ELETRÓLITOS — EQUILÍBRIO HIDROELETROLÍTICO Na⁺ SÓDIO 136–145 mEq/L Função: Osmolaridade Volume extracelular Condução nervosa ↓ Hiponatremia Edema, SIADH, ICC ↑ Hipernatremia Desidratação, DI 🚨 <120 ou >160 → urgência K⁺ POTÁSSIO 3,5–5,0 mEq/L Função: Potencial de membrana Contração muscular Ritmo cardíaco ❤ ↓ Hipocalemia Diarreia, diurético, vômito ↑ Hipercalemia DRC, hemólise, IECA 🚨 <2,5 ou >6,5 → arritmia Ca²⁺ CÁLCIO 8,5–10,5 mg/dL Função: Contração muscular Coagulação sanguínea Matriz óssea (99%) ↓ Hipocalcemia Tetania, ↓PTH, ↓Vit D ↑ Hipercalcemia Hiperparatireoidismo, neo 🚨 <6,5 ou >13 → urgência Mg²⁺ MAGNÉSIO 1,7–2,4 mg/dL Função: +300 reações enzimáticas Síntese proteica/DNA Estabilidade muscular ↓ Hipomagnesemia Diarreia, diurético, álcool ↑ Hipermagnesemia DRC, antiácidos Mg 🚨 <1,0 → arritmia, tetania Hipocalemia + Hipomagnesemia frequentemente coexistem · Corrigir Mg para normalizar K⁺
📚 Aprender · Coagulação
Coagulação e Inflamação
TP/INR, TTPa, fibrinogênio, D-dímero, PCR, VHS e procalcitonina
🩸 Cascata 📋 Exames 🔎 D-Dímero ⚠️ CIVD 🔥 Inflamação
🩸 Cascata de Coagulação — Via Extrínseca e Intrínseca
CASCATA DE COAGULAÇÃO VIA EXTRÍNSECA Lesão tecidual Fator Tecidual + Fator VII Fator X ativado TP/INR VIA INTRÍNSECA Contato (XII, XI, IX, VIII) Superfície negativa Fator X ativado TTPa VIA COMUM Protrombina → TROMBINA Fibrinogênio → FIBRINA COÁGULO ESTÁVEL Plasmina (fibrinólise) D-Dímero ↑
📋 Exames de Coagulação — Referências e Interpretação
COAGULOGRAMA — VALORES E INTERPRETAÇÃO TP / INR 10–14 seg INR: 0,8–1,2 Via Extrínseca (VII, X, V, II) ↑ Anticoagulante (warfarina) ↑ Hepatopatia grave ↑ Deficiência vitamina K ↑ CIVD 🚨 INR > 4,0 → risco hemorrágico grave Meta terapêutica anticoag.: INR 2,0–3,0 fibrilação atrial, TVP, TEP TTPa 25–35 segundos Razão paciente/controle < 1,2 Via Intrínseca (XII, XI, IX, VIII) ↑ Heparina não fracionada ↑ Hemofilia A (VIII) ou B (IX) ↑ CIVD ↑ Anticoagulante lúpico Meta heparina: TTPa 60–100 seg TP prolongado isolado: → déficit fator VII ou warfarina Ambos prolongados → CIVD, hepatopatia Fibrinogênio & D-Dímero Fibrinogênio 200–400 mg/dL ↓ CIVD · hepatopatia · consumo ↑ Inflamação · gravidez · tabagismo D-Dímero < 500 ng/mL FEU Alta sensibilidade, baixa especif. ↑ TVP · TEP · CIVD · sepse ↑ Cirurgia · trauma · neoplasia Normal exclui TVP/TEP baixa prob. D-dímero ajustado para idade: idade × 10 ng/mL (>50 anos)
🔎 D-Dímero — Sensível mas Inespecífico
D-DÍMERO — CAUSAS DE ELEVAÇÃO SEQUÊNCIA: LESÃO → COÁGULO → FIBRINÓLISE → D-DÍMERO Lesão/Trombose Fibrina forma Plasmina age D-Dímero ↑ CAUSAS COMUNS DE D-DÍMERO ELEVADO 🦵 TVP Trombose venosa 🫁 TEP Embolia pulmonar 🔪 Cirurgia Pós-operatório 🦠 Sepse Infecção grave 🤰 Gravidez Fisiológico 🎂 Idade avançada Esperado acima de 50 anos ⚡ REGRA DE OURO D-Dímero NORMAL + baixa probabilidade clínica (Wells score) → EXCLUI TVP/TEP D-Dímero ELEVADO isolado → NÃO confirma trombose · investigar com imagem (eco Doppler, angiotomografia) Alta sensibilidade ≈ 97% · Especificidade baixa ≈ 45% · Útil para EXCLUIR, não para CONFIRMAR
⚠️ CIVD — Coagulação Intravascular Disseminada
CIVD — CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS (ISTH) Plaquetas Normal (0 pts) < 100k (1 pt) < 50k (2 pts) ↓ consumo D-Dímero Normal (0 pts) Moderado (2 pts) Muito alto (3 pts) fibrinólise ativa TP prolongado < 3s (0 pts) 3–6s (1 pt) > 6s (2 pts) fatores consumidos Fibrinogênio ≥ 1 g/L (0 pts) < 1 g/L (1 pt) consumo grave SCORE ISTH ≥ 5 pontos → CIVD manifesta 3–4 pontos → CIVD sugestiva (repetir em 24h) < 3 pontos → improvável CAUSAS FREQUENTES • Sepse / choque séptico • Trauma grave · queimadura extensa • LMA-M3 · complicações obstétricas
🔥 Marcadores Inflamatórios — PCR, VHS, Procalcitonina
MARCADORES INFLAMATÓRIOS E INFECCIOSOS PCR (Proteína C Reativa) < 5 mg/L (convencional) < 1 mg/L (ultrassensível) Cinética: ↑ em 6h · pico em 48h · meia-vida 19h Níveis e significado: 1–10 mg/L → inflamação leve 10–100 mg/L → infecção/inflamação >100 mg/L → infecção bacteriana grave PCR-us <1 → baixo risco CV PCR-us 1–3 → risco intermediário PCR-us >3 → alto risco CV VHS (Velocidade de Hem.) <15 mm/h (M) · <20 (F) Inespecífico · Lento (24–48h) ↑ em: Infecções crônicas (TBC, endocardite) Doenças autoimunes (LES, AR) Neoplasias · mieloma múltiplo Anemia · gravidez (fisiológico) VHS muito alto (>100 mm/h): → mieloma · vasculite · endocardite Pode ser normal em CIVD aguda (fibrinogênio consumido = VHS baixo) Procalcitonina (PCT) < 0,1 ng/mL Específica p/ infecção bacteriana Níveis e conduta: <0,1 → baixo risco sepse 0,1–0,5 → infecção localizada 0,5–2,0 → infecção sistêmica >2,0 → sepse · iniciar ATB >10 → sepse grave / choque Útil para guiar antibioticoterapia Queda de 80% → suspender ATB Não sobe em infecção viral
📚 Aprender · Tireoide
Tireoide e Hormônios Essenciais
TSH, T4 livre, T3, anticorpos tireoidianos, cortisol e prolactina
🧠 Eixo HPT 📋 Referências 🔍 Padrões ⚖️ Hipo vs Hiper
🧠 Eixo Hipotálamo–Hipófise–Tireoide
EIXO HIPOTÁLAMO — HIPÓFISE — TIREOIDE HIPOTÁLAMO Produz TRH TRH (+) HIPÓFISE Produz TSH TSH (+) TIREOIDE Produz T3/T4 T3/T4 (−) Feedback negativo HORMÔNIOS E REFERÊNCIAS TSH TSH 0,4–4,0 mUI/mL ↑ Hipotireoidismo · ↓ Hipertireoidismo T4L T4 livre 0,8–1,8 ng/dL ↓ Hipotireoidismo · ↑ Hipertireoidismo T3 T3 total 80–200 ng/dL Forma ativa · conversão periférica T4→T3 Ab Anti-TPO < 35 UI/mL ↑ Hashimoto · Graves · tireoidite TRAb < 1,75 UI/L ↑ Doença de Graves (específico)
⚖️ Hipotireoidismo vs Hipertireoidismo
🐌 HIPOTIREOIDISMO Metabolismo lento PADRÃO: TSH ↑ · T4 livre ↓ (subclínico: TSH ↑ · T4 livre normal) Sintomas: • Cansaço e sonolência • Ganho de peso • Pele seca · queda de cabelo • Intolerância ao frio • Constipação · lentidão • Depressão · menstruação irregular • Bradicardia · edema periorbitário Causas: • Hashimoto (autoimune — anti-TPO ↑) • Deficiência/excesso de iodo • Pós-cirurgia ou radioiodo • Amiodarona · lítio • Hipopituitarismo (TSH baixo + T4 baixo) 🔥 HIPERTIREOIDISMO Metabolismo acelerado PADRÃO: TSH ↓ · T4 livre ↑ (subclínico: TSH ↓ · T4 livre normal) Sintomas: • Palpitações · taquicardia • Perda de peso com apetite normal • Tremores · agitação · ansiedade • Intolerância ao calor · sudorese • Insônia · diarreia • Olhos saltados (exoftalmia — Graves) • Fraqueza muscular proximal Causas: • Graves (TRAb ↑ — autoimune) • Bócio multinodular tóxico • Adenoma tóxico • Tireoidite (fase inicial → libera T4) • Amiodarona · excesso de iodo
🔍 Padrões Diagnósticos — TSH + T4 livre
PADRÕES TIREOIDIANOS — COMO INTERPRETAR HIPOTIREOIDISMO MANIFESTO TSH ↑↑ T4L ↓ Hashimoto Pós-tireoidectomia → Levotiroxina HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO TSH ↑ T4L normal Disfunção leve Compensada → Individualizar tto NORMAL TSH ✓ T4L ✓ 0,4–4,0 mUI/mL 0,8–1,8 ng/dL HIPERTIREOIDISMO SUBCLÍNICO TSH ↓ T4L normal Risco FA idosos Osteoporose → Avaliar tratar HIPERTIREOIDISMO MANIFESTO TSH ↓↓ T4L ↑ Graves · nódulo tóxico · excesso → Metimazol/PTU ⚡ REGRA: TSH e T4 livre precisam sempre conversar TSH alto + T4 normal = subclínico · TSH baixo + T4 alto = manifesto · TSH baixo + T4 baixo = pensar em hipopituitarismo Anti-TPO positivo → investigar Hashimoto · TRAb positivo → investigar Graves
📚 Aprender · Urina
Urina e Exames Complementares
EAS, sedimento urinário, proteinúria e microalbuminúria
🧪 EAS 🔬 Sedimento 💧 Proteinúria 📊 Fluxograma ITU
🧪 EAS — Exame de Urina Tipo 1
EAS — EXAME DE URINA TIPO 1 URINA Frasco coletor Parâmetro Referência Normal Alteração / Significado Cor Amarelo palha a âmbar Rosa/vermelha → hematúria · marrom → bilirrubina Aspecto Límpido Turvo → leucócitos, bactérias, cristais Densidade 1.005 – 1.030 <1.010 isostenúria → DRC · >1.025 desidratação pH 4,5 – 8,0 pH >7 persistente → infecção urease+ (Proteus) Proteína Negativo / traços (<10 mg/dL) ↑ → nefropatia, glomerulonefrite, DRC Glicose Negativo ↑ Glicosúria → DM descompensado, sínd. Fanconi Esterase leucocitária Negativo ↑ → suspeita de ITU · confirmar no sedimento Nitrito Negativo Positivo → bactérias gram-negativas (E.coli) Cetonas Negativo ↑ → CAD, jejum prolongado, dieta cetogênica Bilirrubina Negativo ↑ → hepatopatia, colestase, hemólise Urobilinogênio 0,1 – 1,0 UE/dL ↑↑ → hemólise, hepatopatia · ausente → colestase Sangue/Hemoglobina Negativo ↑ → hematúria, hemoglobinúria, mioglobinúria
🔬 Sedimento Urinário — Elementos Microscópicos
SEDIMENTO URINÁRIO — INTERPRETAÇÃO HEMÁCIAS 0–3/campo (400×) >3 → hematúria Dismórficas → glomerular Isomórficas → vias urinárias Acantócitos → nefrite Causas: glomerulonefrite, cálculo, tumor, trauma cistite, anticoagulação LEUCÓCITOS 0–5/campo (400×) >5 → piúria + Nitrito + Bact → ITU Sem bactéria → piúria estéril (TBC, uretrite, NIA) Causa + comum: E.coli (85% das ITUs comunitárias) CILINDROS Hialino: 0–2/campo (normal) Granuloso → DRC, nefrite Tipos e significado: Eritrocitário → glomerulonefrite Leucocitário → pielonefrite, NIA Gorduroso → sínd. nefrótica Céreo largo → DRC avançada Formam-se nos túbulos renais → molde do lúmen tubular CRISTAIS Comuns (podem ser normais): Oxalato de cálcio → pH ácido Ácido úrico → pH ácido, gota Fosfato → pH alcalino Patológicos (sempre avaliar): Cistina → cistinúria (hereditária) Tirosina → hepatopatia grave Depende do pH e concentração da urina para precipitar
📊 Fluxograma ITU & Proteinúria
FLUXOGRAMA — ITU & AVALIAÇÃO DE PROTEINÚRIA SUSPEITA DE ITU EAS: leucocitúria + nitrito Urocultura (CMAS + antibiograma) ≥ 10⁵ UFC/mL ITU confirmada → ATB conforme antibiograma <10⁵ UFC/mL Contamina­ção? → Repetir coleta ITU sintomática: ≥ 10³ UFC/mL pode ser suficiente Cistocentese (ouro) · Jato médio · Sonda AVALIAÇÃO DA PROTEINÚRIA Normal: < 150 mg/24h ou < 30 mg/g creatinina Microalbuminúria: 30–300 mg/g → nefropatia inicial DM/HAS Macroalbuminúria: >300 mg/g → nefropatia estabelecida Proteinúria nefrótica: >3,5 g/24h → sínd. nefrótica Síndrome Nefrótica: Proteinúria >3,5 g/24h + hipoalbuminemia + edema + hiperlipidemia + lipidúria Síndrome Nefrítica: Hematúria dismórfica + cilindros eritrocitários + proteinúria moderada + HAS + ↓TFG
📚 Aprender · Função Renal
Função Renal & Biomarcadores
Ureia, creatinina, eTFG, SDMA, microalbuminúria, NGAL, cistatina C e detecção precoce de lesão renal
🫘 Filtração 📋 Exames Clássicos 📊 Estágios DRC 🔬 Biomarcadores Precoces 🧪 Parâmetros Urinários 📊 Fluxograma
🫘 Néfron — Unidade Funcional do Rim
NÉFRON — FILTRAÇÃO, REABSORÇÃO E EXCREÇÃO Ureter → bexiga → urina A.renal V.renal Rim (corte) ~1 milhão néfrons Glomérulo/Bowman Af. Ef. ultrafiltrado T. Proximal Reabsorve 65% Na, glicose, aa ↑ NGAL na lesão Alça de Henle Concentra urina Reabsorve Na/Cl T. Distal Regulação ácido-base D. Coletor ADH controla H₂O Urina final 3 FUNÇÕES RENAIS 1. FILTRAÇÃO 180 L/dia filtrados no glomérulo TFG normal: >90 mL/min/1,73m² Marcador: creatinina, cistatina C, eTFG ↓ TFG = glomérulo comprometido 2. REABSORÇÃO 99% do filtrado é reabsorvido Glicose, aminoácidos, Na, K, HCO₃ Marcador: glicosúria sem DM → sínd.Fanconi Lesão tubular = falha na reabsorção 3. SECREÇÃO Elimina ativamente substâncias H⁺, K⁺, fármacos, toxinas Regulação ácido-base e eletrólitos Acidose tubular → defeito nessa via 1 mL urina/min produzida = 1.440 mL/dia
📋 Exames Clássicos — Ureia, Creatinina, eTFG
UREIA · CREATININA · eTFG — INTERPRETAÇÃO INTEGRADA UREIA H₂N C=O NH₂ 15–45 mg/dL Produto final da proteína Fígado → sangue → rim → urina Ureia ↑ (azotemia): • Pré-renal: desidratação, ICC • Renal: DRC, LRA • Pós-renal: obstrução • Dieta hiperproteica Ureia ↓: hepatopatia grave, desnutrição, gestação CREATININA músculo H: 0,7–1,3 mg/dL F: 0,5–1,1 mg/dL Produção constante (creatina→creatinina) Filtrada e mínimo secretada ⚠️ Limitações: • Não sobe até perder 50% da TFG • Varia com massa muscular • Idosos/desnutridos: valor falso normal Creatinina ↑ de 0,5 mg/dL já indica >25% de perda de TFG eTFG / Razão U:C eTFG mL/min/1,73m² >90 <15 CKD-EPI 2021 (raça-neutra) Usa: creatinina, sexo, idade Razão Ureia:Creatinina (RUC) RUC > 20:1 → causa pré-renal (desidratação, ICC, choque) RUC ≤ 10:1 → lesão tubular ou causa intrínseca 🚨 Creatinina >10 mg/dL → urgência dialítica
📊 Doença Renal Crônica — Estágios KDIGO 2024
DRC — CLASSIFICAÇÃO KDIGO (eTFG + ALBUMINÚRIA) ESTÁGIOS POR eTFG (mL/min/1,73m²) G1 ≥ 90 Normal/Alto G2 60–89 Leve ↓ G3a 45–59 Mod. ↓ G3b 30–44 Mod./Grave G4 15–29 Grave ↓ G5 < 15 Falência renal → Diálise Progressão da DRC → CATEGORIAS DE ALBUMINÚRIA (mg/g creatinina urinária) A1 — Normal a levemente ↑ < 30 mg/g · incluindo microalbuminúria normal A2 — Moderadamente ↑ 30–300 mg/g · Microalbuminúria A3 — Muito elevada > 300 mg/g · Macroalbuminúria ⚡ A CLASSIFICAÇÃO KDIGO COMBINA eTFG + ALBUMINÚRIA Um paciente G2A2 (eTFG 60–89 + microalbuminúria) já tem DRC — mesmo com creatinina "normal" A albuminúria é marcador independente de risco cardiovascular e de progressão renal Critério DRC: alteração estrutural/funcional por > 3 meses · Duas medidas confirmando eTFG <60 ou albuminúria >30 Meta terapêutica: albuminúria <30 mg/g · IECA/BRA + SGLT2i reduzem progressão
🔬 Biomarcadores Precoces de Lesão Renal
BIOMARCADORES PRECOCES — DETECÇÃO ANTES DA CREATININA JANELA DE DETECÇÃO: biomarcadores sobem ANTES da creatinina tempo Lesão NGAL (2–6h) KIM-1 (6–12h) Cistatina C (24h) Creatinina (48–72h) — tardia 0h 6h 12h 24h 48h 72h NGAL Neutrophil Gelatinase- Associated Lipocalin <150 ng/mL (urina) Detecção em 2–6h Produzido no túbulo distal na lesão isquêmica ou nefrotóxica Uso clínico: Pós-cirurgia cardíaca Contraste iodado UTI · sepse Transplante renal Sobe ANTES da creatinina Soro ou urina KIM-1 Kidney Injury Molecule-1 <1,0 ng/mL Detecção em 6–12h Receptor scavenger no túbulo proximal Muito específico p/ LRA Uso clínico: Nefrotoxicidade por cisplatina, aminoglicosídeos Contraste iodado (LRA-CI) Lesão isquêmica (choque) Específico para túbulo proximal Urina Cistatina C Inibidor de cisteína- protease 0,6–1,0 mg/L Detecção em ~24h Produzida por todas as células nucleadas Não varia com músculo Vantagens vs creatinina: ✓ Independe de massa musc. ✓ Melhor em idosos/desnutr. ✓ Detecta LRA mais cedo ✓ CKD-EPI cistatina C Ideal para eTFG em idosos Soro IL-18 · TIMP-2·IGFBP7 Marcadores de estresse celular tubular (G1 arrest) TIMP-2 × IGFBP7 < 0,3 IL-18 urinária: Citocina inflamatória Específica LRA isquêmica Diferencia pré-renal x LRA NephroCheck® (TIMP-2·IGFBP7): FDA-aprovado para LRA >2,0 = risco alto de LRA grave Prediz LRA em UTI Coletado na 1ª hora de UTI Marcadores de G1 arrest (parada celular) Urina
🧪 Parâmetros Urinários — Detecção Precoce de Doença Renal
PARÂMETROS URINÁRIOS — PAINEL DE DETECÇÃO PRECOCE ⭐ MICROALBUMINÚRIA Marcador mais importante de nefropatia inicial em DM e HAS <30 30–300 >300 Normal Micro ⚠️ Macro 🚨 mg/g creatinina (razão albumina/creatinina urinária) Por que é importante: • 1ª alteração laboratorial em nefropatia • Precede a ↓ da creatinina em anos • Risco CV independente (cada 30mg/g ↑ = 6% ↑ risco cardiovascular) • Meta: <30 mg/g com IECA/BRA Como rastrear: Razão Alb/Creat urinária (RAC) em amostra isolada de 1ª urina Confirmar em 2 de 3 amostras DM tipo 2: rastrear anualmente desde dx Densidade e Osmolaridade Urinária • Densidade: 1.005–1.030 • Isostenúria (1.008–1.012) → perda de concentração → DRC • Osmolalidade <300 mOsm/kg persistente = defeito tubular Primeira função a se deteriorar na DRC progressiva Sódio Urinário & FeNa • Na urinário <20 mEq/L → causa pré-renal (rim retém Na) • Na urinário >40 mEq/L → lesão tubular (néfron não retém) • FeNa <1% = pré-renal · FeNa >2% = lesão intrínseca FeNa = (NaU × CrP) / (NaP × CrU) × 100 Proteinúria Tubular • β2-microglobulina: <0,3 mg/L (urina) • Retinol Binding Protein (RBP): <0,03 mg/L • Elevados → lesão tubular proximal (aminoglicosídeos, metais pesados, mieloma múltiplo, sínd. Fanconi) Diferencia proteinúria glomerular vs tubular Ácido Úrico Urinário / FEUA • FEUA normal: 5–10% • FEUA <4% em LRA → sugere causa pré-renal • Hiperuricosúria → risco de nefrolitíase por urato Monitorar em pacientes com gota e DRC Cilindros — Localização da Lesão • Cilindro eritrocitário → GLOMERULONEFRITE • Cilindro leucocitário → pielonefrite / NIA • Cilindro granuloso/céreo → DRC avançada • Cilindro gorduroso → sínd. nefrótica (corpúsculo oval) = "biópsia não invasiva" do néfron Índice de Insuficiência Renal (IIR) • IIR = Na urinário / (U/P creatinina) • IIR <1 → causa pré-renal • IIR >2 → necrose tubular aguda • Complementa FeNa em pacientes usando diuréticos Útil na LRA oligúrica para guiar conduta
📊 Fluxograma — LRA vs DRC e Abordagem Diagnóstica
ABORDAGEM DA LESÃO RENAL — LRA vs DRC 1. Creatinina/eTFG alterada Creatinina ↑ ou eTFG < 60 mL/min/1,73m² 2. LRA ou DRC? LESÃO RENAL AGUDA (LRA) ↑ Creatinina >0,3 mg/dL em 48h ou >50% em 7 dias (KDIGO) Investigar: pré-renal / renal / pós-renal NGAL + KIM-1 confirmam e localizam FeNa · IIR · EAS com sedimento DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC) Alteração estrutural/funcional >3 meses eTFG <60 ou albuminúria >30 mg/g Classificar: G1–G5 + A1–A3 (KDIGO) Microalbuminúria: marcador mais precoce Cistatina C · RAC · eTFG seriada 3. PAINEL MÍNIMO DE AVALIAÇÃO RENAL Creatinina + eTFG · RAC (microalbuminúria) · EAS + sedimento · Eletrólitos · Ultrassom renal · PA
📚 Aprender · Perfil Lipídico
Perfil Lipídico Avançado
Colesterol, LDL, HDL, TG, ApoB, Lp(a), homocisteína, hs-PCR, risco CV e doenças genéticas
🔬 Lipoproteínas 📋 Painel Clássico ⭐ Marcadores Avançados 🫀 Aterosclerose 🧬 Doenças Genéticas 📊 Fluxograma
🔬 Lipoproteínas — Estrutura e Função
LIPOPROTEÍNAS — ESTRUTURA, FUNÇÃO E ATEROGENICIDADE ApoB B100 LDL "mau" LDL <130 mg/dL Leva colesterol para tecidos ↑ Aterogênico 1 ApoB por partícula ApoA HDL "bom" HDL >40(M) >50(F) mg/dL Transporte reverso do colesterol ↑ Antiaterogênico ApoA-I = funcionalidade HDL ApoB Apo(a) kringle Lp(a) pró-trombótica Lp(a) <50 mg/dL (<125 nmol/L) LDL + Apo(a) ligada Inibe fibrinólise ↑ Risco CV independente Determinada geneticamente ApoC VLDL TG-rico VLDL / TG TG <150 mg/dL Transporta TG do fígado para tecidos ↑ >500 → pancreatite Precursor do LDL TAMANHO RELATIVO (não em escala): Quilomícron > VLDL > IDL > LDL > HDL Fórmula de Friedewald (TG <400): LDL = CT − HDL − (TG ÷ 5) Martin-Hopkins: mais preciso com TG alto Colesterol não-HDL: Não-HDL = CT − HDL · Meta: <160 mg/dL Captura VLDL + IDL + LDL + Lp(a) — mais completo que LDL isolado
📋 Painel Clássico — Valores e Metas por Risco CV
PAINEL LIPÍDICO — VALORES E METAS (SBC/ACC/AHA 2023) Exame Desejável Risco Intermediário Alto / Muito Alto Risco Unid. Colesterol Total <190 <190 <190 mg/dL LDL-Colesterol ⭐ <130 <100 <70 / <50* mg/dL HDL-Colesterol >40(M) >50(F) >40(M) >50(F) >40(M) >50(F) mg/dL Triglicerídeos <150 150–499 atenção >500 → pancreatite mg/dL Não-HDL <160 <130 <100 / <80* mg/dL ApoB ⭐ (diretriz 2023) <100 <80 <65 / <55* mg/dL Lp(a) (medir 1x na vida) <50 mg/dL 50–125 → atenção >125 nmol/L → alto risco mg/dL * <50 mg/dL para altíssimo risco (IAM prévio + DM + DRC + HF) · Manter por 8h jejum para TG confiável ⭐ ApoB recomendada pela ACC/AHA 2023 como melhor marcador de partículas aterogênicas 🚨 TG >500 mg/dL → risco imediato de pancreatite aguda → tratamento urgente (dieta + fibratos)
⭐ Marcadores Avançados — ApoB, Lp(a), Homocisteína, hs-PCR
MARCADORES AVANÇADOS DE RISCO CARDIOVASCULAR ApoB LDL Lp(a) VLDL 1 ApoB = 1 partícula aterogênica <100 mg/dL (alto risco: <65) Por que superior ao LDL? LDL mede massa, ApoB mede número de partículas LDL pode ser "falso normal" com partículas pequenas e densas (sdLDL) ApoB captura tudo: LDL + VLDL + IDL + Lp(a) ACC/AHA 2023: medir ApoB Soro · em jejum Lp(a) LDL +Apo(a) <50 mg/dL (<125 nmol/L) Mecanismos de dano: ① Aterosclerose ② Inibe fibrinólise (compete com plasminogênio) ③ Promove trombose ④ Inflamação vascular Quando medir? • 1× na vida (genético) • HF familiar • IAM prematuro <55/65a • LDL controlado + risco alto Estatina NÃO reduz Lp(a) Soro · sem jejum Homocisteína HS-CH₂-CH₂ CH(NH₂)-COOH Aminoácido sulfurado <15 µmol/L Ótimo: <10 µmol/L Classificação: Normal: <15 Leve: 15–30 Moderada: 30–100 Grave: >100 (MTHFR) Causas de hiperhomoc.: • Def. B12, folato, B6 • Mutação MTHFR C677T • Doença renal crônica • Hipotireoidismo Tratar: B12 + folato + B6 Plasma EDTA · jejum 12h hs-PCR PCR Pentâmero <1,0 mg/L (risco CV baixo) Estratificação: <1 mg/L → baixo risco 1–3 mg/L → risco interm. >3 mg/L → alto risco CV Uso clínico: Reclassifica risco CV intermediário Guia uso de estatina (estudo JUPITER) Monitorar resposta Colher sem infecção ativa Soro · sem jejum
🫀 Aterosclerose — Da Partícula LDL ao Infarto
PROGRESSÃO DA ATEROSCLEROSE — DO LDL AO EVENTO CV ① LDL ↑ LDL circulante Vaso saudável ② Infiltração LDL penetra na íntima ③ Espuma ox-LDL → macrófago → célula espumosa ④ Placa Fibrosa Núcleo lipídico + capa fibrosa ⑤ Rotura/IAM Trombo oclusivo → IAM / AVC LDL · ApoB Lp(a) · TG LDL denso sdLDL ox-LDL hs-PCR ↑ Homocisteína hs-PCR ↑↑ Troponina CK-MB ↑↑ INTERVENÇÕES TERAPÊUTICAS POR ESTÁGIO Estilo de vida Dieta · Exercício Estatinas Ezetimiba Anti-PCSK9 Inclisiran Aspirina Antiplaquetário Angioplastia Trombólise
🧬 Dislipidemias Genéticas e Doenças Metabólicas
DISLIPIDEMIAS PRIMÁRIAS E DOENÇAS METABÓLICAS Hipercolesterolemia Familiar (HF) Gene LDLR / ApoB / PCSK9 LDL 190–400+ mg/dL Forma heterozigótica (1:250): LDL 190–400 · IAM precoce Xantomas tendíneos · arco córneo Forma homozigótica (1:300.000): LDL >400 · IAM na infância Xantomas cutâneos extensos Critério Dutch Lipid Clinic Network Hipertrigliceridemia Familiar Gene LPL / ApoC-II / ApoA-V / GPIHBP1 TG > 500–1000+ mg/dL Clínica: • Pancreatite aguda recorrente • Xantomas eruptivos • Hepatoesplenomegalia • Lipemia retinalis • Soro lipêmico (branco leitoso) Tto: dieta zero gordura + fibratos Hiperlipidemia Combinada (HCF) Gene USF1 · Herança AD · 1:100 LDL ↑ + TG ↑ variável Fenótipos variáveis na família: • Hipercolesterolemia isolada • Hipertrigliceridemia isolada • Hiperlipidemia mista • ApoB sempre elevada • Alto risco CV precoce Estatina + fibratos se necessário DISLIPIDEMIAS SECUNDÁRIAS — DOENÇAS E CONDIÇÕES ASSOCIADAS Diabetes Mellitus tipo 2 TG ↑↑ · HDL ↓ · sdLDL ↑ LDL pode ser "normal" mas ApoB sempre ↑ Meta: LDL <70 / ApoB <65 Hipotireoidismo LDL ↑ · TG ↑ · HDL ↓ TSH ↑ → ↓ receptores LDL Sempre dosar TSH quando dislipidemia Sínd. Metabólica TG ≥150 · HDL ↓ · Glicose ↑ CA >90(M)/80(F) · PA ≥130/85 3 de 5 critérios = SM Alto risco DM2 e DCV DRC · Alcoolismo · Medicamentos DRC: TG ↑ · HDL ↓ · LDL variável Álcool: TG ↑↑ · HDL ↑ (falso) Corticoide/tiazida: LDL ↑ TG ↑ Tratar causa + lipídios
📊 Fluxograma — Rastreamento e Conduta nas Dislipidemias
FLUXOGRAMA — RASTREAMENTO E CONDUTA (SBC 2023 / ACC/AHA 2023) RASTREAR: homens ≥35a · mulheres ≥45a Ou a qualquer idade com fatores de risco PAINEL INICIAL: CT · LDL · HDL · TG · Glicose · hs-PCR CALCULAR RISCO CV GLOBAL (Escore de Risco) BAIXO RISCO Meta LDL <130 Estilo de vida 1ª linha Rastrear 5 em 5 anos hs-PCR se dúvida RISCO INTERMEDIÁRIO Meta LDL <100 Estatina se LDL >70 ApoB · Lp(a) · hs-PCR + Escore de cálcio (CAC) ALTO / MUITO ALTO Meta LDL <70 / <50 Estatina potente + Ezetimiba ± PCSK9i ApoB · Lp(a) obrigatório PAINEL AVANÇADO (Risco Intermediário/Alto): ApoB · Lp(a) · Homocisteína · hs-PCR · CAC · sdLDL
📚 Aprender · Emergência
Exames de Emergência
Troponina, lactato, BNP, D-dímero, gasometria e valores críticos — com 5 casos clínicos reais
🚨 Painel ❤️ Troponina/IAM 🫧 Lactato/Sepse 💙 BNP/ICC 💨 Gasometria 🏥 5 Casos Clínicos
🚨 Painel Laboratorial de Emergência — Valores Críticos
🚨 VALORES CRÍTICOS — AÇÃO IMEDIATA OBRIGATÓRIA ❤️ Troponina I/T Normal: <0,04 ng/mL (TnI) Crítico: >10× URL → IAM hs-TnT <14 ng/L (99º percentil) 💙 BNP / NT-proBNP BNP <100 pg/mL BNP >400 → IC descomp. NT-proBNP >900 → IC provável 🩸 D-Dímero <500 ng/mL FEU >500 → suspeita TVP/TEP Ajuste pela idade: ×10 ng/mL (>50a) 🫧 Lactato Normal: <2,0 mmol/L >4,0 → sepse grave/choque Mortalidade ↑↑ com lactato >4 ⚡ Potássio Normal: 3,5–5,0 mEq/L <2,5 ou >6,5 → arritmia fatal ECG obrigatório >6,0 mEq/L 💨 pH / pO₂ pH: 7,35–7,45 <7,20 ou >7,60 → crítico pO₂ <50 mmHg → hipóxia grave 🍬 Glicose Normal: 70–99 mg/dL <40 → hipoglicemia grave >600 mg/dL → EHH urgência 🫘 Creatinina Normal: 0,7–1,3 mg/dL ↑ 0,3 em 48h → LRA >10 mg/dL → diálise urgente 🩸 Hemoglobina <7 g/dL → transfusão <5 g/dL → risco imediato 🩺 Plaquetas <20.000 → sangramento espontâneo <50.000 → risco cirúrgico grave 🩹 INR >4,0 sem anticoag. → urgência CIVD: TP+TTPA+Plaq+Fibrin 💧 Sódio <120 ou >160 → urgência Corrigir devagar → mielinólise ⚡ PRINCÍPIO DA EMERGÊNCIA LABORATORIAL Todo valor crítico deve ser comunicado ao médico imediatamente — SBPC/ML exige notificação ativa em <30 minutos Troponina ↑ → ECG + cardiologista · Lactato >4 → ressuscitação · pH <7,20 → UTI · K⁺ >6,5 → ECG + gluconato Ca Glicose <40 → glicose 50% IV imediato · Hb <7 → avaliar transfusão · D-dímero ↑ + dispneia → angiotomografia urgente
❤️ Troponina — Marcador do Infarto Agudo do Miocárdio
TROPONINA — CINÉTICA E INTERPRETAÇÃO NO IAM Área de necrose Tn → sangue CINÉTICA — hs-Troponina Horas após início da dor → Tn 0h 3h 6h 12h 24h 48h URL hs-Troponina (detecta em 1–3h) Troponina convencional (3–6h) PROTOCOLO ESC 2023 — Algoritmo 0h/3h 0h — Admissão hs-TnT <5 ng/L → EXCLUÍDO hs-TnT >52 → IAM confirmado 5–52 → colher 3h 3h — Delta Δ<3 ng/L → EXCLUÍDO Δ≥5 ng/L → IAM provável Δ3–5 → zona cinza Conduta IAM STEMI: Cateterismo <90min IAM NSTEMI: Anticoag + AAS Cateterismo 24h ⚠️ Troponina ↑ sem IAM • Miocardite · Pericardite • Embolia pulmonar grave • ICC descompensada • Sepse / choque • DRC (reduz eliminação) • Cardioversão / ablação • AVC isquêmico · Trauma torácico → PADRÃO: curva + contexto clínico
🫧 Lactato — Marcador de Hipoperfusão e Sepse
LACTATO — HIPOPERFUSÃO, SEPSE E CHOQUE ESCALA DE RISCO POR LACTATO < 2,0 mmol/L Normal 2,0–4,0 mmol/L Hipoperfusão moderada ⚠️ > 4,0 mmol/L Sepse grave / Choque 🚨 > 8,0 mmol/L Mortalidade >70% 💀 CORRELAÇÃO MORTALIDADE (Sepse) Lactato <2: mortalidade ~5% Lactato 2–4: mortalidade ~20% Lactato 4–8: mortalidade ~45% Lactato >8: mortalidade >70% SEPSIS-3 — Critérios Diagnósticos Sepse: infecção suspeita + ↑ SOFA ≥2 pontos Choque séptico: sepse + vasopressor necessário + lactato >2 mmol/L após ressuscitação Mortalidade do choque séptico: ~40% qSOFA: FR≥22 + Alt. consciência + PA <100 = triagem rápida BUNDLE SEPSE — 1 hora (Surviving Sepsis) 1️⃣ Coletar hemoculturas (2 pares) antes ATB 2️⃣ Dosar lactato (se >2: repetir em 2h) 3️⃣ Antibiótico de amplo espectro em <1h 4️⃣ 30 mL/kg SF 0,9% em hipotensão/lactato >4 Clearance de lactato ≥10% em 2h → boa resposta
💙 BNP / NT-proBNP — Insuficiência Cardíaca na Emergência
BNP / NT-proBNP — DIAGNÓSTICO DE IC NA EMERGÊNCIA Dilatação ↑ pressão BNP liberado ↑ BNP vs NT-proBNP — LIMIARES DIAGNÓSTICOS Marcador IC improvável Zona cinza IC provável BNP <100 pg/mL 100–400 >400 pg/mL NT-proBNP <300 pg/mL 300–900 >900 pg/mL* *Ajuste por idade: >450 (<50a), >900 (50–75a), >1800 (>75a) FLUXOGRAMA — DISPNEIA AGUDA NA EMERGÊNCIA Dispneia aguda BNP + RX tórax ECO bedside BNP <100 IC improvável → Investigar DPOC/TEP BNP 100–400 Zona cinza → ECO + contexto BNP >400 IC provável → UTI Diurético + vaso
💨 Gasometria — Interpretação Rápida na Emergência
GASOMETRIA ARTERIAL — MÉTODO 5 PASSOS EMERGÊNCIA ① VER O pH 7,35–7,45 = Normal <7,35 = Acidose >7,45 = Alcalose pH dá a direção ② VER pCO₂ 35–45 mmHg = OK ↑ = Resp. acidose ↓ = Resp. alcalose CO₂ = pulmões ③ VER HCO₃ 22–26 = Normal ↓ = Met. acidose ↑ = Met. alcalose HCO₃ = rins ④ LACTATO <2 = Normal 2–4 = atenção >4 = grave Hipoperfusão ⑤ SatO₂ >95% OK 90–95% ↓ <90% crítico O₂ suplementar PADRÕES GASOMÉTRICOS DE EMERGÊNCIA Acidose Metabólica pH↓ · HCO₃↓ · pCO₂↓(comp) CAD · Acidose láctica Insuf. renal · Diarreia Ânion gap = Na–(Cl+HCO₃) Normal: 8–12. ↑ = cetose/lático Acidose Respiratória pH↓ · pCO₂↑ · HCO₃↑(comp) DPOC exacerbado Depressão SNC · Obesidade VMI se pH <7,25 + pCO₂↑↑ Alcalose Metabólica pH↑ · HCO₃↑ · pCO₂↑(comp) Vômitos · Diurético Hipocalemia · Excesso HCO₃ Reposição K⁺ e Cl⁻ Alcalose Respiratória pH↑ · pCO₂↓ · HCO₃↓(comp) Hiperventilação · Ansiedade TEP inicial · Gravidez · Dor TEP: hipóxia + alcalose resp.
🏥 5 Casos Clínicos — Resultados Reais e Correlação Clínica
CASO 1
Homem, 58 anos · Dor precordial há 2h, irradiando para MSE · Sudorese
RESULTADOS LABORATORIAIS hs-Troponina I (0h): 2.850 ng/L ↑↑ (ref <52) hs-Troponina I (3h): 8.940 ng/L ↑↑↑ (Δ+6.090) CK-MB: 124 U/L ↑↑ (ref <25) LDL-Colesterol: 188 mg/dL ↑ Glicose: 182 mg/dL ↑ (estresse) ECG: Supra de ST em V1-V4 (STEMI anterior) INTERPRETAÇÃO CLÍNICA IAM com supra de ST anterior extenso (STEMI) Δ Troponina >20% confirma cinética de necrose CK-MB pico em 24h → extensão do infarto LDL alto: fator de risco causal CONDUTA: Cateterismo de emergência <90min AAS 300mg + Ticagrelor 180mg + Heparina IV Alta: Estatina potente + AAS + betabloq + IECA
CASO 2
Mulher, 72 anos · Febre 39,8°C · Hipotensão PA 80/50 mmHg · Confusão mental · Disúria há 3 dias
RESULTADOS LABORATORIAIS Lactato: 5,8 mmol/L ↑↑ (ref <2,0) Leucócitos: 22.400/µL com 18% bastões ↑↑ PCR: 328 mg/L ↑↑↑ (ref <5) Procalcitonina: 48,6 ng/mL ↑↑↑ (ref <0,1) Creatinina: 2,8 mg/dL ↑ (LRA associada) EAS: Nitrito+ · Leucócitos 3+ · Bact 3+ INTERPRETAÇÃO CLÍNICA Choque séptico de foco urinário (pielonefrite) Lactato >4 → SOFA ≥2 → Sepsis-3 confirmado PCT >10 → sepse bacteriana grave LRA (creatinina ↑): por hipoperfusão renal CONDUTA BUNDLE <1h: Hemoculturas (2 pares) → Ceftriaxone 2g IV SF 30mL/kg · Noradrenalina se PA não resp.
CASO 3
Jovem, 19 anos, DM tipo 1 · Vômitos há 24h · Respiração rápida e profunda · Hálito cetônico
RESULTADOS LABORATORIAIS Glicose: 524 mg/dL ↑↑↑ Gasometria pH: 7,08 ↓↓ (acidose grave) HCO₃: 6 mEq/L ↓↓↓ (ref 22–26) Ânion Gap: 28 ↑↑ (ref 8–12) → cetose Cetonúria: 3+ · β-hidroxibutirato: 6,4 mmol/L Potássio: 5,6 mEq/L (false ↑ por acidose) INTERPRETAÇÃO CLÍNICA Cetoacidose Diabética (CAD) grave Tríade: hiperglicemia + acidose + cetonemia Ânion gap alto: acúmulo de cetoácidos K⁺ falsamente elevado: entrará na célula com insulina CONDUTA UTI: SF 1L/h × 2h → Insulina 0,1 U/kg/h Repor K⁺ quando K <5,5 + Monitorar glicemia/h
CASO 4
Mulher, 45 anos · Pós-op cirurgia ortopédica (5 dias) · Dispneia súbita · Dor pleurítica · SatO₂ 88%
RESULTADOS LABORATORIAIS D-Dímero: 4.820 ng/mL FEU ↑↑↑ (ref <500) Gasometria pO₂: 52 mmHg ↓↓ (hipóxia grave) pCO₂: 28 mmHg ↓ (hiperventilação) pH: 7,52 ↑ (alcalose respiratória) Troponina I: 0,18 ng/mL ↑ (sobrecarga VD) BNP: 380 pg/mL ↑ (disfunção VD) INTERPRETAÇÃO CLÍNICA TEP maciço de alto risco (Wells ≥6) D-dímero altíssimo + hipóxia + alcalose resp. TnI + BNP ↑: disfunção de VD → alto risco Contexto: cirurgia + imobilização = pró-trombótico CONDUTA: Angiotomografia urgente → confirmou TEP bilateral Trombólise (rt-PA) + O₂ alto fluxo + UTI
CASO 5
Homem, 68 anos · IC prévia · Dispneia em repouso há 2 dias · Edema MMII 3+ · Ortopneia · SpO₂ 84%
RESULTADOS LABORATORIAIS BNP: 1.840 pg/mL ↑↑↑ (ref <100) NT-proBNP: 8.620 pg/mL ↑↑↑ (ref <900) Troponina T hs: 88 ng/L ↑ (lesão miocárdica crônica) Sódio: 126 mEq/L ↓↓ (hiponatremia dilucional) Creatinina: 2,1 mg/dL ↑ (síndrome cardiorrenal) Gasometria pH/pO₂: 7,30 / 46 mmHg (acidose + hipóxia) INTERPRETAÇÃO CLÍNICA ICC descompensada grave com síndrome cardiorrenal BNP 1840: sobrecarga de pressão/volume extrema Na 126: hiponatremia dilucional = pior prognóstico Creatinina ↑: síndrome cardiorrenal tipo 1 CONDUTA: VNI (CPAP) → Furosemida 80mg IV → UTI Monitorar diurese/creatinina. Restringir líquido
📚 Aprender · Valores Críticos
Valores Críticos Laboratoriais
Limiares de ação imediata, comunicação obrigatória e 5 casos clínicos com correlação
⚡ Conceito 📋 Tabela Geral 🏥 Conduta 🔬 5 Casos Clínicos
⚡ O Que São Valores Críticos?
🔴 VALORES CRÍTICOS — DEFINIÇÃO E OBRIGATORIEDADE DEFINIÇÃO (SBPC/ML · JCAHO · CLSI) Resultado laboratorial que representa risco imediato à vida do paciente e exige conduta clínica urgente — independente do horário. Obriga comunicação imediata ao médico responsável. PROTOCOLO DE COMUNICAÇÃO 🔴 Detectar → Ligar imediatamente para médico 🔴 Identificar paciente, exame, valor e horário 🔴 Aguardar confirmação do recebimento ⏱ SBPC/ML: prazo máximo 30 minutos FLUXO DE COMUNICAÇÃO DE VALOR CRÍTICO 1. Resultado Analisador alerta valor fora do limite 2. Confirmação Repetir amostra se possível 3. Ligação Médico / Enfermagem ≤ 30 minutos 4. Confirmação Médico confirma recebimento 5. Registro Documentar no LIS: quem, quando, valor ⚠️ RESPONSABILIDADE LEGAL A falta de comunicação de valor crítico é considerada falha de qualidade laboratorial (RDC 302/ANVISA · ISO 15189:2022) O laboratório deve ter lista definida, validada e revisada anualmente de todos os valores críticos dos exames que realiza
📋 Tabela Completa de Valores Críticos
TABELA DE VALORES CRÍTICOS — ADULTOS (SBPC/ML 2023) Exame Referência Normal Limite Crítico BAIXO Limite Crítico ALTO 🩸 HEMATOLOGIA Hemoglobina H:13,5–18 · F:12–16 g/dL < 7,0 g/dL > 20,0 g/dL Hematócrito H:40–54% · F:36–48% < 20% > 60% Leucócitos 4.000–11.000 /µL < 2.000/µL > 30.000/µL Neutrófilos absolutos 1.800–7.500 /µL < 500/µL sem limite alto Plaquetas 150.000–400.000 /µL < 50.000/µL > 1.000.000/µL ⚗️ BIOQUÍMICA Glicose 70–99 mg/dL (jejum) < 50 mg/dL > 500 mg/dL Sódio 136–145 mEq/L < 120 mEq/L > 160 mEq/L Potássio 3,5–5,0 mEq/L < 2,5 mEq/L > 6,5 mEq/L Cálcio total 8,5–10,5 mg/dL < 6,5 mg/dL > 13,0 mg/dL Creatinina H:0,7–1,3 · F:0,5–1,1 mg/dL sem limite baixo > 10,0 mg/dL Magnésio 1,7–2,4 mg/dL < 1,0 mg/dL > 9,0 mg/dL Lactato <2,0 mmol/L sem limite baixo > 4,0 mmol/L 💨 GASOMETRIA pH arterial 7,35–7,45 < 7,20 > 7,60 pO₂ arterial 80–100 mmHg < 50 mmHg sem limite alto pCO₂ arterial 35–45 mmHg < 20 mmHg > 70 mmHg 🩹 COAGULAÇÃO · CARDÍACO INR 0,8–1,2 sem limite baixo > 4,0 Troponina I < 0,04 ng/mL sem limite baixo Qualquer elevação significativa BNP <100 pg/mL sem limite baixo > 400 pg/mL
🏥 Conduta Imediata — O Que Fazer Após o Valor Crítico
CONDUTA IMEDIATA POR CATEGORIA DE VALOR CRÍTICO ⚡ K⁺ > 6,5 mEq/L Hipercalemia grave → ARRITMIA 1. ECG imediato (ondas T apiculadas) 2. Gluconato de Ca 10% IV (estabiliza) 3. Insulina 10U + glicose 50% (drive K⁺) 4. Bicarbonato se acidose 5. Diálise se refratário / DRC Risco de FV/Assistolia sem tratamento 🍬 Glicose < 50 mg/dL Hipoglicemia grave → COMA 1. Consciente: açúcar/suco imediato 2. Inconsciente: Glicose 50% 40mL IV 3. Glucagon 1mg SC/IM (alternativa) 4. Manter acesso venoso + monitorar 5. Investigar causa (insulina, jejum...) Dano neuronal irreversível se prolongado 🩸 Hb < 7,0 g/dL Anemia crítica → HIPÓXIA TECIDUAL 1. Avaliar sinais de sangramento ativo 2. Oxigênio suplementar imediato 3. Transfusão se sintomático ou Hb <6 4. Tipagem + prova cruzada urgente 5. Investigar causa concomitante Hb <5: risco imediato de morte 💨 pH < 7,20 ou > 7,60 Distúrbio ácido-base grave pH <7,20 acidose: bicarbonato + UTI pCO₂>70 + pH<7,25: VMI urgente pH>7,60 alcalose: reposição K⁺+Cl⁻ pO₂<50: O₂ alta concentração / VNI Sempre correlacionar com clínica 💧 Na <120 ou >160 Disnatremia grave → EDEMA CEREBRAL Na<120: SF hipertônico 3% (lento!) Limite: ↑ 1–2 mEq/L/h, máx 10/dia Na>160: reposição hídrica gradual Risco: mielinólise pontina (correção rápida) Regra: "devagar para cima e para baixo" 🩹 INR > 4,0 (sem anticoag.) Coagulopatia grave → SANGRAMENTO 1. Suspender anticoagulante 2. Vit K 5-10mg VO/IV se warfarina 3. PFC se sangramento ativo 4. CCP (concentrado protrombínico) CIVD: tratar a causa + repor fatores
🔬 5 Casos Clínicos — Valores Críticos com Correlação
CASO 1
Homem, 62 anos · IRC estágio 5 · Diarreia há 3 dias · Palpitações · ECG: ondas T em pico
🔴 VALOR CRÍTICO DETECTADO Potássio:7,8 mEq/L ↑↑↑ (crítico >6,5) Creatinina:11,4 mg/dL ↑↑↑ (falência renal) Ureia:280 mg/dL ↑↑ pH:7,22 ↓ (acidose metabólica) HCO₃:12 mEq/L ↓↓ CORRELAÇÃO E CONDUTA Hipercalemia crítica em IRC estágio 5 Diarreia → acidose → K⁺ saiu das células Ondas T apiculadas = cardiotoxicidade iminente CONDUTA: Gluconato Ca 10% IV imediato Insulina+glicose → Bicarbonato → Diálise urgente Comunicação ao médico em 8 minutos (documentado)
CASO 2
Mulher, 34 anos · DM tipo 1 · Encontrada inconsciente em casa · Glicosímetro: LO (abaixo do limite)
🔴 VALOR CRÍTICO DETECTADO Glicose:18 mg/dL ↓↓↓ (crítico <50) Insulina:>100 µUI/mL (dose excessiva) Peptídeo C:0,3 ng/mL (insulina exógena) Lactato:3,2 mmol/L ↑ (hipóxia celular) Potássio:2,8 mEq/L ↓ (insulina desloca K⁺) CORRELAÇÃO E CONDUTA Hipoglicemia grave por overdose de insulina Peptídeo C baixo: diferencia insulina exógena Lactato ↑: metabolismo anaeróbico por hipoglicemia CONDUTA: Glicose 50% 40mL IV imediato Manter glicose 5% contínua + repor K⁺ + monitorar Glicose subiu para 142 em 15 min → paciente recobrou consciência
CASO 3
Homem, 55 anos · Pós-op ressecção de tumor colorretal · Vômitos persistentes · Confusão mental · Convulsão
🔴 VALOR CRÍTICO DETECTADO Sódio:112 mEq/L ↓↓↓ (crítico <120) Osmolaridade sérica:232 mOsm/kg ↓↓ (ref 285–295) Na urinário:68 mEq/L (SIADH: >20) Osmol. urinária:580 mOsm/kg (urina concentrada) Cortisol:Normal (excluiu insuficiência adrenal) CORRELAÇÃO E CONDUTA SIADH grave pós-cirúrgico com edema cerebral Na urinário >20 com osmol. alta = retenção de água Convulsão = sinal de edema cerebral (Na<115) CONDUTA: SF 3% hipertônico 150mL em 20min Meta: ↑ Na 5 mEq/L nas primeiras 6h · Limitar a 10/dia Na corrigido para 124 → cessaram as convulsões
CASO 4
Mulher, 28 anos · LMA (leucemia mielóide aguda) em indução · Petéquias generalizadas · Sangramento gengival
🔴 MÚLTIPLOS VALORES CRÍTICOS Plaquetas:8.000/µL ↓↓↓ (crítico <50.000) INR:3,8 ↑↑ (crítico >4,0 — quase crítico) Fibrinogênio:68 mg/dL ↓↓ (crítico <100) D-Dímero:18.200 ng/mL ↑↑↑ (CIVD) Hb:5,8 g/dL ↓↓↓ · Leucócitos: 42.000 (blastos) CORRELAÇÃO E CONDUTA CIVD em contexto de LMA (especialmente M3) Plaq+fibrinogênio ↓ + D-dímero ↑↑ = CIVD manifesta Score ISTH: 5 pontos → CIVD confirmada CONDUTA: Transfusão plaquetas + PFC + crioprecipitado ATRA (em M3) · Tratar causa primária · UTI Laboratório comunicou 4 valores críticos simultaneamente
CASO 5
Homem, 78 anos · Hiperparatireoidismo primário · Fraqueza intensa · Náuseas · Confusão · Poliúria
🔴 VALOR CRÍTICO DETECTADO Cálcio total:15,2 mg/dL ↑↑↑ (crítico >13,0) PTH:1.240 pg/mL ↑↑↑ (ref 15–65) Fosfato:1,8 mg/dL ↓ (PTH inibe reabsorção) Creatinina:1,9 mg/dL ↑ (nefrotoxicidade por Ca) Cálcio ionizado:1,98 mmol/L ↑↑ (ref 1,15–1,35) CORRELAÇÃO E CONDUTA Crise hipercalcêmica por hiperparatireoidismo primário PTH↑↑ confirma causa primária (adenoma paratireoide) Ca ionizado ↑ = toxicidade neuromuscular e cardíaca CONDUTA: SF 0,9% 200-300mL/h (diluição + excreção) Furosemida + Zoledronato IV · Calcitonina 4U/kg Ca caiu para 11,8 em 24h → paratireoidectomia programada
📚 Aprender · Mapas Mentais
Mapas Mentais — Revisão Expressa
1 mapa por setor · Padrões clínicos · Correlações rápidas · Ideal para provas e plantão
🩸 Mapa Mental — Hemograma
HEMOGRAMA sangue periférico Hb ↓ + VCM ↓ → Def. ferro → Talassemia Hb ↓ + VCM ↑ → B12/Folato Neutrófilos ↑ + desvio → Infecção bacteriana Linfócitos ↑ + atípicos → Mononucleose / Viral Plaquetas ↓↓ → PTI · CIVD · Dengue → Aplasia · Hiperesplenismo Pancitopenia → Aplasia medular → Leucemia · Quimio Eosinófilos ↑↑ → Alergia · Parasitas · Sínd. hiper-eos. Blastos no SP 🚨 → Leucemia aguda → Comunicar URGENTE
⚗️ Mapa Mental — Bioquímica
BIOQUÍMICA painel sérico ALT/AST ↑↑ → Hepatite viral → NASH/Álcool → Fármacos GGT/FA ↑↑ → Colestase biliar Creatinina ↑ + eTFG ↓ → LRA ou DRC Glicose ↑↑ + cetonas → CAD (DM1) → EHH (DM2) TG > 500 mg/dL → Risco pancreatite K⁺ >6,5 mEq/L 🚨 → Arritmia fatal → ECG + gluconato Ca Na <120 ou >160 🚨 → Edema cerebral · corrigir devagar Lactato > 4 mmol/L → Sepse / Choque → Bundle 1h
🫘 Mapa Mental — Função Renal & Urina
RENAL/URINA néfron + urina Creat ↑ + eTFG ↓ Pré-renal: FeNa <1% Renal: FeNa >2% Microalbuminúria > 30 mg/g → Nefropatia precoce DM/HAS · rastrear anual Cilindro eritrocitário → Glomerulonefrite "biópsia não invasiva" NGAL ↑ urinário → LRA precoce (2h) antes da creatinina Nitrito+ + Leucocitúria → ITU → urocultura Proteinúria >3,5g/24h → Sínd. nefrótica edema + hipoalbumin.
🩹 Mapa Mental — Coagulação & Inflamação
COAG. / INFLAM. cascata + resposta TP/INR ↑ Via extrínseca (VII) → Warfarina/Vit K → Hepatopatia TTPa ↑ isolado → Heparina / Hemofilia / Anticoag. lúpico D-Dímero ↑ alto TVP/TEP · CIVD D-dím normal → excluiu TEP baixa prob. PCR >100 mg/L → Infecção bact. grave hs-PCR >3: risco CV Plaq↓ + TP↑ + Fibrin↓ + DDím↑ → CIVD → Score ISTH ≥5 PCT >2 ng/mL → Sepse bacteriana Guia antibiótico
❤️ Mapa Mental — Emergência & Cardíaco
EMERGÊNCIA dor torácica · dispneia Troponina ↑ + curva → IAM · Miocardite Protocolo 0h/3h ESC STEMI → cate <90min BNP > 400 pg/mL → IC descompensada → diurético + VNI D-Dímero ↑↑ → TEP / TVP Wells score → angiotomo Trombólise se maciço Lactato > 4 → Choque séptico Bundle 1h → vasopressor Mortalidade >40% pH <7,20 ou pO₂ <50 → UTI · VMI se pCO₂>70 + pH<7,25 Glicose <50 🚨 → Glicose 50% IV Glicose >500: CAD/EHH Insulina + fluidos
🦋 Mapa Mental — Tireoide & Endócrino
ENDÓCRINO hormônios · eixos TSH ↑ + T4L ↓ → Hipotireoidismo Hashimoto: anti-TPO ↑ Tto: Levotiroxina TSH ↓ + T4L ↑ → Hipertireoidismo → Graves (TRAb ↑) / Nódulo tóxico Cortisol 8h ↓ → Insuf. adrenal Crise: hipotensão + Na↓ Hidrocortisona urgente HbA1c > 6,5% → Diagnóstico DM Memória 90 dias Meta <7% no DM HOMA-IR > 2,5 → Resistência insulínica → Metformina + exercício Prolactina ↑↑ → Prolactinoma → Fármacos (metoclopramida) → RM hipófise
💛 Mapa Mental — Lipídios & Risco CV
LIPÍDIOS / CV aterosclerose LDL >190 mg/dL → HF familiar (gene LDLR) Estatina potente obrig. Dx Dutch Clinic >8pts ApoB >100 + LDL "normal" → Partículas densas (sdLDL) → alto risco real Lp(a) >125 nmol/L → Risco CV independente Genético · Estatina não ↓ Medir 1× na vida Homocisteína >15 → Risco CV + trombose MTHFR · B12+folato TG > 500 mg/dL 🚨 → Pancreatite aguda → fibrato + dieta urgente hs-PCR > 3 mg/L → Alto risco CV Estudo JUPITER → estatina
📚 Aprender · Gasometria
Gasometria Arterial
Equilíbrio ácido-base, distúrbios primários e compensação
🧭 Algoritmo⚖️ Distúrbios🔎 Anion Gap🩺 Casos
🧭 Algoritmo de Interpretação
Sequência prática para ler qualquer gasometria em 4 passos
COMO INTERPRETAR UMA GASOMETRIA1. Avaliar o pHAcidose (<7,35) ou Alcalose (>7,45)?2. Identificar o distúrbio primáriopCO₂ alterado → respiratório · HCO₃⁻ alterado → metabólico3. Checar a compensaçãoA resposta esperada está compatível com fórmulas de compensação?4. Calcular o Anion GapSe acidose metabólica: AG normal ou aumentado?
📋 Parâmetros de Referência
Valores normais em sangue arterial, adulto
ParâmetroReferênciaSignificado
pH7,35 – 7,45Concentração de H⁺ (escala logarítmica inversa)
pCO₂35 – 45 mmHgComponente respiratório — ventilação alveolar
HCO₃⁻22 – 26 mEq/LComponente metabólico — função renal/tamponamento
pO₂80 – 100 mmHgOxigenação — avaliar junto com SatO₂ e FiO₂
SatO₂95 – 100%Saturação de hemoglobina
BE (Base Excess)-2 a +2 mEq/LExcesso/déficit de base — auxilia distúrbios mistos
Lactato0,5 – 2,0 mmol/LPerfusão tecidual — >4 mmol/L indica choque
⚖️ Os 4 Distúrbios Primários
Cada um tem uma causa respiratória (pCO₂) ou metabólica (HCO₃⁻)
DistúrbiopHAlteração 1ªCausas comuns
Acidose RespiratóriapCO₂ ↑Hipoventilação, DPOC exacerbado, opioides, doença neuromuscular
Alcalose RespiratóriapCO₂ ↓Hiperventilação, ansiedade, dor, hipóxia, sepse inicial, gravidez
Acidose MetabólicaHCO₃⁻ ↓Cetoacidose, acidose lática, insuficiência renal, diarreia
Alcalose MetabólicaHCO₃⁻ ↑Vômitos, uso de diuréticos, hiperaldosteronismo, reposição excessiva de bicarbonato
💡 Dica prática: Compensação respiratória é rápida (minutos); compensação metabólica (renal) leva de 24 a 72h para se completar.
🔎 Anion Gap — Diferenciando Causas de Acidose Metabólica
AG = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻) · Normal: 8–12 mEq/L
AG Aumentado (acidose com ganho de ácido)
Mnemônico MUDPILES: Metanol, Uremia, DKA (cetoacidose), Paraldeído, Isoniazida/Ferro, Lactato, Etilenoglicol, Salicilatos.
AG Normal (acidose hiperclorêmica)
Perda de bicarbonato — diarreia, acidose tubular renal, fístulas intestinais, uso de acetazolamida.
🩺 Caso Prático
Aplicando o algoritmo
🚨
DPOC exacerbado — pH 7,28 · pCO₂ 68 · HCO₃⁻ 30

pH baixo → acidose. pCO₂ alto → componente respiratório primário (acidose respiratória).

HCO₃⁻ compensatoriamente elevado (retenção renal crônica) → sugere componente crônico, típico de DPOC.

Conduta: otimizar ventilação, evitar O₂ em excesso (risco de piorar retenção de CO₂ em retentores crônicos).

⚠️
Cetoacidose diabética — pH 7,10 · pCO₂ 18 · HCO₃⁻ 8 · AG 26

Acidose metabólica com AG elevado (corpos cetônicos).

pCO₂ baixo é a compensação respiratória esperada (respiração de Kussmaul).

Conduta: insulinoterapia, reposição volêmica e potássio — nunca bicarbonato de rotina.

📚 Aprender · Imunologia
Sorologias & Autoimunidade
Cinética de anticorpos, autoanticorpos e sistema complemento
📈 Cinética IgM/IgG🛡️ Autoanticorpos🧩 Complemento
📈 Cinética da Resposta Imune
Como interpretar IgM e IgG ao longo do tempo de infecção
IgM vs IgG — Janela de InterpretaçãoIgM (fase aguda)IgG (memória/imunidade)• Surge em 5–10 dias após exposição• Pico em 2–3 semanas• Declina em semanas a poucos meses• Reagente = infecção recente/aguda• Pode dar falso-positivo (reação cruzada)• Surge 2–3 semanas após exposição• Persiste por anos, às vezes por toda vida• Reagente isolado = infecção passada ou vacinação• IgG crescente em 2 amostras pareadas = infecção ativa• Base da soroconversão (usada em sífilis, hepatites)
🧭 Padrões de Interpretação
Combinações mais usadas na prática
IgMIgGInterpretação
ReagenteNão reagenteInfecção aguda/recente — janela inicial
ReagenteReagenteInfecção recente em evolução ou reativação
Não reagenteReagenteInfecção passada / imunidade (vacinal ou natural)
Não reagenteNão reagenteAusência de contato — suscetível (considerar janela imunológica)
🛡️ Painel de Autoanticorpos
Principais marcadores em doenças autoimunes
MarcadorAlvo/Doença associadaObservação
FAN (ANA)Triagem geral — LES, esclerodermia, SjögrenTítulo ≥1:80 é significativo; padrão de fluorescência orienta a doença
Anti-dsDNAEspecífico para LESCorrelaciona com atividade da nefrite lúpica
Anti-CCPArtrite ReumatoideAlta especificidade (95–98%), pode preceder sintomas
Fator ReumatoideArtrite Reumatoide (sensível, pouco específico)Positivo também em outras doenças e até em idosos saudáveis
ANCA (c-ANCA/p-ANCA)Vasculites (Granulomatose de Wegener, Poliangiite)c-ANCA→PR3; p-ANCA→MPO
💡 Dica prática: Resultados reagentes de triagem sempre pedem confirmação com método mais específico antes de fechar diagnóstico.
🧩 Sistema Complemento (C3/C4)
Consumo de complemento indica atividade inflamatória imunomediada
C3 e/ou C4 reduzidos
Consumo por atividade de LES, glomerulonefrite pós-infecciosa, angioedema hereditário (C4 isolado), crioglobulinemia.
C3/C4 elevados
Reagentes de fase aguda — podem subir em infecções e inflamações agudas inespecíficas, menor valor diagnóstico isolado.
📚 Aprender · Marcadores Tumorais
Marcadores Tumorais
Indicações, limitações e conduta frente a resultados alterados
🧭 Conduta📋 Marcadores⚠️ Falsos Positivos
🧭 O que fazer diante de um marcador elevado
Marcadores tumorais raramente fecham diagnóstico sozinhos
CONDUTA FRENTE A MARCADOR ELEVADO1. Confirmar com repetiçãoDescartar erro pré-analítico ou variação biológica2. Correlacionar com clínica e imagemMarcador isolado nunca fecha diagnóstico de câncer3. Considerar causas benignasInflamação, tabagismo e outras condições podem elevar o marcador4. Usar para monitorizaçãoMaior utilidade: acompanhar resposta ao tratamento e recidiva
📋 Principais Marcadores
Uso clínico e limitações de cada um
MarcadorUso principalLimitações
PSARastreio/monitorização de câncer de próstataEleva em HPB, prostatite, ejaculação recente, toque retal
CEAMonitorização de câncer colorretalEleva no tabagismo, DII, pancreatite, outras neoplasias
CA-125Monitorização de câncer de ovárioEleva em endometriose, DIP, gravidez, menstruação
CA 19-9Monitorização de câncer de pâncreasEleva em colestase e pancreatite; ausente em pacientes Lewis-negativos
AFPHepatocarcinoma, tumores germinativosEleva na gravidez e em hepatopatias benignas
CA 15-3Monitorização de câncer de mamaBaixa sensibilidade em estágio inicial
⚠️ Causas de Falso-Positivo Mais Cobradas
Antes de assustar o paciente, descarte isso
🚬
Tabagismo

Eleva CEA de forma consistente — sempre perguntar sobre tabagismo antes de interpretar CEA alterado isoladamente.

🩺
Manipulação da próstata

Toque retal, biópsia ou cateterismo recentes podem elevar o PSA temporariamente — repetir após 2–4 semanas.

🌸
Ciclo menstrual e endometriose

CA-125 pode subir de forma benigna durante a menstruação e em quadros de endometriose ou DIP.

📚 Aprender · Genética Preventiva
Genética Preventiva
Síndromes hereditárias, critérios de indicação e vigilância
🧭 Quem testar🧬 Síndromes🔬 Vigilância
🧭 Critérios de Indicação
Sinais de alerta para encaminhar a aconselhamento genético
QUANDO INDICAR TESTE GENÉTICOMúltiplos casos na família≥2 parentes de 1º/2º grau com o mesmo câncer ou correlatosIdade precoce de diagnósticoCâncer de mama <50 anos, colorretal <50 anos, etc.Tumores raros ou bilateraisCâncer de mama masculino, tumor bilateral, múltiplos primáriosAncestralidade de riscoEx: judeus Ashkenazi têm maior prevalência de mutações BRCA
🧬 Principais Síndromes Hereditárias
Genes, cânceres associados e o que muda na conduta
Síndrome/GeneCânceres associadosConduta
BRCA1/BRCA2Mama, ovário, próstata, pâncreasRM de mama anual, considerar mastectomia/ooforectomia profilática
Síndrome de Lynch (MLH1, MSH2...)Colorretal, endométrio, ovárioColonoscopia a cada 1–2 anos a partir dos 20–25 anos
TP53 (Li-Fraumeni)Sarcomas, mama, cérebro, adrenalRastreamento de corpo inteiro (RM), vigilância intensiva
RET (NEM 2)Carcinoma medular de tireoide, feocromocitomaTireoidectomia profilática conforme risco do genótipo
VHL (von Hippel-Lindau)Hemangioblastoma, carcinoma renal, feocromocitomaRM de SNC e abdome periódicas
💡 Dica prática: Todo teste genético deve vir acompanhado de aconselhamento pré e pós-teste — o resultado impacta a família, não só o paciente.
🔬 Vigilância pós-resultado positivo
O teste só tem valor se muda conduta
Resultado positivo (mutação patogênica)
Define protocolo de vigilância intensiva e discussão sobre cirurgias profiláticas; testar familiares de 1º grau.
Variante de significado incerto (VUS)
Não deve mudar conduta clínica isoladamente — reclassificação pode ocorrer com o tempo conforme novos dados.
📚 Aprender · Testes Moleculares
Testes Moleculares & Biomarcadores
Biomarcadores preditivos que guiam terapia-alvo e imunoterapia
🧭 Fluxo de Decisão🔬 Biomarcador → Terapia
🧭 Do Diagnóstico ao Teste Molecular
Fluxo geral em oncologia de precisão
MEDICINA DE PRECISÃO — FLUXO GERAL1. Diagnóstico histológicoBiópsia confirma o tipo tumoral2. Painel molecular reflexoTestar biomarcadores conforme o tipo de tumor (ex: EGFR em pulmão)3. Resultado guia terapia-alvoBiomarcador positivo → droga-alvo específica4. Monitorização por biópsia líquidactDNA acompanha resposta e resistência ao tratamento
🔬 Biomarcador → Terapia
Principais alvos moleculares acionáveis
BiomarcadorTumorTerapia guiada
EGFR (mutação)Pulmão (adenocarcinoma)Inibidores de tirosina-quinase (erlotinibe, osimertinibe)
HER2 (amplificação)Mama, gástricoTrastuzumabe e outros anti-HER2
PD-L1 (expressão)Pulmão, outros sólidosImunoterapia — inibidores de checkpoint (pembrolizumabe)
MSI-H / dMMRColorretal e pan-tumoralElegibilidade para imunoterapia independente do sítio primário
BRCA1/2 (somático)Ovário, mama, próstata, pâncreasInibidores de PARP (olaparibe)
KRAS G12CPulmão, colorretalInibidores específicos de KRAS G12C (sotorasibe)
💡 Dica prática: TMB (carga mutacional) ≥10 mut/Mb ou MSI-H habilita uso de imunoterapia pan-tumoral, independente do órgão de origem.
📚 Modo Aprender · Veterinário 🐾
Educação Laboratorial Veterinária
Fluxogramas, comparações cão × gato e casos práticos para cada setor.
📚 Aprender · Hematologia VET
Hemograma em Cães e Gatos
Diferenças de espécie que mudam a interpretação
🐾 Cão vs Gato📋 Referências🔬 Achados de Esfregaço
🐾 Diferenças Cão vs Gato
O mesmo hemograma se interpreta de formas diferentes conforme a espécie
PARTICULARIDADES HEMATOLÓGICAS POR ESPÉCIECãoGato• Anemia hemolítica imunomediada (IMHA) é comum• Esferócitos = achado-chave de IMHA canina• Trombocitopenia por erliquiose/babesiose é frequente• Reticulocitose costuma ser bem marcada na anemia regenerativa• Corpos de Heinz podem ser fisiológicos em pequena quantidade• FeLV/FIV são causas importantes de citopenias• Anemia costuma ser menos regenerativa mesmo com hemólise• Hemoplasma (Mycoplasma haemofelis) é diagnóstico diferencial de anemia hemolítica
📋 Valores de Referência Comparados
Intervalos aproximados — sempre validar com o método do laboratório
ParâmetroCãoGato
Hemácias (RBC)5,5–8,5 ×10⁶/μL5,0–10,0 ×10⁶/μL
Hemoglobina12–18 g/dL8–15 g/dL
Hematócrito37–55%24–45%
Leucócitos6.000–17.000/μL5.500–19.500/μL
Plaquetas200.000–500.000/μL300.000–800.000/μL
🔬 Achados de Esfregaço que Mudam a Conduta
Reconhecimento visual direto no laboratório
🩸
Esferócitos (cão)

Hemácias pequenas, densas, sem palidez central — marcador morfológico de IMHA canina. Ausência não exclui o diagnóstico, mas presença é altamente sugestiva.

🐈
Corpos de Heinz (gato)

Pequenas inclusões na periferia da hemácia por oxidação da hemoglobina. Podem ser fisiológicos em baixa quantidade no gato — quantificar e correlacionar com anemia e exposição a oxidantes (cebola, alho, paracetamol).

🦠
Corpos de inclusão de hemoparasitas

Babesia (dentro da hemácia), Mycoplasma haemofelis (na superfície da hemácia), Erliquia (mórulas em leucócitos) — pesquisa direta em esfregaço é etapa obrigatória em anemia regenerativa com histórico compatível.

📚 Aprender · Bioquímica VET
Bioquímica Renal e Hepática Veterinária
Azotemia, SDMA e interpretação hepática em cães e gatos
🧭 Azotemia🔬 SDMA🫀 Hepático
🧭 Classificação da Azotemia
Ureia e creatinina elevadas — de onde vem o problema?
AZOTEMIA — TRIAGEM DA ORIGEMPré-renalDesidratação, choque, baixa perfusão renal — USG urinária concentradaRenal (intrínseca)Lesão do parênquima — USG urinária inadequada (isostenúria)Pós-renalObstrução ou ruptura de vias urinárias — investigar bexiga/uretra
🔬 SDMA — Detecção Precoce de Doença Renal
Marcador mais sensível que creatinina isolada
MarcadorDetecta perda de função renal a partir deObservação
Creatinina~75% da função renal perdidaInfluenciada por massa muscular — pode mascarar DRC em animais caquéticos
SDMA~25–40% da função renal perdidaMenos influenciado por massa muscular; útil em gatos idosos magros
💡 Dica prática: SDMA persistentemente ≥14 μg/dL em paciente sem outra causa aparente sugere DRC em estágio inicial — mesmo com creatinina ainda normal.
🫀 Interpretação Hepática — Particularidades por Espécie
ALP tem comportamento diferente em cães e gatos
ALP elevada no cão
Muito sensível a corticoterapia (isoenzima induzida por esteroides) e colestase — elevação isolada de ALP é comum e nem sempre reflete doença hepática grave.
ALP elevada no gato
Menos sensível a indução por corticoide — elevação é mais específica de colestase/lipidose hepática felina, achado de maior peso clínico que no cão.
Albumina reduzida
Insuficiência hepática crônica, enteropatia perdedora de proteína, nefropatia perdedora de proteína — sempre correlacionar com ureia/creatinina e proteína total.
📚 Aprender · Urinálise VET
Urinálise em Cães e Gatos
Densidade urinária, sedimento e cristalúria por espécie
🧭 Densidade (USG)🔬 Cristalúria
🧭 Densidade Urinária (USG) por Espécie
Ponto de corte muda a interpretação de "diluída"
USG — REFERÊNCIA POR ESPÉCIECãoGato• Adequadamente concentrada: >1.030• Isostenúria: 1.008–1.012 (perda de capacidade de concentrar)• Hipostenúria: <1.008• Adequadamente concentrada: >1.035• Gatos concentram mais que cães fisiologicamente• USG <1.035 com azotemia já levanta suspeita de DRC
🔬 Cristalúria — Tipos e Predisposições
Nem toda cristalúria é doença — correlacionar com clínica
CristalEspécie/raça predispostaRelevância clínica
EstruvitaCães (fêmeas), infecções por Proteus/StaphylococcusAssociado a ITU e pH urinário alcalino
Oxalato de cálcioCães (Schnauzer, Bichon), gatos machosRisco de urolitíase — pH ácido favorece formação
UratoDálmata, cães com shunt portossistêmicoInvestigar função hepática se achado persistente
CistinaRaças com defeito de reabsorção tubular (Buldogue Francês)Erro inato do metabolismo — predispõe a urolitíase
💡 Dica prática: Cristalúria em amostra não fresca ou refrigerada pode ser artefato — sempre correlacionar com sinais clínicos antes de tratar.
📚 Aprender · Hemostasia VET
Coagulação em Medicina Veterinária
Investigação de sangramento e intoxicação por rodenticidas
🧭 Investigação☠️ Rodenticidas
🧭 Investigação de Distúrbio Hemorrágico
Sequência de raciocínio no paciente com sangramento
PACIENTE COM SANGRAMENTO — POR ONDE COMEÇAR1. TP e TTPaAvaliar vias extrínseca/intrínseca e via comum2. Contagem de plaquetasDescartar trombocitopenia como causa primária3. Investigar exposição a rodenticidasHistórico de acesso a iscas — TP costuma prolongar primeiro4. D-dímero/fibrinogênio se suspeita de CIVDDoença de base grave (sepse, neoplasia, golpe de calor)
☠️ Padrão de Intoxicação por Rodenticidas Anticoagulantes
Uma das causas mais frequentes de coagulopatia adquirida em cães
TP prolongado precocemente
Fator VII (via extrínseca) tem meia-vida curta — é o primeiro a cair, por isso o TP prolonga antes do TTPa nas primeiras 24–36h de intoxicação.
TP e TTPa prolongados (fase tardia)
Com a progressão, os demais fatores dependentes de vitamina K (II, IX, X) também caem — quadro laboratorial se generaliza.
💡 Dica prática: Tratamento: Vitamina K1 oral por 3–4 semanas (dependendo do rodenticida) + plasma fresco congelado se sangramento ativo.
📚 Aprender · Endocrinologia VET
Tireoide e Adrenal em Cães e Gatos
A direção do distúrbio se inverte entre as espécies
🦋 Tireoide — Inversão🫘 Cushing/Addison
🦋 O Ponto-Chave: Tireoide se Inverte Entre Espécies
O erro mais comum de quem migra da rotina humana
TIREOIDE — DIREÇÃO OPOSTA POR ESPÉCIECão → HipotireoidismoGato → Hipertireoidismo• Doença tireoidiana mais comum no cão• T4 total baixo + TSH alto (canino) confirma• Sinais: letargia, ganho de peso, pele/pelo ruins• Tratamento: reposição de levotiroxina• Doença tireoidiana mais comum no gato idoso• T4 total elevado — geralmente adenoma tireoidiano• Sinais: perda de peso com apetite aumentado, taquicardia• Tratamento: metimazol, dieta iodo-restrita, radioiodo ou cirurgia
🫘 Testando o Eixo Adrenal
ACTH-estimulação e supressão com dexametasona em baixa dose (LDDST)
TesteIndicaçãoInterpretação
Estímulo com ACTHConfirmar Cushing ou AddisonCushing: cortisol pós-ACTH muito elevado. Addison: resposta ausente/mínima
LDDST (supressão c/ dexametasona)Mais sensível para Cushing espontâneoAusência de supressão em 8h confirma hiperadrenocorticismo
Relação cortisol:creatinina urináriaTriagem inicial (alta sensibilidade, baixa especificidade)Resultado normal ajuda a descartar Cushing; alterado exige confirmação
💡 Dica prática: No cão, Addison (hipoadrenocorticismo) é o "grande imitador" — considerar em paciente com sinais gastrointestinais vagos e hipercalemia + hiponatremia.
📚 Aprender · Gasometria VET
Gasometria em Medicina Veterinária
Mesmo algoritmo humano, com notas de espécie
🧭 Algoritmo📋 Referências
🧭 Algoritmo (o mesmo raciocínio da medicina humana)
pH → distúrbio primário → compensação → contexto clínico
GASOMETRIA VETERINÁRIA — PASSO A PASSO1. pH: acidose ou alcalose?Mesma lógica da gasometria humana2. pCO₂ ou HCO₃⁻ como causa primária?Respiratório vs metabólico3. Compensação está adequada?Compensação renal é mais lenta em pequenos animais também4. Correlacionar com quadro clínicoEstresse felino pode causar taquipneia/hiperventilação factícia
📋 Referências por Espécie
Sangue arterial — valores aproximados
ParâmetroCãoGato
pH7,35–7,457,24–7,40
pCO₂29–42 mmHg28–38 mmHg
HCO₃⁻18–24 mEq/L17–22 mEq/L
Lactato<2,5 mmol/L<2,5 mmol/L
💡 Dica prática: Gatos sob estresse de contenção podem hiperventilar durante a coleta — considerar esse artefato antes de assumir alcalose respiratória verdadeira.
📚 Aprender · Líq. Sinovial & LCR VET
Líquido Sinovial e LCR
Classificação de derrames articulares e análise liquórica
🦴 Sinovial🧠 LCR
🦴 Classificação do Líquido Sinovial
Contagem celular e aspecto definem a categoria
CategoriaCelularidadePredomínioCausas
Normal<3.000 células/μLMononucleares
Não inflamatório<5.000 células/μLMononuclearesOsteoartrite, trauma, instabilidade articular
Inflamatório imunomediado5.000–100.000 células/μLNeutrófilos não-degeneradosPoliartrite imunomediada, LES
SépticoFrequentemente >80.000 células/μLNeutrófilos degenerados ± bactériasArtrite séptica — emergência, colher cultura
🧠 Análise do Líquido Cefalorraquidiano
Contagem celular e proteína orientam a causa neurológica
Pleocitose neutrofílica
Meningite bacteriana, meningoencefalite (considerar cinomose no cão), processo inflamatório agudo.
Pleocitose mononuclear (linfocítica)
Meningoencefalite granulomatosa (GME), infecções virais/fúngicas, processos crônicos.
Proteína elevada com celularidade normal
Dissociação albumino-citológica — sugere compressão medular ou processo degenerativo (ex: hérnia de disco).
📚 Aprender · Valores Críticos VET
Comunicação de Valores Críticos
Protocolo de alerta imediato ao médico responsável
🧭 Protocolo📋 Principais Valores
🧭 Protocolo de Comunicação Imediata
Mesmo rigor da medicina humana, adaptado à rotina veterinária
FLUXO DE COMUNICAÇÃO DE VALOR CRÍTICO — VET1. Resultado crítico identificadoSistema ou bioquímico sinaliza valor fora do limite de segurança2. Confirmar amostra e repetir se necessárioDescartar erro pré-analítico (hemólise, coágulo, amostra trocada)3. Contatar o médico veterinário responsávelRegistrar nome de quem recebeu, horário e via de comunicação4. Documentar no laudoPrazo-alvo: comunicação em até 30 minutos da liberação do resultado
📋 Exemplos de Valores Críticos em Vet
Lista não exaustiva — cada laboratório deve ter a sua própria
ExameValor críticoRisco
Glicemia<40 mg/dL ou >450 mg/dLHipoglicemia grave / cetoacidose diabética
Potássio<2,5 mEq/L ou >7,0 mEq/LArritmia cardíaca grave
Hematócrito<15%Anemia grave — risco de descompensação hemodinâmica
Plaquetas<30.000/μLRisco hemorrágico espontâneo
Temperatura corporal associada a lactatoLactato >5 mmol/LSugestivo de choque/hipoperfusão grave
📚 Aprender · Citopatologia VET
Critérios de Malignidade em Citologia
Diferenciando lesões benignas de malignas ao microscópio
🔬 Critérios📋 Padrões Comuns
🔬 Critérios de Malignidade
Quanto mais critérios presentes, maior a suspeita
CITOLOGIA — BENIGNO vs MALIGNOPadrão BenignoPadrão Maligno• Células uniformes em tamanho e forma• Relação núcleo:citoplasma preservada• Um único nucléolo, pequeno e regular• Mitoses raras ou ausentes• Anisocitose e anisocariose (variação de tamanho)• Relação núcleo:citoplasma aumentada• Nucléolos múltiplos, grandes e irregulares• Mitoses atípicas e/ou frequentes
📋 Padrões Citológicos Frequentes na Rotina
Reconhecimento rápido de lesões comuns em cães e gatos
LesãoAchado citológico característico
LipomaAdipócitos uniformes, fundo com gotículas de gordura, baixa celularidade
MastocitomaCélulas redondas com grânulos citoplasmáticos metacromáticos (coloração tipo Diff-Quik pode não corar os grânulos)
LinfomaPopulação monomórfica de linfócitos, predominância de células grandes imaturas em linfomas de alto grau
TVT (tumor venéreo transmissível)Células redondas com vacúolos citoplasmáticos em "colar de pérolas"
CarcinomaCélulas epiteliais em grupamentos coesos com critérios de malignidade acima
💡 Dica prática: Mastocitomas podem ter grânulos que não coram bem com Diff-Quik — se a suspeita clínica for alta e a citologia for negativa, considerar repetir com outra coloração.
📚 Aprender · Histopatologia VET
Processamento e Graduação Histológica
Do fragmento ao laudo — etapas e sistemas de graduação
🧭 Processamento📋 Graduação
🧭 Do Fragmento ao Laudo
Etapas até o diagnóstico histopatológico
PROCESSAMENTO HISTOPATOLÓGICO1. Fixação em formalina 10%Volume de fixador ≥10× o volume da amostra2. Processamento e inclusão em parafinaDesidratação, diafanização, inclusão3. Microtomia e coloração (H&E)Cortes finos corados para leitura ao microscópio4. Laudo com graduação e margensClassificação tumoral + avaliação de margens cirúrgicas
📋 Graduação do Mastocitoma Canino
Dois sistemas usados na prática — Patnaik (histórico) e Kiupel (atual, 2 níveis)
SistemaCategoriasUso prático
Patnaik (3 graus)Grau I, II, IIIGrau III = pior prognóstico; Grau II é o mais heterogêneo/discutível
Kiupel (2 graus)Baixo grau, Alto grauMelhor reprodutibilidade entre patologistas; correlaciona melhor com sobrevida
💡 Dica prática: O ideal é o laudo trazer os dois sistemas — Patnaik por tradição histórica, Kiupel por maior valor prognóstico e reprodutibilidade.
📚 Aprender · Doenças Infectocontagiosas VET
Painel de Doenças Infecciosas
Métodos diagnósticos e janela de detecção
🧭 Abordagem📋 Painel
🧭 Abordagem Diagnóstica
Sorologia, antígeno ou PCR — qual escolher?
ESCOLHENDO O MÉTODO DIAGNÓSTICOSorologia (anticorpos)Detecta exposição/contato — pode ficar positiva por muito tempo após curaAntígenoDetecta presença ativa do agente — útil na fase aguda (ex: FeLV, Erliquia)PCRDetecta material genético — maior sensibilidade na fase inicial/aguda
📋 Principais Doenças e Métodos
Painel infeccioso mais solicitado na rotina de cães e gatos
DoençaAgenteMétodo preferencial
ErliquioseEhrlichia canisSorologia (ELISA/IFI) + PCR na fase aguda
Leishmaniose visceralLeishmania infantumSorologia (ELISA/RIFI) + PCR confirmatório
BabesioseBabesia spp.Esfregaço sanguíneo (fase aguda) + PCR
FIVVírus da Imunodeficiência FelinaSorologia (ELISA) — confirmar com Western blot/PCR se dúvida
FeLVVírus da Leucemia FelinaAntígeno (ELISA) — PCR quantitativo para carga viral/progressividade
Parvovirose caninaParvovírus canino tipo 2Antígeno fecal (teste rápido) — PCR em casos duvidosos
💡 Dica prática: Em Erliquiose e Leishmaniose, sorologia negativa não exclui doença na fase muito inicial — repetir em 2–4 semanas se suspeita clínica alta.
📚 Aprender · Biologia Molecular VET
PCR na Rotina Veterinária
Do swab ao resultado — como funciona e quando pedir
🧭 Fluxo PCR📋 Painel Molecular
🧭 Como Funciona o PCR
Amplificação exponencial de material genético do agente
FLUXO DO PCR VETERINÁRIO1. Coleta da amostraSangue, swab, tecido — conforme o agente investigado2. Extração de DNA/RNAPurificação do material genético da amostra3. Amplificação (PCR/qPCR)Ciclos de temperatura amplificam a sequência-alvo4. Detecção e interpretaçãoqPCR também estima carga do agente (Ct/carga viral)
📋 Painéis Moleculares Mais Solicitados
PCR para agentes transmitidos por vetores e virais
PainelAgentes cobertosIndicação
PCR para hemoparasitasEhrlichia, Anaplasma, Babesia, Mycoplasma haemofelisSuspeita de doença transmitida por vetores, fase aguda
PCR para LeishmaniaLeishmania infantumConfirmação de sorologia duvidosa, monitorização de tratamento
PCR viral respiratório felinoHerpesvírus, Calicivírus, ChlamydophilaComplexo respiratório felino
PCR para ParvovírusParvovírus canino tipo 2Confirmação em casos com antígeno fecal duvidoso
💡 Dica prática: PCR detecta o agente mesmo antes da soroconversão — é a melhor escolha na fase muito inicial da doença, quando a sorologia ainda pode ser negativa.
📚 Aprender · Emergência VET
Emergência & UTI — Cão & Gato
Triagem rápida do paciente crítico e protocolos de estabilização
🧭 Triagem⚡ Hipercalemia💧 Choque
🧭 Triagem Laboratorial do Paciente Crítico
O que colher primeiro, e por quê
EMERGÊNCIA VET — PRIMEIROS EXAMES1. PCV/TSTeste de bancada mais rápido — avalia anemia e hidratação em minutos2. LactatoMarcador de perfusão tecidual — guia a resposta à fluidoterapia3. Eletrólitos (K⁺ em especial)Risco de arritmia — essencial em obstrução uretral felina4. Glicemia e função renalCompleta o quadro metabólico antes de definir o plano terapêutico
⚡ Hipercalemia — A Emergência Eletrolítica Mais Comum
Clássica em obstrução uretral felina, mas também em Addison e uroabdômen
Nível de K⁺RiscoConduta
5,5–6,0 mEq/LBaixoMonitorar, corrigir causa de base
6,0–7,0 mEq/LModeradoFluidoterapia com NaCl 0,9%, monitorar ECG (onda T apiculada)
>7,0 mEq/L ou ECG alteradoAlto — risco de parada cardíacaGluconato de cálcio 10% (cardioprotetor) + insulina regular/glicose + desobstrução
💡 Dica prática: Gluconato de cálcio não reduz o potássio — ele protege o coração enquanto outras medidas (insulina/glicose, desobstrução) reduzem o K⁺ de fato.
💧 Choque — Reconhecimento e Resposta à Fluidoterapia
Cão e gato respondem de forma diferente ao volume
FLUIDOTERAPIA INICIAL NO CHOQUECãoGato• Bolus 10–20 mL/kg em 15 min• Reavaliar PCV/TS, lactato e perfusão• Repetir bolus conforme resposta clínica• Bolus mais conservador: 5–10 mL/kg• Gatos toleram menos volume — risco de edema pulmonar• Reavaliar com mais frequência entre bolus
Meta da ressuscitação volêmica
Normalizar frequência cardíaca, tempo de preenchimento capilar e clareamento do lactato — não apenas "dar volume" sem reavaliação.